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BRASIL PREPARA SISTEMA 170 VEZES MAIOR QUE O PIX PARA COBRAR IMPOSTOS EM TEMPO REAL

Chamado de split payment, novo modelo vai separar automaticamente a parte do imposto no momento da compra e faz parte da reforma tributária do consumo

BRASIL PREPARA SISTEMA 170 VEZES MAIOR QUE O PIX PARA COBRAR IMPOSTOS EM TEMPO REAL

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

O Brasil prepara uma das maiores mudanças tecnológicas já feitas no sistema de arrecadação de impostos. Com a reforma tributária do consumo, o governo trabalha na implementação do chamado split payment, um sistema que vai separar automaticamente, no momento da compra, a parte do valor que corresponde aos tributos e direcioná-la ao poder público.

Na prática, quando uma venda for concluída, o pagamento será “dividido”: uma parte seguirá para o vendedor e outra será recolhida automaticamente como imposto. A lógica é impedir que o tributo fique temporariamente no caixa da empresa, reduzindo inadimplência, erros de cálculo e espaço para sonegação.

Segundo reportagem do BP Money, a plataforma será 170 vezes maior que o Pix em volume e complexidade. A comparação foi feita porque, enquanto o Pix processa dados básicos de uma transferência, como pagador, recebedor e valor, o novo sistema terá que lidar com notas fiscais, produtos, emissores, créditos tributários e regras diferentes para cada operação. A estimativa é de processamento de cerca de 70 bilhões de documentos por ano, com gasto previsto de R$ 2 bilhões neste ano para desenvolvimento da estrutura.

O split payment faz parte da regulamentação da reforma tributária, sancionada na Lei Complementar 214/2025. A nova lei criou as bases do IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, da CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços, e do Imposto Seletivo. Esses tributos substituirão gradualmente impostos atuais como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI.

De acordo com a Câmara dos Deputados, o recolhimento na liquidação financeira permitirá a troca de informações entre contribuintes, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS. Com base nos dados da operação, o valor do tributo devido será debitado automaticamente da venda, e o vendedor ficará com o restante, descontadas taxas e créditos tributários aplicáveis.

A transição será gradual. A Receita Federal informa que 2026 será um ano de teste para CBS e IBS. Em 2027 e 2028, começa a cobrança da CBS e do IBS em alíquotas iniciais reduzidas, além da extinção de PIS e Cofins e da redução a zero do IPI, com exceções ligadas à Zona Franca de Manaus. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS serão substituídos progressivamente pelo IBS. O novo modelo passa a valer integralmente em 2033.

O governo defende que o sistema vai simplificar a rotina dos contribuintes. A ideia é que a complexidade fique concentrada dentro da plataforma pública, e não nas empresas. O Ministério da Fazenda também aposta em ferramentas como emissão mais simples de nota fiscal, cálculo automático dos créditos e integração com bancos, fintechs, operadoras de cartão, Pix, boletos e prestadores de serviços de pagamento.

Apesar da comparação com o Pix, o sistema não é exatamente um “Pix dos impostos”. O Pix é um meio de pagamento instantâneo. Já o split payment é uma engrenagem tributária integrada aos meios de pagamento e às notas fiscais. Ele não cria um novo imposto, mas muda a forma de recolher tributos que já estão previstos na reforma. A Reuters já checou publicações enganosas sobre o tema e destacou que o split payment não cria novos tributos, apenas automatiza o recolhimento de impostos reunidos pela reforma tributária.

Para as empresas, o impacto pode ser grande. O novo modelo deve exigir adaptação de sistemas de venda, emissão de nota, contabilidade, gestão de caixa, contratos e fluxo financeiro. Como parte do dinheiro da venda poderá ser retida automaticamente para pagamento de tributos, negócios precisarão se preparar para uma dinâmica diferente de caixa.

Para o governo, o benefício esperado é aumentar a eficiência da arrecadação, reduzir fraudes, acelerar a devolução de créditos tributários e permitir mais transparência na distribuição de recursos entre União, estados e municípios. Para contribuintes e empresas, a promessa é um sistema mais simples, embora a fase de adaptação deva ser complexa.

O ponto central é que o Brasil está construindo uma infraestrutura fiscal inédita, com escala superior à do Pix e impacto direto sobre praticamente todas as operações de consumo do país. A reforma tributária não muda apenas os nomes dos impostos: ela também muda a forma como o dinheiro será recolhido no momento da compra.

13 de jul. de 2026 · Redação Scarpa360