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ABIN ALERTA GOVERNO E TSE PARA RISCO “CRÍTICO” DE INTERFERÊNCIA DOS EUA NAS ELEIÇÕES DE 2026

Relatório reservado encaminhado à Presidência, ao TSE e ao Ministério da Justiça aponta aumento das pressões de Washington sobre o Brasil e analisa possíveis impactos no ambiente e

ABIN ALERTA GOVERNO E TSE PARA RISCO “CRÍTICO” DE INTERFERÊNCIA DOS EUA NAS ELEIÇÕES DE 2026
Imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil

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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório reservado no qual classifica como de elevada criticidade o risco de influência ou interferência dos Estados Unidos no ambiente das eleições brasileiras de 2026. O documento foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.

Intitulado “Ameaças ao processo eleitoral de 2026”, o relatório aponta, segundo as reportagens que tiveram acesso ao conteúdo, uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma mudança na forma como o governo norte-americano tem atuado em relação ao país.

A análise da Abin relaciona essa movimentação à estratégia internacional do segundo governo de Donald Trump, que busca ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e reduzir o espaço de potências rivais, especialmente a China, em áreas consideradas estratégicas, como recursos naturais, infraestrutura e investimentos. Essa é uma avaliação atribuída à inteligência brasileira, e não uma conclusão independente sobre as intenções do governo dos EUA.

RELATÓRIO CITA PRESSÕES ECONÔMICAS E DIPLOMÁTICAS

Entre os episódios analisados estão tarifas comerciais, restrições de vistos, sanções contra pessoas e empresas e outras medidas tomadas por Washington nos últimos meses. Para a Abin, esse conjunto de ações pode produzir reflexos econômicos, diplomáticos e políticos capazes de afetar o ambiente público brasileiro durante o período eleitoral.

O documento também menciona o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio e avalia que a política dos EUA para a região procura estimular maior alinhamento de países latino-americanos com Washington e diminuir a proximidade com Pequim.

Outro episódio citado no contexto das tensões foi uma proposta apresentada pelo governo Trump durante negociações com o Brasil em 2025. O texto defendia garantias para que os chamados “dissidentes políticos” participassem das eleições brasileiras. O governo brasileiro rejeitou a proposta, considerando que temas relacionados às regras eleitorais e às decisões da Justiça brasileira não seriam objeto de negociação diplomática.

ALERTA NÃO APONTA FRAUDE NAS URNAS

O relatório não aponta manipulação das urnas eletrônicas nem afirma que o resultado da eleição esteja sendo alterado. O risco descrito está relacionado principalmente à possibilidade de pressões econômicas, diplomáticas, políticas e informacionais influenciarem o ambiente eleitoral e o debate público.

O TSE, por sua vez, vem reforçando medidas relacionadas à segurança das Eleições 2026, incluindo auditorias do sistema eletrônico, regras para inteligência artificial, combate à desinformação e acompanhamento internacional do processo eleitoral.

21 de set. de 2026 · Redação Scarpa360