Mais notícias
NO SCARPA360Notícias e peças publicitárias consultadas no Scarpa360 em 06/09/2026. Distribuição demonstrativa para avaliação visual; a programação de rádio e TV é ilustrativa.
BASHAR AL-ASSAD É CONDENADO À MORTE NA SÍRIA POR CRIMES CONTRA A HUMANIDADE
EX-PRESIDENTE FOI JULGADO À REVELIA POR ASSASSINATOS, TORTURA E PRISÕES ARBITRÁRIAS; IRMÃO MAHER AL-ASSAD E OUTROS INTEGRANTES DO ANTIGO REGIME TAMBÉM RECEBERAM SENTENÇAS DE MORTE.

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
Um tribunal da Síria condenou nesta terça-feira (11) o ex-presidente Bashar al-Assad à pena de morte, após considerá-lo culpado por crimes cometidos durante a guerra civil que devastou o país por quase 14 anos. O julgamento ocorreu à revelia, já que Assad está fora do território sírio e vive atualmente na Rússia.
A decisão foi anunciada pela Quarta Corte Criminal de Damasco e representa a primeira condenação judicial de Bashar al-Assad na Síria desde que seu governo foi derrubado, em dezembro de 2024.
Segundo o tribunal, Assad foi condenado por assassinato premeditado, tortura, prisões arbitrárias e crimes contra a humanidade. O juiz Fakhr al-Din al-Aryan afirmou que o ex-presidente foi responsabilizado também por ocupar a posição de maior autoridade do Estado e pelo papel atribuído a ele na direção das instituições envolvidas nas violações.
IRMÃO DE ASSAD TAMBÉM É CONDENADO
O tribunal também condenou à morte Maher al-Assad, irmão mais novo do ex-presidente e antigo comandante da poderosa 4ª Divisão Blindada do Exército sírio. Ele também foi julgado à revelia e está foragido.
Maher foi uma das figuras centrais do aparato militar durante o regime. A 4ª Divisão foi repetidamente acusada por opositores e organizações de direitos humanos de participar da repressão a manifestações e de violações ocorridas durante o conflito.
Outro condenado à morte foi Atef Najib, primo de Bashar al-Assad e antigo chefe da Segurança Política na província de Daraa. Diferentemente dos irmãos Assad, Najib foi preso e participou presencialmente do julgamento.
Outros ex-integrantes do regime que permanecem foragidos também receberam sentenças de morte, segundo a agência estatal síria SANA.
CASO REMONTA AO INÍCIO DA REVOLTA DE 2011
A presença de Atef Najib no processo ajuda a explicar por que o julgamento tem forte peso simbólico na Síria.
Em 2011, Najib comandava a segurança política em Daraa quando mais de uma dezena de adolescentes foram presos após escreverem mensagens contra o governo em um muro de escola. Eles foram submetidos a tortura, segundo relatos documentados posteriormente.
O episódio provocou indignação e manifestações. A repressão às mobilizações ajudou a desencadear protestos em diferentes regiões do país, em meio à chamada Primavera Árabe.
As forças de segurança responderam às manifestações com violência. Investigações da Human Rights Watch documentaram assassinatos de manifestantes, prisões arbitrárias e tortura sistemática já nos primeiros meses de 2011.
O confronto acabou se transformando em uma guerra civil envolvendo o governo, grupos rebeldes, organizações extremistas e forças estrangeiras.
GUERRA DEIXOU CERCA DE MEIO MILHÃO DE MORTOS
A Associated Press estima que o conflito sírio tenha provocado cerca de 500 mil mortes ao longo de aproximadamente 14 anos, além de milhões de deslocados e refugiados.
Organizações internacionais também documentaram durante anos um sistema de prisões e centros de detenção onde opositores e suspeitos de ligação com a oposição eram submetidos a tortura.
A Human Rights Watch analisou as chamadas “fotos de César”, milhares de imagens retiradas clandestinamente da Síria que mostravam corpos de pessoas que morreram sob custódia do governo. A organização afirmou que as evidências apontavam para mortes em massa e tortura em centros de detenção.
A Anistia Internacional também documentou por anos práticas de tortura e desaparecimentos forçados durante o governo Assad.
ASSAD PERDEU O PODER EM 2024
Bashar al-Assad governou a Síria desde 2000, quando sucedeu o pai, Hafez al-Assad. Somadas, as administrações de pai e filho mantiveram a família Assad no comando do país durante mais de cinco décadas.
O regime entrou em colapso em dezembro de 2024, depois que uma ofensiva rebelde avançou rapidamente pelo território sírio e chegou a Damasco em menos de duas semanas.
Assad deixou a capital antes da tomada da cidade e fugiu para a Rússia, onde ele e sua família receberam asilo. Seu irmão Maher também deixou o país.
CONDENAÇÃO NÃO SIGNIFICA EXECUÇÃO IMEDIATA
Apesar da sentença, Bashar al-Assad não está sob custódia da Justiça síria.
As novas autoridades de Damasco já pediram à Rússia a entrega dos irmãos Assad, mas Moscou os mantém sob sua proteção.
Por isso, a condenação possui, neste momento, forte efeito jurídico e simbólico, mas não pode ser executada enquanto o ex-presidente permanecer fora do alcance das autoridades sírias.
Especialistas também apontam uma consequência delicada. O advogado e ativista sírio Anwar al-Bunni afirmou à Reuters que a aplicação da pena de morte pode tornar ainda mais difícil uma eventual extradição, porque países podem se recusar a entregar acusados quando existe risco de execução. Ele classificou a decisão como problemática para um processo de justiça de transição.
PRIMEIRA CONDENAÇÃO CONTRA ASSAD NA SÍRIA
A sentença marca uma mudança histórica.
Durante décadas, Bashar al-Assad permaneceu no comando das instituições que agora o responsabilizam judicialmente. A nova administração síria apresenta processos contra antigos integrantes do regime como parte de um esforço de justiça de transição e responsabilização por violações cometidas no passado.
Ao mesmo tempo, organizações de direitos humanos defendem que esses julgamentos respeitem o devido processo legal e criticam a utilização da pena de morte como instrumento de justiça. A Anistia Internacional, por exemplo, defende a abolição da pena capital na Síria.
Bashar al-Assad ainda enfrenta problemas judiciais fora da Síria. Há também um mandado de prisão emitido na França relacionado ao bombardeio de um centro de imprensa em Homs, em 2012.
A condenação desta terça-feira adiciona, portanto, um novo e histórico capítulo à tentativa da Síria de responsabilizar integrantes do antigo regime pelas violações cometidas durante um dos conflitos mais violentos deste século.
Carregando resultado da apuração das urnas…