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COPA DE 2026 COMEÇA SOB CRISE: ÁRBITRO É BARRADO NOS EUA E RESTRIÇÕES ATINGEM DELEGAÇÕES, JORNALISTAS E TORCEDORES

Caso do árbitro somali Omar Artan expõe tensão entre promessa de Copa inclusiva da FIFA e regras migratórias dos Estados Unidos às vésperas do torneio.

COPA DE 2026 COMEÇA SOB CRISE: ÁRBITRO É BARRADO NOS EUA E RESTRIÇÕES ATINGEM DELEGAÇÕES, JORNALISTAS E TORCEDORES
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Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

A Copa do Mundo de 2026, anunciada pela FIFA como a maior da história, começou cercada por uma crise fora de campo. Às vésperas da abertura do torneio, casos de vistos negados, entrada barrada nos Estados Unidos e restrições a profissionais credenciados colocaram em xeque a promessa de uma competição global, acessível e inclusiva.

O episódio de maior repercussão envolve o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Ele estava escalado para trabalhar na Copa e poderia se tornar o primeiro árbitro da Somália a atuar em um Mundial. No entanto, ao chegar aos Estados Unidos, teve a entrada negada pelas autoridades migratórias americanas, mesmo possuindo documentação válida para a viagem.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, Artan foi impedido de entrar no país por “preocupações de verificação” apontadas pelas autoridades americanas. O caso ganhou dimensão mundial porque o árbitro havia sido escolhido pela FIFA para participar da competição e era considerado um dos principais nomes da arbitragem africana, tendo sido eleito o melhor árbitro masculino da África em 2025.

Após a decisão, a FIFA confirmou que Omar Artan não participará mais da Copa do Mundo de 2026. Em comunicado, a entidade afirmou que não interfere nos processos de imigração dos países-sede e que cabe ao governo anfitrião decidir quem recebe visto e quem tem permissão para entrar em seu território.

A situação provocou revolta na Somália. O governo somali tentou negociar com autoridades dos Estados Unidos e com a FIFA para reverter a decisão, mas não obteve sucesso. Ao retornar ao país, Artan foi recebido como herói por torcedores, autoridades e representantes do esporte local.

O caso do árbitro, porém, não é isolado. A seleção do Irã também enfrentou problemas envolvendo vistos e deslocamento. Embora os jogadores tenham recebido autorização para entrar nos Estados Unidos, integrantes da delegação e da estrutura de apoio teriam tido vistos negados, segundo relatos da imprensa internacional e de autoridades ligadas ao futebol iraniano.

A situação obrigou a equipe iraniana a ajustar sua logística durante o Mundial. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informou que os jogadores do Irã poderiam entrar no país na véspera das partidas marcadas em território americano. Ainda assim, a restrição gerou críticas por impactar preparação, deslocamento e bastidores da equipe.

Jornalistas também relataram dificuldades. A Associação Internacional de Imprensa Esportiva afirmou que profissionais iranianos e africanos tiveram vistos negados ou limitações de entrada para cobrir a Copa. Em alguns casos, jornalistas teriam recebido autorização de entrada única, o que impediria o retorno aos Estados Unidos caso acompanhassem suas seleções em jogos no Canadá ou no México.

A polêmica aumentou porque a Copa de 2026 será disputada em três países: Estados Unidos, México e Canadá. Isso significa que seleções, torcedores, imprensa e profissionais envolvidos podem precisar circular entre fronteiras durante a competição. Qualquer restrição de entrada ou visto limitado pode afetar diretamente a cobertura e a operação do torneio.

A FIFA criou, em parceria com autoridades americanas, o sistema PASS, um mecanismo de prioridade para agendamento de entrevistas de visto para torcedores com ingressos comprados oficialmente. No entanto, o próprio sistema não garante aprovação de visto nem entrada automática nos Estados Unidos.

Organizações de direitos humanos já vinham alertando para o risco de um “clima de medo” em torno da Copa nos Estados Unidos, especialmente para estrangeiros, jornalistas, torcedores e pessoas de países afetados por políticas migratórias mais rígidas.

Apesar da promessa de que a Copa de 2026 seria a mais ampla da história, com 48 seleções e jogos espalhados por três países, os primeiros episódios mostram que a maior competição de futebol do planeta também será marcada por desafios diplomáticos, políticos e migratórios.

Na prática, a crise expõe uma contradição: a FIFA promove o Mundial como símbolo de união entre povos, mas profissionais escolhidos para participar do torneio, jornalistas credenciados e membros de delegações enfrentam barreiras impostas pelo próprio país que receberá parte central da competição.

O Mundial ainda nem começou dentro de campo, mas fora dele já vive um de seus primeiros grandes debates: até que ponto um evento global pode ser realmente inclusivo quando a entrada no país-sede depende de decisões migratórias que nem mesmo a FIFA consegue controlar?

10 de jun. de 2026 · Redação Scarpa360