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DELEGADOS DA PF PEDEM QUE GONET SE DECLARE IMPEDIDO EM APURAÇÕES QUE O CITAM NO CASO MASTER

Associação afirma que procurador-geral não deveria atuar em procedimentos relacionados a fatos nos quais seu nome aparece e pede arquivamento de apuração aberta pela PGR sobre rela

DELEGADOS DA PF PEDEM QUE GONET SE DECLARE IMPEDIDO EM APURAÇÕES QUE O CITAM NO CASO MASTER
Foto: Fellipe Sampaio/STF

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu neste sábado (5) que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar em procedimentos relacionados aos fatos em que ele próprio é citado no âmbito das investigações sobre o Banco Master. A entidade também solicitou o arquivamento de um procedimento aberto pela Procuradoria-Geral da República para examinar a elaboração de um relatório da Polícia Federal.

O pedido é mais um capítulo da crise institucional aberta após a divulgação de um relatório produzido pela PF a partir de dados obtidos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento reúne mensagens, contratos e outros registros que mencionam autoridades como o ministro Alexandre de Moraes, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o próprio Paulo Gonet.

Segundo a ADPF, os delegados responsáveis pelo documento apenas cumpriram uma determinação judicial do ministro André Mendonça, relator das investigações envolvendo o Master no Supremo Tribunal Federal. A entidade sustenta que os policiais não tinham margem para decidir se executariam ou não a ordem e afirmou que a abertura de um procedimento de controle externo sobre a atuação da PF produz, objetivamente, um efeito de intimidação sobre os investigadores.

A associação fundamenta o pedido de impedimento no artigo 258 do Código de Processo Penal, dispositivo que estende aos integrantes do Ministério Público regras de impedimento e suspeição aplicáveis aos magistrados. Para a entidade, como Gonet aparece nominalmente no material analisado, ele deveria se abster de atuar tanto como fiscal da lei quanto como responsável pelo controle externo da atividade policial nos procedimentos relacionados diretamente a esses fatos.

A ADPF também defendeu que os fatos revelados pela Operação Compliance Zero sejam investigados integralmente, “sem seletividade quanto às autoridades envolvidas”, e pediu o arquivamento do procedimento instaurado pela PGR por considerar inadequado utilizar o controle externo da atividade policial para questionar uma providência tomada em cumprimento a uma decisão do Supremo.

A reação dos delegados ocorre um dia depois de a PGR informar ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial. Paulo Gonet determinou que a PF esclareça como o relatório foi elaborado e se houve alguma “ordem ou interferência externa” capaz de comprometer seu conteúdo. A Procuradoria afirma que não havia sido informada previamente sobre a decisão de André Mendonça que originou o documento e que, por isso, não pôde exercer naquele momento o controle externo da atividade policial.

Antes disso, Gonet já havia pedido a nulidade da ordem que levou à elaboração do relatório. O procurador-geral argumentou que Mendonça teria ultrapassado os limites de sua competência ao determinar diligências capazes de atingir um ministro do STF sem autorização do plenário da Corte. A PGR sustenta que eventual investigação envolvendo ministros do Supremo precisa ser submetida ao colegiado.

A controvérsia ganhou dimensão porque o relatório da PF não trata apenas de Alexandre de Moraes. Em mensagens analisadas pelos investigadores, Vorcaro teria pedido que fossem acionados “Andrei e Paulo”, nomes que a Polícia Federal relacionou, respectivamente, a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. Segundo o documento, o objetivo mencionado nas mensagens seria tentar evitar ou adiar medidas que poderiam prejudicar o Banco Master. Até o momento, porém, não há indicação de que Gonet ou Andrei tenham realizado as intervenções solicitadas por Vorcaro.

Outro trecho do material registra que Pedro Gonet, filho do procurador-geral, teria manifestado interesse em participar de um fórum jurídico previsto para Londres, com despesas que seriam custeadas por Vorcaro. O evento acabou cancelado. O advogado Ciro Soares, que aparece como intermediário, afirmou que o seminário seria público e que não haveria irregularidade no custeio de convidados e palestrantes.

Essas referências são justamente o argumento utilizado pela associação dos delegados para questionar a participação direta do procurador-geral nos procedimentos relacionados ao relatório. A existência das menções, entretanto, não representa, isoladamente, prova de participação de Gonet em irregularidades.

O presidente do STF, Edson Fachin, também passou a atuar na crise. Nesta sexta-feira (4), ele determinou prazo para manifestações sobre acusações e questionamentos relacionados à condução das apurações do Banco Master, incluindo esclarecimentos de André Mendonça e Paulo Gonet.

Paralelamente, o Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu um procedimento separado para analisar as referências a Gonet nas mensagens de Vorcaro. A apuração foi provocada pelo partido Novo. Segundo a Folha de S.Paulo, pessoas próximas ao procurador-geral afirmam que ele pretende negar qualquer interferência nas investigações e relação de proximidade com o ex-controlador do Master.

A Operação Compliance Zero investiga uma série de possíveis crimes ligados ao conglomerado Master. Em fases recentes, a Polícia Federal informou apurar, entre outros pontos, suspeitas de interferência em investigações, obtenção indevida de informações sigilosas, intimidação de jornalistas e crimes contra o sistema financeiro.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, apontando grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas que regem o Sistema Financeiro Nacional.

05 de set. de 2026 · Redação Scarpa360