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NO SCARPA360DESAFIO DOS SIGILOS AVANÇA: FLÁVIO ACEITA ABRIR DADOS DE 20 ANOS, IMPÕE EXIGÊNCIAS E LULA CONCORDA
A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (21).

A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (21). Depois de ser desafiado a divulgar informações financeiras e telefônicas, o senador anunciou que aceita abrir seus sigilos dos últimos 20 anos, desde que o presidente também disponibilize uma série de documentos envolvendo familiares, ex-assessores, empresas e despesas do governo.
Horas depois, a campanha de Lula respondeu que não possui objeções às condições apresentadas por Flávio. O anúncio foi feito pelo senador Camilo Santana (PT-CE), porta-voz da candidatura petista, durante entrevista coletiva em Brasília.
A nova etapa do confronto acontece a apenas quatro dias do segundo turno, marcado para domingo (25), e transforma a discussão sobre transparência em um dos principais embates políticos da reta final da campanha.
FLÁVIO BOLSONARO ACEITA DESAFIO, MAS AMPLIA EXIGÊNCIAS
Nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma manifestação na qual declara aceitar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos.
O senador também afirmou que não se opõe à divulgação de eventuais mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Entretanto, a aceitação foi condicionada à apresentação de informações adicionais pelo presidente Lula.
Entre as exigências estão dados financeiros do Instituto Lula, informações de empresas ligadas aos filhos do presidente, registros de assessores próximos ao petista e documentos relacionados a despesas e agendas da Presidência da República.
Flávio também pediu informações sobre viagens realizadas em aeronaves oficiais, registros de visitas a prédios do governo e encontros envolvendo pessoas mencionadas em investigações.
O objetivo declarado pelo senador é ampliar o alcance do desafio para além das movimentações financeiras pessoais dos candidatos.
EX-ASSESSOR DE LULA ENTRA NO CENTRO DA DISCUSSÃO
Uma das principais exigências envolve Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete pessoal de Lula.
O nome do ex-assessor apareceu em investigações da Polícia Federal relacionadas a suspeitas de tráfico de influência e contatos envolvendo a empresária Roberta Luchsinger.
Flávio Bolsonaro defendeu que os registros financeiros e telefônicos de Marcola também sejam incluídos na iniciativa.
A campanha de Lula afirmou que não vê impedimento à inclusão do ex-assessor e declarou que ele concordou com a abertura de suas informações.
Até a divulgação das reportagens consultadas, entretanto, não havia confirmação independente da apresentação de uma autorização pessoal assinada por Marcola.
A existência de investigações e suspeitas não significa que os envolvidos tenham cometido crimes.
LULA ACEITA CONDIÇÕES E COBRA RECIPROCIDADE
No fim da tarde desta quarta-feira, a campanha de Lula anunciou que aceita a ampliação do desafio.
A declaração foi feita pelo senador Camilo Santana, acompanhado de integrantes da coordenação eleitoral do presidente.
Segundo o porta-voz, Lula não apresenta objeções às exigências formuladas por Flávio, desde que o adversário também autorize o acesso às informações solicitadas pelo petista.
A campanha pretende apresentar formalmente sua resposta ao TSE na quinta-feira (22), às 11h.
Camilo também estabeleceu esse horário como prazo político para que Flávio cumpra a abertura de seus próprios sigilos, afirmando que a medida não deve ser adiada para depois do segundo turno.
A manifestação representa uma aceitação pública das condições, mas não significa que todos os dados já estejam disponíveis às autoridades ou à população.
EMPRESA LIGADA A ADVOGADO TAMBÉM É COBRADA
A resposta de Lula trouxe uma cobrança adicional envolvendo a Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, conhecido de Flávio Bolsonaro.
A companhia foi mencionada em documentos de investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Flávio teria sido cadastrado como usuário com poderes administrativos em uma conta bancária da empresa.
O senador e o advogado negam manter negócios em conjunto.
A campanha petista afirma que dados relacionados à Alcazar Holdings devem integrar a abertura de informações solicitada ao TSE.
O episódio amplia a disputa para empresas e pessoas próximas aos dois candidatos, que passaram a exigir reciprocidade na divulgação dos documentos.
COMO COMEÇOU O DESAFIO?
A discussão teve início durante o debate presidencial realizado pela Band no domingo (18).
Na ocasião, Lula e Flávio Bolsonaro trocaram acusações sobre corrupção, patrimônio, movimentações financeiras e investigações envolvendo familiares.
O presidente desafiou o adversário a permitir o acesso a seus dados bancários e telefônicos, comprometendo-se a adotar medida semelhante.
Na terça-feira (20), Lula apresentou ao TSE um requerimento referente à abertura de informações pessoais e de integrantes de sua família.
A iniciativa incluiu pedidos relacionados à primeira-dama, Janja, aos filhos do presidente e a registros empresariais.
Flávio respondeu nesta quarta-feira, aceitando o desafio sob condições adicionais. A campanha petista, por sua vez, anunciou que concorda com a ampliação.
ACEITAÇÃO NÃO SIGNIFICA QUE SIGILOS JÁ FORAM ABERTOS
Apesar das manifestações dos dois candidatos, a troca de compromissos ainda não equivale à disponibilização efetiva dos dados.
A abertura de informações bancárias, fiscais e telefônicas envolve procedimentos legais, autorizações individuais e análise das autoridades competentes.
Documentos pertencentes a terceiros, como familiares, assessores e representantes de empresas, também dependem de requisitos próprios para divulgação.
Além disso, nem todas as informações solicitadas possuem a mesma natureza jurídica. Dados de contas bancárias particulares, registros telefônicos, despesas públicas e agendas governamentais estão sujeitos a regras diferentes.
Portanto, ainda será necessário verificar quais autorizações foram formalmente apresentadas, qual período será abrangido e como as informações poderão ser analisadas.
PRAZO DE QUINTA-FEIRA AUMENTA PRESSÃO NA RETA FINAL
A próxima etapa está prevista para quinta-feira (22), quando a campanha de Lula pretende protocolar uma nova manifestação no Tribunal Superior Eleitoral.
O encontro foi anunciado para as 11h, horário também estabelecido politicamente como limite para que Flávio apresente as autorizações cobradas pela candidatura adversária.
A discussão ocorre às vésperas do segundo turno e poderá influenciar a agenda política dos últimos dias de campanha.
Embora ambos tenham declarado disposição para abrir informações protegidas por sigilo, ainda não há comprovação de que todas as exigências recíprocas tenham sido cumpridas.
A confirmação dependerá dos documentos efetivamente entregues e dos procedimentos adotados pelas autoridades.
O episódio coloca a transparência financeira no centro do confronto entre os candidatos, mas permanece aberta a questão mais importante: se as promessas feitas publicamente resultarão em acesso efetivo às informações.
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