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APÓS AÇÃO DO MPDFT, VIRGINIA FONSECA ANUNCIA FIM DE CONTRATO COM A BLAZE

Influenciadora encerrou parceria comercial com plataforma de apostas enquanto ela e a empresa são alvo de ação civil pública que questiona práticas de publicidade e pede indenizaçã

APÓS AÇÃO DO MPDFT, VIRGINIA FONSECA ANUNCIA FIM DE CONTRATO COM A BLAZE
Imagem: Reprodução / Instagram

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

Virginia Fonseca anunciou nesta sexta-feira (21) o encerramento de sua parceria comercial com a plataforma de apostas Blaze. A decisão foi comunicada pela VF Digital, agência ligada à influenciadora, em meio a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra Virginia e a empresa.

Em nota, a VF Digital informou que a relação comercial foi encerrada de maneira regular e respeitando as condições previstas no contrato. O comunicado não informou o motivo específico da decisão nem atribuiu diretamente o fim da parceria ao processo judicial.

O encerramento ocorre pouco mais de um mês depois de o MPDFT ajuizar, em 8 de julho, uma ação civil pública contra a Blaze, operada no Brasil pela Foggo Entertainment Ltda., e Virginia Fonseca. Na petição inicial, o Ministério Público pediu a condenação solidária dos réus ao pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos.

Segundo o MPDFT, a ação busca responsabilizar os envolvidos por supostas práticas abusivas relacionadas à divulgação de apostas. O órgão sustenta que determinadas estratégias publicitárias poderiam transmitir ao consumidor a impressão de ganhos fáceis ou garantidos, reduzir a percepção dos riscos envolvidos no jogo e alcançar pessoas consideradas vulneráveis.

Virginia foi incluída no processo em razão de sua atuação como uma das principais influenciadoras associadas à marca. O Ministério Público citou, entre outros episódios, uma publicação feita pela influenciadora durante a Copa do Mundo de 2026, quando ela divulgou em seus stories uma aposta na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina. Para o MPDFT, o conteúdo não apresentava de maneira suficientemente clara que se tratava de publicidade.

O processo também aponta que o modelo de remuneração da influenciadora poderia incluir comissão vinculada ao desempenho dos apostadores captados por meio de sua divulgação. Documento citado pela CNN Brasil afirma que Virginia poderia receber uma participação de 30% sobre determinadas perdas dos usuários direcionados por sua publicidade. A Blaze contestou essa interpretação e afirmou que suas parcerias seguem a legislação brasileira.

Em julho, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios concedeu parcialmente um recurso apresentado pelo MPDFT e estabeleceu novas regras para a publicidade realizada pela plataforma e pela influenciadora.

A decisão proibiu anúncios que prometam ou sugiram lucro certo, apresentem apostas como alternativa de renda, investimento, substituição ao emprego ou solução para dificuldades financeiras. Também determinou que toda publicidade de Virginia relacionada às apostas seja identificada de maneira clara, inclusive em stories, reels e outros conteúdos publicados em suas redes sociais.

A Justiça estabeleceu ainda que conteúdos que contrariassem as determinações fossem retirados do ar em até 48 horas. O descumprimento pode resultar em multas que variam de R$ 100 mil a R$ 2 milhões por infração.

Posteriormente, o MPDFT ampliou os pedidos relacionados à plataforma. Após ter acesso a um balancete que apontou faturamento de aproximadamente R$ 1,9 bilhão da Blaze em 2025, o Ministério Público pediu que a indenização por dano moral coletivo contra a empresa seja fixada em R$ 380 milhões, equivalente a 20% daquele faturamento bruto.

O órgão também passou a pedir que a plataforma devolva integralmente valores perdidos por apostadores que apresentem diagnóstico profissional de ludopatia, condição caracterizada pela compulsão por jogos e apostas.

O MPDFT afirma que a ação não se limita a Virginia e que outros divulgadores poderão ser responsabilizados caso sejam identificadas práticas consideradas irregulares.

A Blaze afirma atuar de acordo com a legislação e as regulamentações brasileiras. Em manifestações anteriores, a empresa também negou irregularidades envolvendo cláusulas contratuais e disse não comentar detalhes comerciais de seus contratos com influenciadores.

A defesa de Virginia, por sua vez, já afirmou que pretende se manifestar no processo e sustenta que existem informações que ainda precisam ser esclarecidas sobre sua atuação e a forma de remuneração estabelecida no contrato.

Com o anúncio desta sexta-feira, Virginia deixa de ser parceira comercial da Blaze enquanto a ação civil pública continua em tramitação na Justiça do Distrito Federal.

22 de ago. de 2026 · Redação Scarpa360