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ANDRÉ MENDONÇA AUTORIZA PF A INVESTIGAR REPASSES PARA FILME SOBRE JAIR BOLSONARO
A decisão foi tomada após a Procuradoria-Geral da República se manifestar favoravelmente à investigação. Com a autorização, a PF poderá aprofundar a análise sobre a origem, o camin

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para apurar o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão foi tomada após a Procuradoria-Geral da República se manifestar favoravelmente à investigação. Com a autorização, a PF poderá aprofundar a análise sobre a origem, o caminho e a destinação dos recursos que teriam sido negociados para viabilizar a produção. O procedimento tramita sob sigilo no STF.
A apuração tem origem em uma notícia-crime apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro, depois da divulgação de mensagens e áudios que relacionaram o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, às tratativas financeiras envolvendo o longa-metragem.
O QUE A POLÍCIA FEDERAL DEVERÁ INVESTIGAR
O inquérito deverá buscar esclarecer quem efetivamente financiou a produção, quais empresas e fundos participaram das operações, quanto dinheiro foi transferido e se os recursos chegaram ao destino declarado.
Também será apurado se parte dos valores destinados ao filme pode ter sido desviada para outras finalidades. Essa é, por enquanto, uma hipótese investigativa e não uma irregularidade comprovada. A abertura do inquérito não significa que os envolvidos tenham sido considerados culpados.
Documentos e conversas divulgados pelo Intercept Brasil indicam que Daniel Vorcaro teria se comprometido a aportar US$ 24 milhões, valor que correspondia, à época das negociações, a aproximadamente R$ 134 milhões.
Segundo a reportagem, registros financeiros apontariam que pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões conforme as cotações dos períodos das transferências, teriam sido enviados entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. A publicação afirma que não encontrou evidências de que todos os pagamentos inicialmente previstos tenham sido realizados.
A autenticidade de parte das mensagens apreendidas foi confirmada à Reuters por uma fonte ligada à investigação da Polícia Federal.
FLÁVIO BOLSONARO APARECE NAS TRATATIVAS
De acordo com o material divulgado, Flávio Bolsonaro teria participado diretamente da busca por investidores e das cobranças para a liberação dos pagamentos.
As conversas abrangeriam o período entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. Nos registros, o senador e Vorcaro aparecem tratando do andamento das parcelas, de dificuldades para efetuar remessas e de encontros relacionados ao projeto.
Após a divulgação do caso, Flávio confirmou que buscou apoio privado para a realização do filme, mas negou qualquer irregularidade. Segundo ele, tratava-se de um filho procurando patrocinadores para uma obra privada sobre a história do próprio pai, sem uso de recursos públicos ou oferta de benefícios em troca.
O senador também afirmou que Vorcaro deixou de cumprir parcelas previstas e que, diante disso, outros investidores foram procurados.
Antes da divulgação das mensagens, Flávio havia negado ligação com o banqueiro. Posteriormente, reconheceu que houve reunião e tratativas relacionadas ao longa, mas sustentou que o contato ocorreu antes de se tornarem públicas as suspeitas envolvendo o Banco Master.
PRODUTORA NEGA TER RECEBIDO DINHEIRO DE VORCARO
A GoUp Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”, declarou que o filme contou com mais de dez investidores, mas negou ter recebido recursos diretamente de Daniel Vorcaro ou de empresas pertencentes ao banqueiro.
A produtora reconheceu que Flávio Bolsonaro manteve contatos com possíveis financiadores privados, mas não informou publicamente todos os nomes envolvidos nem o orçamento total da produção.
A investigação deverá confrontar essas declarações com comprovantes bancários, contratos, planilhas de desembolso e eventuais remessas realizadas para empresas ou fundos no exterior.
Segundo o Intercept, parte dos valores teria passado pela Entre Investimentos e Participações antes de chegar ao fundo Havengate Development Fund, registrado no Texas, nos Estados Unidos. A eventual relação dessas estruturas com o financiamento deverá ser examinada pela PF.
CASO TAMBÉM ENVOLVE SUSPEITAS SOBRE EMENDAS PARLAMENTARES
A investigação autorizada por André Mendonça não é a única apuração envolvendo o filme.
Outra frente, sob responsabilidade do ministro Flávio Dino, analisa possíveis irregularidades no uso de emendas parlamentares relacionadas a entidades ligadas à produtora. A Polícia Federal já havia aberto um inquérito para investigar a destinação desses recursos.
A apuração envolve R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, entidade comandada por Karina da Gama, que também é proprietária da GoUp Entertainment.
O deputado Mário Frias, roteirista do filme e ex-secretário especial da Cultura, negou que os recursos das emendas tenham sido empregados na produção. Segundo ele, o dinheiro teve finalidade social. A Controladoria-Geral da União também iniciou uma auditoria sobre o caso.
Assim, existem duas linhas distintas: uma voltada aos possíveis aportes privados associados a Vorcaro, sob relatoria de Mendonça, e outra relacionada às emendas parlamentares, inicialmente conduzida por Dino.
POR QUE O CASO FICOU COM ANDRÉ MENDONÇA
A definição da relatoria passou por uma disputa interna no Supremo.
A área técnica do STF entendeu que André Mendonça deveria ficar responsável pela notícia-crime porque ele já relatava procedimentos ligados às relações de Daniel Vorcaro e ao caso Banco Master. A Procuradoria-Geral da República também defendeu essa conexão.
Lindbergh Farias recorreu contra a redistribuição. O deputado argumentou que não havia demonstração suficiente de que a apuração do filme estivesse diretamente conectada aos demais procedimentos sob responsabilidade de Mendonça.
Com a decisão mais recente, porém, Mendonça autorizou formalmente o avanço da investigação da Polícia Federal.
O QUE É “DARK HORSE”
“Dark Horse”, expressão que pode ser traduzida como “azarão”, retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, com foco na campanha presidencial de 2018 e no atentado a faca sofrido por ele em Juiz de Fora.
O ex-presidente é interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido pelo filme “A Paixão de Cristo”. A direção é de Cyrus Nowrasteh, e o roteiro foi escrito por Mário Frias.
A produção foi gravada em inglês e pretende alcançar o mercado internacional. A estreia estava prevista para setembro de 2026, poucas semanas antes das eleições brasileiras.
O orçamento oficial não foi divulgado. Flávio Bolsonaro estimou que o custo poderia estar próximo de US$ 16 milhões. Já o compromisso financeiro de US$ 24 milhões atribuído a Vorcaro colocaria a obra entre as produções brasileiras mais caras já realizadas, caso todo o valor tivesse sido efetivamente aplicado.
O QUE ACONTECE AGORA
Com o inquérito aberto, a Polícia Federal poderá analisar documentos, ouvir envolvidos, rastrear movimentações financeiras e solicitar ao STF medidas adicionais, como quebras de sigilo ou buscas, desde que apresente justificativas e receba autorização judicial.
Ao final das diligências, a PF deverá encaminhar suas conclusões à Procuradoria-Geral da República. Caberá à PGR decidir se solicita novas investigações, apresenta denúncia, pede o arquivamento ou adota outra medida.
Até o momento, não há condenação nem comprovação de crime relacionada ao financiamento de “Dark Horse”. O que existe é uma investigação destinada a verificar se os aportes foram regulares, se tiveram origem lícita e se foram empregados exclusivamente na produção cinematográfica.
Carregando resultado da apuração das urnas…