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CICLONE EXTRATROPICAL DEIXA AO MENOS CINCO MORTOS, MAIS DE 149 DESALOJADOS E RASTRO DE DESTRUIÇÃO PELO BRASIL
Temporal associado a uma frente fria provocou rajadas superiores a 100 km/h, queda de árvores, destelhamentos, naufrágio, interrupções no transporte e falta de energia no Sul e no

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
Um poderoso sistema de tempestades associado à formação de um ciclone extratropical atingiu diferentes regiões do Brasil entre terça-feira (28) e quarta-feira (29), deixando um rastro de mortes, feridos e destruição.
Os maiores impactos foram registrados no Rio Grande do Sul, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Fortes rajadas de vento derrubaram árvores, postes e estruturas, destelharam imóveis, interromperam o fornecimento de energia e afetaram aeroportos, linhas de metrô, trens, travessias marítimas e operações portuárias.
Até a manhã desta quinta-feira (30), pelo menos cinco mortes relacionadas ao temporal haviam sido confirmadas: três no estado de São Paulo e duas na cidade do Rio de Janeiro. Também há registros de feridos e de pessoas obrigadas a deixar suas casas.
Os números ainda podem ser atualizados pelas autoridades à medida que novos municípios enviem seus levantamentos às defesas civis estaduais.
O QUE CAUSOU OS TEMPORAIS?
As tempestades foram provocadas pela combinação entre um ciclone extratropical, uma frente fria e o forte contraste entre massas de ar com temperaturas diferentes.
O sistema começou a se organizar no Sul do continente. A chegada do ar frio encontrou uma atmosfera mais quente e carregada de umidade, criando condições para a formação de nuvens de tempestade, chuva intensa, descargas elétricas, granizo e rajadas muito fortes.
O ciclone ajudou a aprofundar a área de baixa pressão atmosférica e a intensificar a circulação dos ventos. Ao mesmo tempo, a frente fria ligada ao sistema avançou do Sul em direção ao Sudeste, espalhando a instabilidade por diferentes estados.
O Instituto Nacional de Meteorologia havia colocado o Rio Grande do Sul sob avisos de grande perigo para chuva acumulada e perigo para tempestades. A previsão indicava que, na quarta-feira, as instabilidades avançariam em direção ao Paraná e ao sul de Mato Grosso do Sul.
Antes da passagem do sistema por São Paulo, a Defesa Civil estadual também havia montado um gabinete de crise e alertado para a possibilidade de ventos próximos de 90 km/h na Região Metropolitana e na Baixada Santista. Em outras áreas paulistas, as rajadas poderiam superar 70 km/h.
QUAL É A DIFERENÇA ENTRE CICLONE E FURACÃO?
Ciclone é o nome dado a um sistema de baixa pressão no qual os ventos circulam ao redor de um centro.
Os furacões são ciclones tropicais que se formam sobre águas oceânicas muito quentes e possuem características próprias, como núcleo quente e, nos casos mais intensos, a formação de um olho.
O ciclone que influenciou o tempo no Brasil foi extratropical. Esse tipo de sistema é comum fora das regiões tropicais e costuma se formar a partir do contraste entre massas de ar quente e frio, frequentemente acompanhado por uma frente fria.
Mesmo não sendo um furacão, um ciclone extratropical pode causar ventos destrutivos, chuvas intensas, ondas elevadas e graves danos às cidades.
CINCO MORTES CONFIRMADAS
O estado de São Paulo confirmou três mortes relacionadas à ventania.
Em Santos, no litoral paulista, um homem morreu após ser atingido pela queda de uma árvore no bairro Estuário. As equipes de emergência foram acionadas, mas a vítima não resistiu.
Outra morte aconteceu em Cesário Lange, no interior paulista, onde uma árvore caiu sobre um veículo durante a tempestade.
A terceira vítima morreu após o naufrágio de uma embarcação na travessia marítima entre São Sebastião e Ilhabela, no litoral norte. O barco transportava cinco pessoas. Quatro sobreviventes foram encaminhados para atendimento médico, duas delas em estado de choque.
Na cidade do Rio de Janeiro, duas pessoas morreram depois que um muro desabou no bairro de Santa Teresa durante a forte ventania. Uma das vítimas foi identificada como o ex-jogador de futebol Tássio Maia dos Santos.
Com isso, o balanço preliminar nacional chegou a pelo menos cinco mortes.
FERIDOS E PESSOAS FORA DE CASA
No Rio Grande do Sul, o balanço divulgado após a passagem dos temporais apontava cinco pessoas feridas e 149 desalojadas.
Desalojada é a pessoa que precisa sair temporariamente de casa, mas consegue permanecer na residência de familiares, amigos ou em outro local particular. Desabrigada é aquela que perde sua moradia ou precisa ser levada para um abrigo público.
Até a atualização desta matéria, ainda não havia sido divulgado um balanço nacional consolidado de pessoas formalmente desabrigadas em abrigos públicos.
No litoral paulista, outras quatro pessoas sobreviveram ao naufrágio registrado entre São Sebastião e Ilhabela e foram levadas para atendimento. Dessa forma, os registros disponíveis indicavam pelo menos nove feridos ou sobreviventes hospitalizados nos estados atingidos, embora os números ainda pudessem aumentar.
RIO GRANDE DO SUL TEVE DEZENAS DE MUNICÍPIOS AFETADOS
O Rio Grande do Sul começou a sentir os efeitos do sistema antes do avanço da frente fria pelo Sudeste.
As tempestades atingiram principalmente municípios das regiões Oeste, Campanha, Centro e Sul do estado. Entre as localidades afetadas nos primeiros momentos estavam Barra do Quaraí, Uruguaiana, Itaqui, Alegrete, Quaraí, Santana do Livramento e São Vicente do Sul.
Levantamentos divulgados ao longo do evento apontaram dezenas de municípios com danos em residências, prédios públicos, galpões, redes elétricas e estradas.
Casas foram destelhadas, árvores e postes caíram, rodovias ficaram parcialmente bloqueadas e milhares de consumidores enfrentaram falta de energia.
Um balanço anterior, ainda durante a progressão das tempestades, apontava danos em 30 municípios, duas pessoas feridas, 57 desalojadas e aproximadamente 66,8 mil clientes sem energia. Os números aumentaram nas atualizações seguintes, chegando a cinco feridos e 149 desalojados.
SANTOS TEVE MORTE, QUEDAS DE ÁRVORES E PORTO AFETADO
Santos esteve entre as cidades paulistas mais atingidas.
Além da morte provocada pela queda de uma árvore, a prefeitura contabilizou pelo menos 23 ocorrências de árvores derrubadas, seis quedas de muros e destelhamentos de imóveis.
Um contêiner também caiu dentro da área portuária e atingiu a rede elétrica. As operações no Porto de Santos precisaram ser temporariamente suspensas por causa dos ventos e dos riscos aos trabalhadores e às embarcações.
As travessias marítimas do litoral paulista também sofreram interrupções. A ventania elevou o risco à navegação e contribuiu para o naufrágio ocorrido entre São Sebastião e Ilhabela.
VENTANIA CAUSOU CAOS NO RIO DE JANEIRO
No Rio de Janeiro, rajadas superiores a 100 km/h foram registradas durante a passagem do sistema.
O episódio mais grave ocorreu em Santa Teresa, onde a queda de um muro matou duas pessoas.
Árvores foram derrubadas em diferentes pontos da capital, bloqueando ruas e atingindo veículos, imóveis e cabos de energia.
O Corpo de Bombeiros atendeu dezenas de ocorrências. Até a tarde de quarta-feira, haviam sido contabilizadas 30 chamadas relacionadas a árvores, 26 resgates e quatro desabamentos provocados ou agravados pela ventania.
Bairros das zonas Sul, Norte, Oeste e do Centro ficaram sem energia. Municípios da Baixada Fluminense também foram afetados pelo apagão.
A circulação do metrô e dos trens sofreu interrupções, deixando passageiros retidos e aumentando os transtornos durante o horário de maior movimento.
AEROPORTOS E VOOS TAMBÉM FORAM PREJUDICADOS
A ventania afetou as operações nos aeroportos do Rio de Janeiro.
No Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, foram registradas rajadas próximas de 74 km/h. Pelo menos quatro voos precisaram ser desviados para outros aeroportos, enquanto outras operações registraram atrasos.
O Aeroporto Santos Dumont também sofreu impactos durante a passagem do temporal.
Em São Paulo, o mau tempo igualmente provocou alterações em voos, além de problemas nas rodovias e nos serviços de transporte.
POR QUE OS APAGÕES FORAM TÃO EXTENSOS?
Grande parte das interrupções de energia foi provocada pela queda de árvores e galhos sobre a rede elétrica.
As rajadas também derrubaram postes, romperam cabos e danificaram equipamentos de distribuição.
Quando dezenas ou centenas de ocorrências acontecem simultaneamente, as concessionárias precisam primeiro isolar as áreas de risco e retirar estruturas que possam causar choques ou novos acidentes. Isso pode tornar o restabelecimento mais demorado.
No Rio Grande do Sul, dezenas de milhares de consumidores ficaram sem eletricidade. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, centenas de milhares de imóveis também foram afetados ao longo da passagem do sistema.
CIDADES E ÁREAS MAIS ATINGIDAS
Entre as localidades com ocorrências mais graves ou maior repercussão estavam:
No Rio Grande do Sul: Uruguaiana, Barra do Quaraí, Itaqui, Alegrete, Quaraí, Santana do Livramento e São Vicente do Sul, além de outros municípios das regiões Oeste, Campanha e Centro.
Em São Paulo: Santos, Cesário Lange, São Sebastião, Ilhabela, a Baixada Santista, a Região Metropolitana e diferentes áreas do interior.
No Rio de Janeiro: a capital, principalmente Santa Teresa e bairros atingidos pelas quedas de árvores e pelo apagão, além de municípios da Região Metropolitana e da Baixada Fluminense.
ALERTA AINDA NÃO TERMINOU
Mesmo após o deslocamento do núcleo mais intenso do sistema, as autoridades mantiveram alertas para novas chuvas, rajadas de vento e tempestades.
O Inmet indicou que, nesta quinta-feira (30) e na sexta-feira (31), a chuva diminuiria na maior parte do Sul, mas ainda haveria perigo potencial de tempestades no Paraná, em Mato Grosso do Sul e de chuva em São Paulo.
A população deve evitar permanecer próxima de árvores, placas, postes e estruturas metálicas durante ventos fortes.
Em caso de fios caídos, a orientação é manter distância e acionar imediatamente a concessionária de energia ou o Corpo de Bombeiros.
Áreas alagadas não devem ser atravessadas a pé ou de carro, pois a força da água pode arrastar pessoas e veículos.
Os números de vítimas e municípios atingidos seguem sujeitos a alterações, conforme as autoridades municipais e estaduais atualizem os balanços dos danos.
Carregando resultado da apuração das urnas…