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ALERTA SANITÁRIO EM SANTA CATARINA: DOENÇA CONTAGIOSA É DETECTADA EM GRANJA COM 6 MIL PERUS

Um alerta sanitário mobilizou autoridades federais e estaduais após a confirmação da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus no Oeste de Santa Catarina. O caso foi id

ALERTA SANITÁRIO EM SANTA CATARINA: DOENÇA CONTAGIOSA É DETECTADA EM GRANJA COM 6 MIL PERUS

Um alerta sanitário mobilizou autoridades federais e estaduais após a confirmação da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus no Oeste de Santa Catarina. O caso foi identificado no município de Nova Itaberaba, em uma propriedade que abriga aproximadamente 6 mil aves.

A confirmação ocorreu no domingo (18), após análises laboratoriais, e foi divulgada oficialmente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na segunda-feira (19).

A doença é altamente contagiosa entre aves e representa uma preocupação para a produção avícola, especialmente em regiões com grande concentração de granjas e frigoríficos.

Apesar do alerta, o governo federal esclareceu que não há contraindicação ao consumo de carne de aves e produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial.

GRANJA FOI INTERDITADA APÓS RESULTADO POSITIVO

De acordo com o Ministério da Agricultura, a ocorrência foi identificada durante atividades de vigilância epidemiológica realizadas pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina.

A investigação começou com a coleta de amostras em setembro. Em 14 de outubro, os resultados indicaram a necessidade de exames complementares.

A confirmação definitiva foi obtida pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, reconhecido internacionalmente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

Após a identificação do vírus, a propriedade foi interditada e a movimentação de animais foi suspensa.

Segundo o ministro da Agricultura, André de Paula, nenhuma das aproximadamente 6 mil aves saiu da granja durante o período investigado.

O governo também informou que os perus não foram destinados à produção de carne para consumo humano.

CERCA DE 133 PROPRIEDADES SERÃO MONITORADAS

As autoridades anunciaram uma operação de vigilância em estabelecimentos próximos ao local onde a doença foi detectada.

A área de restrição envolve quatro municípios catarinenses: Nova Itaberaba, Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias.

Ao todo, aproximadamente 133 propriedades deverão receber acompanhamento das equipes de defesa agropecuária.

O trabalho inclui inspeções, investigação epidemiológica, controle da circulação de aves e medidas para identificar possíveis sinais de disseminação do vírus.

O objetivo é impedir que a doença se espalhe para outras granjas da região.

O governo também estabeleceu medidas emergenciais de controle sanitário nos municípios envolvidos.

AVES DA GRANJA SERÃO ELIMINADAS

Entre as providências anunciadas está a eliminação sanitária das aves do estabelecimento afetado, procedimento conhecido tecnicamente como depopulação.

A ação faz parte dos protocolos adotados para erradicar focos de enfermidades de notificação obrigatória.

Depois dessa etapa, a propriedade deverá passar por procedimentos de limpeza, desinfecção e outras medidas de biossegurança antes de qualquer possível retomada da atividade.

O processo será acompanhado pelas autoridades veterinárias estaduais e federais.

Essas ações seguem o Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, utilizado pelo Brasil para responder a ocorrências sanitárias na produção avícola.

O QUE É A DOENÇA DE NEWCASTLE?

A doença de Newcastle é uma infecção viral que pode afetar diferentes espécies de aves domésticas e silvestres.

Ela é provocada por variantes virulentas do paramixovírus aviário tipo 1 e pode causar quadros respiratórios, digestivos e neurológicos.

Dependendo da espécie infectada e da variante do vírus, os animais podem apresentar dificuldade respiratória, perda de coordenação, redução da produção e mortalidade elevada.

A transmissão ocorre principalmente pelo contato com aves infectadas, secreções, fezes ou materiais contaminados.

Por sua capacidade de disseminação e pelos prejuízos potenciais à avicultura, a doença exige comunicação às autoridades sanitárias e medidas imediatas de controle.

O Ministério da Agricultura informou que as aves do estabelecimento catarinense não apresentaram sinais clínicos da enfermidade, apesar da identificação laboratorial do vírus.

EXISTE RISCO PARA QUEM CONSOME CARNE DE FRANGO OU PERU?

O Ministério da Agricultura afirmou que produtos de origem avícola submetidos à inspeção oficial continuam seguros para consumo.

A confirmação do foco não significa que carnes ou ovos comercializados regularmente estejam contaminados.

Além disso, as aves da propriedade afetada não foram encaminhadas para o abate destinado à alimentação.

Em seres humanos, infecções pelo vírus da doença de Newcastle são incomuns e estão associadas principalmente à exposição direta, especialmente ocupacional, a aves infectadas.

Quando ocorrem, podem provocar manifestações leves, como conjuntivite.

O governo orienta que produtores respeitem os protocolos de biossegurança e comuniquem imediatamente qualquer suspeita às autoridades veterinárias.

FOCO PODE AFETAR EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS?

O episódio também gera atenção no setor de comércio internacional.

Santa Catarina está entre os principais polos da avicultura brasileira e possui estabelecimentos voltados ao abastecimento do mercado interno e às exportações.

A confirmação de uma doença de notificação internacional pode levar países importadores a estabelecer restrições temporárias, dependendo dos acordos sanitários firmados com o Brasil.

O Ministério da Agricultura informou que notificaria a Organização Mundial de Saúde Animal e os parceiros comerciais sobre a ocorrência.

O governo brasileiro trabalha para que eventuais restrições considerem a localização do foco, evitando impactos desnecessários sobre regiões não afetadas.

Isso significa que a existência de uma granja infectada não determina automaticamente a suspensão de todas as exportações brasileiras de carne de aves.

AUTORIDADES ACOMPANHAM EVOLUÇÃO DO CASO

O Ministério da Agricultura e o governo de Santa Catarina trabalham em conjunto para conter a ocorrência e acompanhar as propriedades próximas.

Em coletiva realizada em Brasília, o ministro André de Paula destacou que a identificação aconteceu durante ações de vigilância sanitária, antes do registro de sintomas clínicos nas aves.

As autoridades deverão continuar divulgando informações sobre as medidas de contenção, os resultados das investigações e a situação sanitária da região.

Para o consumidor, a principal orientação permanece a mesma: adquirir produtos de origem animal de estabelecimentos regularizados e submetidos à inspeção oficial.

O caso segue sob monitoramento, com prioridade para impedir a circulação do vírus e proteger a produção avícola catarinense.