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AGROFLORESTAS GANHAM ESCALA E JÁ ATRAEM BILHÕES EM INVESTIMENTOS NO BRASIL

Modelo que combina produção agrícola e recuperação ambiental avança para projetos de milhares de hectares e atrai grandes empresas e fundos de investimento.

AGROFLORESTAS GANHAM ESCALA E JÁ ATRAEM BILHÕES EM INVESTIMENTOS NO BRASIL

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

Os sistemas agroflorestais estão entrando em uma nova fase no Brasil. Antes associados principalmente a pequenas propriedades rurais e iniciativas conduzidas por organizações ambientais, os chamados SAFs começam a ocupar áreas de milhares de hectares e a receber investimentos bilionários de empresas e gestores de recursos.

Entre os grupos que já apostam nesse mercado estão Patria, Natura, Belterra e Courageous Land. O interesse é impulsionado pela possibilidade de combinar produção agrícola, recuperação de áreas degradadas e retorno financeiro de longo prazo.

A mudança também acompanha o avanço da agenda brasileira de restauração florestal. Para empresas e investidores, as agroflorestas surgem como uma alternativa capaz de gerar receitas com produtos agrícolas enquanto os benefícios ambientais e, eventualmente, receitas relacionadas ao carbono são desenvolvidos ao longo dos anos.

Patria cria fundo de mais de R$ 2,5 bilhões

Um dos maiores investimentos anunciados no segmento parte do Patria, que criou um fundo de US$ 500 milhões, equivalente a mais de R$ 2,5 bilhões, destinado a sistemas agroflorestais até 2027.

Do total previsto, US$ 150 milhões já foram captados. O primeiro projeto está localizado em Avaré, no interior de São Paulo, e tem como principal cultura o avocado hass.

O empreendimento também prevê o cultivo de café e cacau em áreas anteriormente ocupadas por pastagens degradadas.

Segundo Pedro Faria, sócio-diretor do Patria, a estratégia é concentrar os investimentos em culturas perenes de alto valor agregado, nas quais o Brasil tenha capacidade produtiva e exista demanda crescente no mercado internacional.

A previsão apresentada pelo fundo é de retorno anual entre 12% e 14% em um horizonte de até 15 anos, voltado a investidores qualificados.

Parte dos recursos já investidos pelo Patria veio do Fundo Vale. Entre 2020 e 2025, a instituição destinou aproximadamente R$ 292 milhões a negócios agroflorestais como parte da estratégia para contribuir com a restauração de 500 mil hectares até 2030.

Belterra recebe R$ 100 milhões do BNDES

A Belterra, considerada uma das pioneiras na expansão empresarial das agroflorestas no país, conseguiu R$ 100 milhões por meio do Fundo Clima, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os recursos financiarão a implantação de aproximadamente 2,5 mil hectares de sistemas agroflorestais distribuídos entre Pará, Mato Grosso e Bahia.

Para o diretor-presidente da empresa, Valmir Ortega, o mercado atravessa uma transformação acelerada, deixando uma estrutura marcada por projetos pequenos e personalizados para avançar em direção à implantação sistematizada em grande escala.

Um dos fatores que ajudam a explicar essa mudança é a necessidade de encontrar modelos economicamente sustentáveis para recuperar áreas degradadas.

O diretor de Florestas e Restauração Florestal do Imaflora, Leonardo Sobral, aponta que receitas exclusivamente provenientes do mercado de carbono nem sempre são suficientes para viabilizar financeiramente projetos de restauração.

Nesse cenário, culturas agrícolas podem começar a gerar renda nos primeiros meses ou anos do projeto, enquanto outras fontes de receita ambiental demoram mais tempo para aparecer.

Courageous Land aposta em café, açaí e cacau

Outra empresa que conseguiu financiamento do BNDES foi a Courageous Land.

A companhia já possui cerca de 450 hectares implantados em São Paulo, Roraima e Bahia e recebeu financiamento de R$ 116 milhões para avançar com o plantio de aproximadamente dois mil hectares na Amazônia.

O projeto terá o café como uma das principais culturas, combinado com açaí, cacau e espécies madeireiras.

Segundo o cofundador da Courageous Land, Gilberto Terra, a disponibilidade de capital deixou de ser o principal obstáculo para projetos agroflorestais estruturados.

Para o executivo, a expansão do mercado fez com que os SAFs deixassem de ser vistos apenas como experiências de pequena escala e passassem a despertar maior confiança entre financiadores e investidores.

Natura chega a mil hectares no Pará

A Natura também está ampliando sua presença nesse modelo de produção. A companhia informou ter alcançado mil hectares de dendê cultivado em sistemas agroflorestais no Pará.

O projeto começou em 2018, inicialmente com apenas 18 hectares. Desde 2021, a empresa afirma ter investido aproximadamente R$ 60 milhões na iniciativa e prevê outros R$ 20 milhões nos próximos três anos e meio.

A meta é chegar a dois mil hectares até 2030 e fazer com que, até 2040, todo o óleo de palma utilizado em seus processos tenha origem em sistemas agroflorestais.

O modelo é implantado também em propriedades de parceiros, que recebem investimentos para adoção do sistema e, em contrapartida, assumem compromisso de venda preferencial da produção de óleo de palma para a companhia.

Segundo Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura, o dendê cultivado nesse sistema tem apresentado rendimento 50% superior, resultado que, segundo a empresa, reforça a possibilidade de conciliar desempenho produtivo e benefícios ambientais.

Agroflorestas passam a ser vistas como negócio

Os sistemas agroflorestais combinam árvores, culturas agrícolas e, dependendo do projeto, diferentes espécies produtivas dentro de uma mesma área. O objetivo é desenvolver uma produção economicamente viável enquanto se recuperam características ambientais do território.

A expansão dos investimentos indica uma mudança importante na forma como o setor privado observa esse modelo.

Além de atender compromissos ambientais assumidos por empresas e investidores, os projetos procuram criar fontes de receita por meio da comercialização de alimentos, café, cacau, açaí, óleo de palma, madeira e outros produtos.

Com aportes que já chegam à casa dos bilhões de reais e projetos de milhares de hectares, as agroflorestas avançam de experiências locais para empreendimentos de maior escala, aproximando produção agrícola, restauração ambiental e mercado financeiro.

21 de set. de 2026 · Redação Scarpa360