SCARPA360A visão completa da notíciaPORTAL · RÁDIO · TV
A visão completa
da notícia
Justiça

“ELE QUER FALAR COM VOCÊ”: MENDONÇA TIRA SIGILO E PF REVELA CONTATO INTERMEDIADO ENTRE GONET E VORCARO

Relatório tornado público pelo ministro André Mendonça mostra que advogado enviou foto ao lado do procurador-geral Paulo Gonet e, na sequência, ocorreram quatro chamadas de voz com

“ELE QUER FALAR COM VOCÊ”: MENDONÇA TIRA SIGILO E PF REVELA CONTATO INTERMEDIADO ENTRE GONET E VORCARO
Foto: Polícia Federal/Reprodução

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

Novos documentos da investigação sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master revelam detalhes de contatos que teriam ocorrido entre o ex-banqueiro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por intermédio do advogado Ciro Soares. O material foi produzido pela Polícia Federal e tornou-se público nesta terça-feira (1º) após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Um dos episódios destacados pela PF ocorreu em 15 de março de 2025. Às 14h13, Ciro Soares enviou a Vorcaro uma fotografia na qual aparecia ao lado de Paulo Gonet. Em seguida, escreveu ao banqueiro: “Liga aqui” e “Ele quer falar com você”.

Logo depois, o aparelho de Daniel Vorcaro registrou quatro chamadas de voz com o número de Ciro Soares. Segundo o relatório, as ligações duraram 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e, por último, 3 minutos e 49 segundos. O material divulgado não permite afirmar publicamente qual foi o conteúdo das conversas nem comprova que todas tenham sido diretamente com Gonet, já que as chamadas foram feitas para o telefone do advogado.

A PF não encontrou no celular de Vorcaro um contato salvo diretamente com o nome “Paulo Gonet” ou “Gonet”. As principais referências ao procurador-geral aparecem justamente nas conversas entre o banqueiro e Ciro Soares, que surge no relatório como intermediário frequente dessa interlocução.

As mensagens continuaram nos dias seguintes. Em 28 de março de 2025, Ciro encaminhou a Vorcaro textos que atribuiu a Paulo Gonet. Em um deles aparecia a frase “Estou na torcida por vocês!”. Outro fazia referência a saudade e a uma viagem para Roma. Depois, o advogado afirmou ao banqueiro que Gonet “lhe adora” e que iria a Londres com o grupo.

No dia seguinte, Ciro informou que Gonet teria perguntado se o filho poderia participar da viagem que estava sendo organizada para Londres. Vorcaro respondeu afirmativamente. O evento estava relacionado a uma nova edição de um fórum jurídico patrocinado pelo Banco Master, mas a programação acabou cancelada.

Em abril, uma funcionária de Vorcaro perguntou quais convidados estavam autorizados a participar com despesas custeadas pelos organizadores. O banqueiro fez uma ressalva e aprovou “Pedro e Ciro”. A Polícia Federal associou os nomes a Pedro Gonet, filho do procurador-geral, e ao advogado Ciro Soares. Como o evento acabou não sendo realizado, os documentos indicam a autorização do custeio planejado, e não a confirmação de que essa viagem específica tenha ocorrido.

As revelações ganharam ainda mais relevância porque meses depois o nome de Paulo Gonet voltou a aparecer em mensagens de Vorcaro relacionadas aos problemas enfrentados pelo Banco Master. Em uma anotação de outubro de 2025, o banqueiro escreveu sobre a necessidade de “reforçar com Andrei e Paulo”, referências que a investigação relacionou ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral. Segundos depois de registrar essas anotações, segundo a PF, Vorcaro teria enviado imagens para um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

Foi justamente diante da presença reiterada de nomes de autoridades no material apreendido que André Mendonça determinou, em 24 de agosto, que a Polícia Federal elaborasse um relatório específico. O ministro deu prazo de 72 horas para que fossem identificadas pessoas mencionadas na suposta rede de influência atribuída a Vorcaro, incluindo eventuais autoridades com foro privilegiado.

A PF entregou o relatório em 27 de agosto. No dia seguinte, Mendonça determinou que esses elementos fossem separados do inquérito original e formassem um procedimento próprio, inicialmente mantido sob o mais alto grau de sigilo. Nesta terça-feira, o ministro retirou esse sigilo e defendeu que os novos elementos sejam analisados pelo plenário do STF de forma pública e presencial.

Mendonça também concedeu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre as informações reunidas pela Polícia Federal. Até a publicação da reportagem do ICL Notícias nesta tarde, a assessoria de Paulo Gonet informou que não havia manifestação sobre o conteúdo do relatório.

As informações sobre os contatos foram detalhadas pelo ICL Notícias, em reportagem de Cleber Lourenço, Igor Mello, André Uzeda e Juliana Dal Piva, e também pelo Metrópoles, em reportagem de Mateus Salomão, além de UOL e outros veículos que tiveram acesso ao relatório tornado público pela decisão de Mendonça.

01 de set. de 2026 · Redação Scarpa360