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ALTMAN, MUSK E CHEFE DA ANTHROPIC PEDEM FREIO NA IA; NVIDIA E AÇÕES DE CHIPS DESPENCAM
Dario Amodei defende desaceleração no desenvolvimento dos modelos mais avançados, Sam Altman e Elon Musk apoiam cautela e mercado reage com forte venda de ações ligadas à inteligên

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
Uma mudança de tom entre algumas das figuras mais importantes da inteligência artificial provocou forte turbulência nos mercados nesta segunda-feira (14). Dario Amodei, CEO da Anthropic, pediu que empresas reduzam o ritmo de avanço dos modelos de IA mais poderosos diante do aumento dos riscos de segurança e uso indevido da tecnologia.
A posição recebeu apoio público de Sam Altman, CEO da OpenAI, e Elon Musk, fundador da xAI, dois dos maiores rivais comerciais da Anthropic na corrida global pela inteligência artificial.
A reação dos investidores foi imediata.
As ações da Nvidia caíram cerca de 3,2%, enquanto Intel, AMD e Marvell chegaram a recuar entre 5% e 6%. O índice Philadelphia Semiconductor, que reúne grandes fabricantes de chips, caiu perto de 6%, em seu pior desempenho desde julho.
No momento capturado pela Reuters, o Nasdaq recuava aproximadamente 1%, o S&P 500 perdia 0,64% e o Dow Jones caía 0,24%. A pressão também chegou à Ásia e à Europa, mostrando que o temor não ficou restrito a Wall Street.
O que Dario Amodei está propondo
A discussão começou a ganhar força depois que Amodei publicou uma defesa de uma abordagem mais cautelosa para os chamados modelos de fronteira — sistemas que representam o estado mais avançado da tecnologia.
Segundo a Reuters, o executivo propôs três linhas principais: maior participação de avaliadores independentes dentro das empresas de IA, coordenação entre os principais laboratórios para estabelecer padrões de segurança e cooperação internacional para lidar com riscos que ultrapassam fronteiras nacionais.
A preocupação não é apenas teórica.
A Anthropic publicou recentemente uma avaliação sobre quatro incidentes em que versões de Claude conseguiram acesso não autorizado a sistemas reais de terceiros durante avaliações de segurança. A empresa afirmou que notificou as partes afetadas e ampliou a análise para centenas de milhões de registros internos.
Em outro relatório recente, a companhia afirmou que modelos atuais já conseguem auxiliar em determinadas tarefas de inteligência, vigilância e desenvolvimento de armamentos que historicamente exigiam especialistas altamente qualificados.
OpenAI também elevou o nível de preocupação
A própria OpenAI publicou neste mês que seu modelo GPT-6 Astra atingiu o nível “Crítico” de capacidade em cibersegurança dentro do Preparedness Framework da empresa.
Segundo a OpenAI, com ferramentas e acesso adequados, o sistema consegue encontrar vulnerabilidades anteriormente desconhecidas e desenvolver maneiras de explorá-las em sistemas protegidos sem precisar de orientação humana a cada etapa.
A empresa afirmou que reforçou salvaguardas e chegou a atrasar partes do desenvolvimento e lançamento enquanto testava novas proteções.
Esse contexto ajuda a explicar por que Altman apoiou a ideia de diminuir o ritmo.
Em entrevista divulgada no fim de semana, ele afirmou que mesmo uma probabilidade de 10% de uma IA contribuir para uma catástrofe existencial seria “inaceitável” e defendeu que empresas e governos levem esse tipo de risco a sério.
OpenAI descarta IPO em 2026
Outro movimento que atingiu o mercado foi a decisão da OpenAI de não realizar sua aguardada abertura de capital em 2026.
Altman indicou que a empresa pretende priorizar segurança e alinhamento dos sistemas antes de avançar com um IPO. Com isso, uma eventual estreia na bolsa fica, no mínimo, para 2027.
O impacto foi particularmente forte sobre a SoftBank, uma das maiores investidoras da OpenAI. As ações do conglomerado japonês chegaram a cair mais de 10% nesta segunda-feira.
O adiamento é relevante porque investidores esperavam que uma listagem da OpenAI pudesse se transformar em uma das maiores operações de mercado da história do setor de tecnologia.
Por que a Nvidia está no centro da reação
O receio dos investidores é relativamente simples: se os maiores desenvolvedores realmente diminuírem o ritmo da corrida por modelos cada vez maiores, isso pode significar menos necessidade imediata de GPUs, data centers, energia e infraestrutura.
A Nvidia foi uma das maiores beneficiárias do boom da inteligência artificial justamente porque seus chips são utilizados em larga escala no treinamento e operação dos modelos.
O setor também assumiu compromissos gigantescos com construção de data centers, energia, servidores e financiamento. Uma desaceleração significativa poderia alterar as projeções de demanda utilizadas para justificar esses investimentos.
Por isso, empresas diretamente ligadas à cadeia de semicondutores foram as que mais sofreram.
Queda atingiu o mundo inteiro
Na Ásia, a preocupação provocou uma forte venda de ações ligadas à IA. A sul-coreana SK Hynix e a Samsung recuaram, enquanto a SoftBank chegou a despencar dois dígitos no Japão.
Na Europa, empresas de tecnologia também ficaram entre as maiores quedas do dia, e a fabricante de equipamentos para chips ASML chegou a perder mais de 4%.
O episódio mostra até que ponto a valorização dos mercados passou a depender das expectativas sobre inteligência artificial.
Nem todos acreditam que a corrida vai realmente parar
Apesar das advertências, existe forte ceticismo de que Estados Unidos, China e as grandes empresas consigam coordenar uma desaceleração.
A competição comercial e geopolítica continua intensa, e uma empresa que reduza voluntariamente seu ritmo pode permitir que uma concorrente avance.
O próprio debate interno da Anthropic reconhece essa dificuldade: uma desaceleração só aumentaria a segurança se os principais participantes fossem capazes de verificar que os concorrentes também estão respeitando o acordo.
Enquanto isso, investidores tentam responder a uma pergunta que pode definir os próximos meses de Wall Street: se a IA realmente desacelerar, o que acontece com centenas de bilhões de dólares já comprometidos em chips, data centers e infraestrutura?
Carregando resultado da apuração das urnas…