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CANADÁ PODE SE TORNAR PRIMEIRO “MEMBRO ASSOCIADO” DA UNIÃO EUROPEIA EM PROPOSTA INÉDITA
Ursula von der Leyen abriu caminho para uma nova categoria de parceria com Ottawa; modelo ainda não existe formalmente e detalhes sobre direitos, obrigações e aprovação terão de se

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs nesta quarta-feira (16) que o Canadá se torne o primeiro “membro associado” da União Europeia, em uma iniciativa inédita para aprofundar a relação entre o bloco europeu e o país norte-americano. O anúncio ocorreu durante o discurso anual sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, com a presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney.
A proposta, porém, não significa que o Canadá já tenha entrado na União Europeia. A categoria de “membro associado” não existe atualmente nos tratados do bloco e ainda não possui regras definidas. Segundo a Reuters e a Associated Press, será necessário estabelecer quais seriam os direitos e deveres do Canadá e qual mecanismo jurídico permitiria criar o novo status. A iniciativa também dependerá de negociação política entre os países da UE.
Von der Leyen afirmou que a intenção é elevar a relação entre Canadá e União Europeia ao nível mais amplo possível. A futura parceria deverá envolver áreas como defesa, inteligência artificial, energia, minerais críticos, segurança econômica, tecnologia, cadeias de suprimentos, indústria avançada e cooperação no Ártico.
CANADÁ NÃO BUSCA ADESÃO COMPLETA À UNIÃO EUROPEIA
O governo canadense tem deixado claro que não pretende buscar a adesão tradicional ao bloco. Dias antes do anúncio, Carney afirmou que o país desejava estabelecer uma “aliança única” com a União Europeia, mas sem se tornar um integrante pleno. A estratégia busca ampliar a cooperação internacional e reduzir a forte dependência econômica canadense dos Estados Unidos. Aproximadamente 70% das exportações do Canadá têm o mercado americano como destino.
Uma autoridade canadense ouvida pela AP afirmou que Ottawa também estuda mecanismos que poderiam facilitar a circulação de canadenses na Europa, inclusive possibilidades relacionadas a viver e trabalhar no continente sem os atuais requisitos de visto. Entretanto, esses pontos ainda fazem parte das discussões e não estão aprovados.
PARCERIA ENTRE CANADÁ E UE JÁ VEM SE APROFUNDANDO
Os dois lados já possuem uma relação econômica extensa por meio do CETA, acordo comercial entre Canadá e União Europeia. Além disso, o Canadá se tornou neste ano o primeiro país não europeu a integrar o programa europeu SAFE, de € 150 bilhões, voltado à cooperação e aquisição conjunta na área de defesa.
Em reunião realizada nesta quarta-feira, Carney, von der Leyen e a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, discutiram uma ampliação da parceria em minerais críticos, energia, defesa, pesquisa, desenvolvimento e tecnologias avançadas. O governo canadense declarou que busca fortalecer sua autonomia estratégica e criar relações mais profundas com parceiros considerados confiáveis.
A proposta de associação surge em meio à deterioração das relações comerciais entre Canadá e Estados Unidos e aos esforços de Ottawa para diversificar seus parceiros econômicos. A União Europeia, por outro lado, procura ampliar o acesso a energia, matérias-primas estratégicas e parceiros de defesa em um cenário de crescente fragmentação internacional.
O assunto deverá voltar à mesa durante a cúpula Canadá-União Europeia prevista para outubro, em Montreal. Até lá, autoridades dos dois lados devem trabalhar na definição do que, na prática, representaria a inédita condição de “membro associado”.
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