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CONSELHO DE ÉTICA DÁ SEGUIMENTO A PROCESSO CONTRA ERIKA HILTON, MAS PRAZO ELEITORAL PODE IMPEDIR DESFECHO
Representação apresentada pelo Missão pede cassação do mandato; calendário apertado da Câmara pode fazer o processo ser arquivado ao fim da legislatura

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (11), por 10 votos a 5, o parecer que recomenda a continuidade do processo contra a deputada Erika Hilton (Psol-SP).
A representação foi apresentada pelo partido Missão e pede a cassação do mandato da parlamentar por publicações feitas nas redes sociais após críticas recebidas quando ela foi escolhida para presidir a Comissão da Mulher da Câmara.
Com a aprovação do relatório preliminar, o processo entra agora na fase de instrução. O relator, deputado Gilberto Silva (PL-PB), poderá determinar diligências, ouvir testemunhas e receber novos elementos antes de elaborar o parecer final.
Erika Hilton também poderá apresentar sua defesa e indicar testemunhas.
Apesar do avanço, o processo pode não chegar a uma conclusão ainda nesta legislatura.
O principal obstáculo é o calendário da Câmara. Com a aproximação das eleições de outubro, os deputados terão poucas semanas efetivas de trabalho em Brasília antes de se concentrarem nas campanhas em seus estados.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e o segundo, para 25 de outubro. Como os mandatos terminam em dezembro, uma representação que não seja concluída até o fim da legislatura pode acabar arquivada.
Durante a reunião, o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) chamou atenção justamente para essa limitação de tempo e afirmou que dificilmente um processo iniciado agora será concluído antes da eleição.
O que motivou a representação
O pedido de cassação foi apresentado depois que Erika Hilton publicou mensagens nas redes sociais em resposta a críticas relacionadas à sua escolha para presidir a Comissão da Mulher.
Em uma das manifestações, a deputada afirmou que não se importava se o “esgoto da sociedade” não havia gostado da escolha e também usou a expressão “imbeCIS” ao responder aos ataques.
O partido Missão sustenta que as declarações configuram quebra de decoro parlamentar por, segundo a legenda, não serem compatíveis com a dignidade exigida do mandato.
A defesa da deputada discorda. Representando Erika durante a reunião, a deputada Professora Luciene Cavalcante (Psol) afirmou que as mensagens representam opiniões pessoais divulgadas em redes sociais e que não configuram quebra de decoro.
Segundo ela, o Conselho de Ética não deve ser utilizado para restringir manifestações políticas de parlamentares.
Punições mais graves dependem do plenário
Mesmo que o Conselho de Ética aprove uma punição, algumas sanções ainda precisam passar pelo plenário da Câmara.
Advertências e censuras podem ser aplicadas administrativamente. Já suspensão de prerrogativas, suspensão do mandato ou cassação dependem da aprovação dos deputados.
Além disso, cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidir quando um processo pronto será colocado em votação.
Há precedentes recentes de representações que avançaram no Conselho, mas não chegaram ao plenário. Casos envolvendo Marcel Van Hattem, Zé Trovão e Marcos Pollon, por exemplo, tiveram pareceres aprovados no colegiado, mas não resultaram em afastamento porque as votações não foram concluídas.
Com isso, embora o processo contra Erika Hilton tenha avançado nesta terça-feira, o tempo passa a ser um fator decisivo para saber se haverá ou não uma decisão ainda em 2026.
Carregando resultado da apuração das urnas…