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BRASIL MAIS QUE DOBRA ASSASSINATOS DE DEFENSORES AMBIENTAIS E CHEGA A 26 MORTES EM 2025

Relatório da Global Witness coloca o país na segunda posição mundial em número de assassinatos documentados; conflitos por terra aparecem entre os principais contextos associados a

BRASIL MAIS QUE DOBRA ASSASSINATOS DE DEFENSORES AMBIENTAIS E CHEGA A 26 MORTES EM 2025
Foto: Felipe Milanez

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O Brasil registrou 26 assassinatos de defensores da terra e do meio ambiente em 2025, mais que o dobro das 12 mortes documentadas no ano anterior. Os dados fazem parte do novo relatório anual da organização internacional Global Witness, divulgado nesta semana.

Com esse número, o país ficou atrás apenas da Colômbia, que registrou 39 assassinatos e permaneceu pelo quarto ano consecutivo como o país com maior número de mortes documentadas de defensores ambientais. Juntos, Brasil e Colômbia concentraram 52% de todos os assassinatos registrados mundialmente em 2025.

CONFLITOS POR TERRA ESTÃO ENTRE OS PRINCIPAIS FATORES

No caso brasileiro, grande parte dos episódios está relacionada a disputas territoriais. Segundo o levantamento, 14 das vítimas eram agricultores familiares e sete eram indígenas. Rondônia e Pará concentraram aproximadamente metade das mortes registradas no país.

A Global Witness afirma que conflitos pela posse e uso da terra continuam sendo um dos principais contextos associados à violência contra pessoas que atuam na defesa de territórios, comunidades e recursos naturais.

No cenário mundial, mais da metade dos assassinatos documentados em 2025 esteve relacionada a disputas territoriais. Atividades econômicas também apareceram associadas aos casos: mineração e indústrias extrativas foram vinculadas a 11 mortes, exploração madeireira a oito e agronegócio a seis.

AMÉRICA LATINA CONCENTRA 85% DAS MORTES

Ao todo, a organização documentou 124 assassinatos de defensores da terra e do meio ambiente em 2025. Desse total, 85% ocorreram na América Latina, região que permanece como a mais perigosa do mundo para esse grupo desde que a entidade começou a produzir seus relatórios anuais, em 2012.

Depois de Colômbia e Brasil aparecem Honduras e Filipinas, com 12 mortes cada, México, com dez, e Guatemala, com oito.

A violência atinge de maneira desproporcional populações que dependem diretamente da terra. Mais de três quartos das pessoas assassinadas mundialmente eram indígenas, agricultores de pequena escala ou afrodescendentes. Somente defensores indígenas responderam por 44 dos assassinatos documentados no período.

NÚMERO REAL PODE SER MAIOR

A própria Global Witness ressalta que os números não necessariamente representam todos os casos ocorridos. A organização trabalha com parceiros locais para verificar cada morte antes de incluí-la em seu banco de dados, mas reconhece que episódios em áreas remotas, regiões dominadas pelo crime organizado ou locais com baixa capacidade institucional podem não chegar aos registros públicos.

Desde 2012, a entidade já documentou 2.375 assassinatos ou desaparecimentos prolongados de defensores da terra e do meio ambiente em diferentes partes do mundo.

O relatório também alerta que a violência não se limita aos homicídios. Ameaças, intimidação, criminalização e campanhas de difamação são apontadas como outras formas de pressão contra pessoas e comunidades que atuam na proteção de seus territórios.

18 de set. de 2026 · Redação Scarpa360