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BRASKEM PEDE RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL PARA RENEGOCIAR R$ 56 BILHÕES EM DÍVIDAS
Companhia inicia período de 90 dias de proteção e tenta reorganizar estrutura financeira após pressão do desastre em Maceió, alto endividamento e crise no setor petroquímico

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
A Braskem protocolou nesta segunda-feira (24) um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 56 bilhões, em dívidas financeiras.
O pedido foi apresentado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo e envolve a Braskem e cinco empresas do grupo no exterior.
A companhia informou que já conta com o apoio de credores que representam 39,6% dos créditos incluídos na reestruturação, percentual acima do mínimo de um terço exigido para o protocolo do pedido.
Com a medida, começa um período de 90 dias de proteção, durante o qual os credores abrangidos pelo plano ficam impedidos de cobrar judicialmente as dívidas incluídas na reestruturação e de adotar determinadas medidas contra os ativos do grupo.
Nesse intervalo, a Braskem terá de negociar com os demais credores e buscar apoio suficiente para aprovar o plano definitivo. O objetivo é alcançar maioria simples dos créditos sujeitos à recuperação.
O cronograma prevê a apresentação de um plano de negócios atualizado e de uma proposta detalhada aos credores até 31 de agosto. Em 9 de setembro, estão previstas reuniões presenciais com executivos, acionistas e credores. Até 9 de outubro, as partes devem buscar acordo sobre as principais condições comerciais.
O plano poderá envolver alongamento dos prazos de pagamento, capitalização de juros e até conversão de parte da dívida em ações da companhia.
As dívidas operacionais com fornecedores, clientes e prestadores de serviços ficam fora do processo. Por isso, a Braskem afirma que suas operações seguem normalmente.
MACEIÓ E CRISE DO SETOR PESARAM NAS CONTAS
A decisão de recorrer à recuperação extrajudicial é resultado de uma combinação de fatores que pressionaram as finanças da petroquímica nos últimos anos.
Um dos principais foi o desastre geológico em Maceió provocado pela exploração de sal-gema. Mais de 14 mil imóveis foram desocupados e cerca de 60 mil pessoas foram afetadas.
A Braskem afirma já ter desembolsado mais de R$ 4,2 bilhões em indenizações, auxílios e realocação de moradores e comerciantes. A companhia ainda mantém R$ 3,24 bilhões provisionados para despesas futuras relacionadas às medidas de reparação.
Além disso, a empresa sofreu com a piora do mercado petroquímico global, marcada por excesso de oferta, expansão da capacidade industrial chinesa e queda nos preços de produtos petroquímicos.
Em 2025, o EBITDA recorrente da Braskem caiu 49% em relação ao ano anterior, para US$ 557 milhões.
No fim de 2025, a dívida líquida da companhia somava US$ 7,5 bilhões, e a relação entre dívida e geração de caixa chegou a 14,7 vezes, um indicador considerado elevado pelo mercado.
As ações da Braskem também acumularam forte desvalorização desde o início da crise em Maceió.
REESTRUTURAÇÃO TAMBÉM ATINGE OPERAÇÃO NO MÉXICO
A recuperação extrajudicial no Brasil ocorre paralelamente ao processo da Braskem Idesa, subsidiária mexicana que entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos pelo mecanismo conhecido como Chapter 11.
O plano prevê um aporte de US$ 476 milhões da Braskem para manter o controle da subsidiária.
MUDANÇA DE CONTROLE
A situação financeira da empresa também coincidiu com uma mudança importante em sua estrutura acionária.
Neste ano, a antiga controladora Novonor, ex-Odebrecht, vendeu sua participação para o fundo Shine I, ligado à IG4 Capital.
Com isso, a IG4 passou a dividir o controle da Braskem com a Petrobras.
A Petrobras possui cerca de 47% do capital votante e 36,1% do capital total da companhia. Já o fundo ligado à IG4 detém 50,1% das ações com direito a voto.
Criada em 2002, a Braskem é uma das maiores empresas petroquímicas do país e atua em 11 países. A companhia possui 39 unidades industriais e mais de 8 mil funcionários.
Agora, a empresa entra em uma fase decisiva para tentar reorganizar seu passivo e reduzir a pressão financeira sem interromper suas atividades.
Carregando resultado da apuração das urnas…