SCARPA360A visão completa da notíciaPORTAL · RÁDIO · TV
A visão completa
da notícia
Ciência

ASTRÔNOMOS DESCOBREM PRIMEIRA ESTRELA VERDE JÁ IDENTIFICADA NO UNIVERSO

Astrônomos identificaram pela primeira vez uma estrela com coloração verde, um fenômeno considerado extraordinário pela comunidade científica.

ASTRÔNOMOS DESCOBREM PRIMEIRA ESTRELA VERDE JÁ IDENTIFICADA NO UNIVERSO

Astrônomos identificaram pela primeira vez uma estrela com coloração verde, um fenômeno considerado extraordinário pela comunidade científica. O astro, denominado WD J1330+6435, está localizado a aproximadamente 280 anos-luz da Terra, na constelação de Dragão, e apresenta uma tonalidade verde-amarelada que desafia a compreensão tradicional sobre as cores das estrelas.

A descoberta foi anunciada em outubro de 2026 por pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e integra um estudo publicado na revista científica RAS Techniques and Instruments.

A estrela pertence à categoria das anãs brancas, objetos extremamente densos que representam uma das etapas finais da evolução de estrelas semelhantes ao Sol.

O aspecto mais surpreendente é que sua coloração não é resultado apenas da temperatura, como acontece normalmente com outras estrelas, mas de mudanças químicas provocadas pela absorção de fragmentos de antigos planetas.

POR QUE A ESTRELA TEM A COR VERDE?

A maioria das estrelas apresenta cores relacionadas à temperatura de sua superfície.

As mais frias tendem a apresentar tons avermelhados ou alaranjados, enquanto estrelas mais quentes podem parecer brancas ou azuladas.

A WD J1330+6435, entretanto, apresenta características diferentes.

Segundo os pesquisadores, o astro absorveu materiais rochosos provenientes de corpos planetários que anteriormente orbitavam ao seu redor.

Esses fragmentos enriqueceram sua atmosfera com elementos químicos como cálcio, lítio e sódio.

O sódio desempenha um papel fundamental no fenômeno.

Devido à densidade extrema da atmosfera da anã branca, os átomos de sódio interagem intensamente com o hélio presente no ambiente estelar.

Essa interação modifica a maneira como o sódio absorve determinados comprimentos de onda da luz, reduzindo principalmente componentes amarelos, alaranjados e parte dos vermelhos.

O resultado é uma distribuição de cores que faria a estrela apresentar aos olhos humanos um brilho incomum, semelhante ao verde-amarelado.

ESTRELA VERDE É O RESTO DE UM ASTRO QUE MORREU

A estrela identificada não está na mesma fase de evolução do Sol.

Ela é uma anã branca, o núcleo remanescente de uma estrela que esgotou seu combustível nuclear e perdeu suas camadas externas.

Embora possam ter dimensões semelhantes às da Terra, as anãs brancas concentram enormes quantidades de massa em um espaço relativamente pequeno.

Essa característica produz condições físicas extremas, capazes de modificar o comportamento dos elementos químicos presentes em suas atmosferas.

No caso da WD J1330+6435, a combinação entre elevada densidade atmosférica e materiais provenientes de antigos planetas foi determinante para produzir a coloração incomum.

COMO OS CIENTISTAS IDENTIFICARAM A ESTRELA?

A descoberta ocorreu durante uma pesquisa dedicada a compreender como diferentes anãs brancas seriam percebidas pela visão humana.

Os cientistas analisaram dados de observações astronômicas, incluindo informações do Sloan Digital Sky Survey, e utilizaram modelos computacionais para estudar a composição da luz emitida por esses objetos.

Ao investigar a WD J1330+6435, a equipe identificou características químicas que alteravam significativamente seu espectro luminoso.

A partir dessas informações, foi possível calcular que a estrela apresentaria uma tonalidade verde-amarelada para um observador que estivesse suficientemente próximo.

Isso não significa que o astro tenha sido fotografado como uma grande esfera verde. A cor foi determinada por análises científicas da luz, e as imagens divulgadas são representações artísticas.

PESQUISA TAMBÉM REVELOU ESTRELAS COM OUTRAS CORES INCOMUNS

Além da estrela verde, o estudo identificou anãs brancas com características que podem produzir tonalidades pouco comuns, incluindo rosa, roxo e outras variações.

Em determinados casos, essas diferenças estão relacionadas à presença de carbono e outros elementos químicos nas atmosferas estelares.

Os resultados demonstram que as cores desses objetos são mais complexas do que se acreditava anteriormente.

A composição química, a densidade e a interação entre os elementos podem transformar significativamente a aparência da luz que chega ao observador.

DESCOBERTA AJUDA A ENTENDER O DESTINO DE SISTEMAS PLANETÁRIOS

O estudo também oferece informações importantes sobre o destino de planetas após o envelhecimento de suas estrelas.

Quando uma estrela semelhante ao Sol chega às etapas finais de sua evolução, ela pode alterar profundamente a estrutura do sistema planetário ao seu redor.

Parte dos planetas e outros corpos celestes pode ser destruída, enquanto fragmentos rochosos acabam sendo atraídos pelo remanescente estelar.

Ao analisar os elementos químicos presentes na atmosfera de uma anã branca, os cientistas conseguem identificar pistas sobre a composição desses materiais.

No caso da estrela verde, os restos planetários absorvidos foram responsáveis por criar as condições necessárias para seu brilho incomum.

A descoberta amplia o conhecimento sobre a evolução das estrelas e mostra que até mesmo os remanescentes de astros que já encerraram sua fase principal de atividade ainda podem surpreender os pesquisadores.