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ANVISA RECOLHE LOTES DA MAMBA WATER APÓS DETECTAR A MESMA BACTÉRIA ENCONTRADA EM PRODUTOS YPÊ

Medida atinge exclusivamente as latas de 350 ml dos lotes 13 e 14 da água mineral sem gás. Fabricante afirma que 82% das unidades já foram bloqueadas e que não há registro de consu

ANVISA RECOLHE LOTES DA MAMBA WATER APÓS DETECTAR A MESMA BACTÉRIA ENCONTRADA EM PRODUTOS YPÊ
Imagem: reprodução / Redes Sociais

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou o recolhimento de dois lotes da água mineral sem gás Mamba Water após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em análises de controle de qualidade realizadas pela própria fabricante.

A decisão, publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (16), também suspende a comercialização, a distribuição e o consumo das unidades atingidas. A medida consta na Resolução-RE nº 2.783 e tem caráter preventivo.

O recolhimento vale somente para a Mamba Water sem gás, em latas de 350 ml, nos seguintes lotes:

  • Lote 13: fabricado em 3 de abril de 2026, com validade até 3 de abril de 2027;

  • Lote 14: fabricado em 4 de abril de 2026, com validade até 4 de abril de 2027.

Outros lotes, a versão com gás e os demais produtos da marca não aparecem na restrição publicada pela Anvisa.

Problema foi identificado pela própria fabricante

A contaminação foi encontrada em testes de rotina conduzidos pela empresa responsável pelo produto, a HNK BR Indústria de Bebidas Ltda., ligada ao Grupo Heineken no Brasil. Após receber os resultados, a companhia comunicou voluntariamente o problema à Anvisa e iniciou o processo de retirada das unidades.

Em nota, a empresa classificou a ocorrência como pontual e restrita aos dois lotes, envasados pelo parceiro industrial Bebidas Poty. Segundo a fabricante, aproximadamente 82% do volume envolvido já havia sido bloqueado e estava fora de circulação.

A companhia também afirmou que, até o momento, não há registro de impacto à saúde de consumidores e que acompanha o caso junto ao parceiro responsável pelo envase.

A quantidade total de latas produzidas nos dois lotes e os estados ou municípios para os quais foram distribuídas não foram informados publicamente.

O que é a bactéria encontrada

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria encontrada naturalmente em ambientes úmidos, como água, solo, tubulações, ralos, reservatórios e equipamentos industriais.

Ela é considerada um microrganismo oportunista. Isso significa que o risco tende a ser menor para pessoas saudáveis, mas pode ser mais elevado para pacientes hospitalizados, pessoas imunossuprimidas, transplantados, pacientes oncológicos, indivíduos com fibrose cística, doenças crônicas ou feridas abertas.

Em situações de maior vulnerabilidade, a bactéria pode causar infecções no sangue, nos pulmões, no trato urinário, na pele, nos olhos, nos ouvidos, nos ossos e em outras partes do organismo.

Uma característica que preocupa especialistas é sua capacidade de formar biofilmes, estruturas que permitem que o microrganismo permaneça aderido a superfícies e resista à ação de produtos de limpeza e sanitização. Por isso, sua identificação pode indicar problemas em alguma etapa de captação, armazenamento, higienização, tubulação ou envase.

A legislação sanitária brasileira não permite a presença dessa bactéria em água destinada ao consumo humano. Por esse motivo, mesmo sem registro de pessoas doentes, a identificação do microrganismo exige a interrupção da venda e a retirada dos lotes afetados.

Mesma bactéria apareceu em produtos da Ypê e na água Crystal

Este é o terceiro episódio recente envolvendo a detecção de Pseudomonas aeruginosa em produtos comercializados no Brasil.

Em maio, a Anvisa determinou a retirada de produtos da Ypê, incluindo detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes fabricados na unidade de Amparo, em São Paulo. A medida atingiu lotes com numeração final 1 e foi acompanhada da suspensão da fabricação na unidade após a identificação de falhas consideradas graves.

Mais tarde, a mesma espécie bacteriana também foi encontrada em um lote da água mineral Crystal, o que provocou o recolhimento de centenas de milhares de garrafas de 500 ml.

A coincidência do microrganismo não significa que os três episódios tenham a mesma origem ou que exista relação entre as empresas. A bactéria pode aparecer em diferentes ambientes úmidos e linhas de produção, e cada caso é investigado separadamente.

O que o consumidor deve fazer

Quem tiver uma lata da Mamba Water sem gás em casa deve verificar, na embalagem, o número do lote e as datas de fabricação e validade.

Caso o produto pertença aos lotes 13 ou 14:

  • não consuma a água;

  • mantenha a embalagem separada;

  • procure o estabelecimento onde realizou a compra ou entre em contato com a fabricante para receber orientações sobre troca, devolução ou descarte.

O site oficial da Mamba Water informa o endereço eletrônico atendimento_mamba@betterdrinks.com como canal de atendimento, disponível de segunda a sexta-feira, das 11h às 17h.

Quem já tiver consumido o produto não precisa entrar em pânico. Entretanto, pessoas que apresentarem febre, mal-estar persistente ou sintomas incomuns devem procurar atendimento médico e informar o lote consumido, especialmente quando houver imunidade reduzida ou alguma condição de saúde preexistente.

Por que o recolhimento é chamado de voluntário

A expressão “recolhimento voluntário” significa que a própria fabricante identificou a irregularidade, comunicou o problema e iniciou a retirada do produto.

Isso não torna a medida opcional para o comércio ou para os consumidores. Depois da publicação da resolução, a suspensão da venda, da distribuição e do uso passa a ser uma determinação sanitária da Anvisa.

Estabelecimentos que ainda possuírem unidades dos lotes afetados devem retirá-las imediatamente das prateleiras e colaborar com o processo de recolhimento.

Investigação deverá identificar a origem da contaminação

A partir de agora, a empresa e os órgãos sanitários deverão apurar em qual etapa do processo ocorreu a contaminação.

A análise pode envolver a fonte da água, os reservatórios, a higienização das máquinas, as tubulações, as superfícies da linha de produção, as latas utilizadas e o processo de envase.

Também será necessário verificar se as medidas corretivas adotadas são suficientes para impedir que o problema volte a ocorrer.

Até o momento, a restrição permanece limitada aos dois lotes identificados. Não há determinação para recolher toda a linha da Mamba Water.

16 de jul. de 2026 · Redação Scarpa360