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ELON MUSK PREVÊ QUE DINHEIRO PODERÁ PERDER IMPORTÂNCIA ATÉ 2036 COM AVANÇO DA IA E DOS ROBÔS
Bilionário afirma que automação poderá criar uma “era de abundância”, na qual trabalhar seria opcional; especialistas, porém, alertam que produção em excesso não garante distribuiç

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
Elon Musk voltou a fazer uma previsão ousada sobre o futuro da humanidade. Em entrevista à revista britânica The Economist, o empresário afirmou que o dinheiro poderá deixar de ter a importância atual até 2036, impulsionado pelo desenvolvimento acelerado da inteligência artificial e dos robôs humanoides.
Na visão do dono da Tesla, da SpaceX e da xAI, máquinas cada vez mais avançadas poderão assumir grande parte da produção de bens e da prestação de serviços. Caso essa capacidade alcance uma escala suficientemente alta, a sociedade entraria em uma espécie de “era de abundância”, na qual haveria mais produtos e serviços disponíveis do que as pessoas conseguiriam consumir.
“Se os robôs e a inteligência artificial estiverem fornecendo mais bens e serviços do que qualquer ser humano conseguiria consumir, para que seria necessário dinheiro?”, questionou Musk durante a entrevista. A declaração não representa uma projeção econômica comprovada, mas a visão pessoal do empresário sobre os efeitos de longo prazo da automação.
Trabalho poderia se tornar opcional
Musk acredita que o avanço tecnológico também mudará profundamente a relação das pessoas com o emprego. Em vez de trabalhar por necessidade financeira, os seres humanos poderiam exercer atividades profissionais por escolha, interesse pessoal ou diversão.
O empresário já havia defendido ideia semelhante em novembro de 2025, durante o Fórum de Investimentos Estados Unidos–Arábia Saudita. Na ocasião, afirmou que, dentro de dez a vinte anos, trabalhar poderia se tornar opcional, assim como cultivar uma horta ou praticar um esporte por prazer.
Nesse cenário, a renda tradicional poderia ser substituída pelo que Musk chama de “renda universal elevada”. A proposta seria diferente de uma renda básica limitada à sobrevivência: segundo ele, a produtividade da IA permitiria que qualquer pessoa tivesse acesso a uma grande quantidade de produtos e serviços sem depender de um emprego convencional.
O bilionário também sugeriu que guardar dinheiro para a aposentadoria poderia perder o sentido caso suas previsões se concretizassem. A lógica é que, em um mundo onde alimentação, transporte, moradia e outros serviços fossem produzidos em abundância por máquinas, a capacidade de consumo não dependeria mais diretamente do patrimônio acumulado.
IA poderia superar a inteligência humana
Durante a conversa, Musk também estimou que a inteligência artificial poderá superar a capacidade intelectual combinada da humanidade dentro de aproximadamente cinco anos.
A previsão vai além da ideia de programas capazes de escrever textos, gerar imagens ou responder perguntas. Musk se refere a sistemas com capacidade de pesquisa, planejamento, tomada de decisões e execução de tarefas em nível superior ao dos seres humanos.
O empresário imagina ainda que até um bilhão de robôs humanoides poderão atuar em fábricas, residências, hospitais e empresas. Essa força de trabalho automatizada seria uma das responsáveis por acelerar a produção mundial e reduzir o custo de diversos serviços.
A Tesla desenvolve o robô humanoide Optimus, apresentado pela empresa como uma máquina capaz de assumir tarefas repetitivas, perigosas ou cansativas. Musk aposta que esse tipo de equipamento poderá se tornar um dos produtos mais importantes da companhia no futuro.
O dinheiro realmente poderia desaparecer?
A previsão de Musk parte da ideia de que o dinheiro é usado para administrar recursos escassos. Quando determinados produtos existem em quantidade limitada, os preços ajudam a decidir quem terá acesso a eles.
Mesmo com produção altamente automatizada, porém, alguns recursos provavelmente continuariam escassos, como terrenos bem localizados, obras de arte originais, experiências exclusivas, energia, matérias-primas e acesso a determinados serviços.
Por isso, o dinheiro poderia perder importância em algumas áreas sem necessariamente desaparecer. Produtos básicos poderiam se tornar muito baratos ou amplamente acessíveis, enquanto bens raros continuariam exigindo algum mecanismo de distribuição.
Também existe uma questão central que não é resolvida apenas pelo avanço da tecnologia: quem será dono dos robôs, dos sistemas de IA e das empresas que controlarão essa produção?
Especialistas afirmam que uma economia extremamente produtiva não garante automaticamente que a riqueza será distribuída de maneira igualitária. Sem políticas públicas, tributação e regras de acesso, a automação também poderia concentrar ainda mais renda e poder nas empresas proprietárias da tecnologia.
Transformação poderá causar desemprego e desigualdade
Antes de uma eventual era de abundância, a inteligência artificial poderá provocar um período de fortes mudanças no mercado de trabalho.
O Fundo Monetário Internacional estima que cerca de 40% dos empregos no mundo estão expostos à IA, proporção que pode chegar a aproximadamente 60% nas economias mais avançadas. Exposição, entretanto, não significa necessariamente eliminação: algumas funções poderão desaparecer, enquanto outras serão transformadas ou ganharão produtividade.
O próprio Musk reconheceu que a transição poderá causar “trauma e perturbação”. Trabalhadores que hoje dependem de funções administrativas, operacionais ou repetitivas podem enfrentar dificuldades antes que novos modelos de distribuição de renda sejam implementados.
Nesse debate, alguns especialistas defendem a criação de renda básica, programas de requalificação profissional e mecanismos para compartilhar os ganhos de produtividade. Outros consideram exageradas as previsões de desaparecimento generalizado dos empregos e lembram que tecnologias anteriores também criaram novas atividades.
Musk reconhece os riscos da própria tecnologia
Apesar do otimismo em relação à abundância, Musk continua admitindo que a inteligência artificial apresenta riscos graves.
Na mesma entrevista, ele afirmou considerar possível que sistemas avançados produzam consequências catastróficas. Segundo reportagens sobre a conversa, Musk já estimou entre 10% e 20% a possibilidade de a IA resultar em um cenário extremamente negativo para a humanidade.
O empresário também declarou que os seres humanos poderão deixar de controlar completamente a inteligência artificial dentro de uma década. Por isso, sugeriu que as principais empresas do setor realizem análises mútuas de seus modelos mais avançados antes de lançá-los.
A proposta seria criar uma espécie de revisão técnica entre concorrentes, permitindo que especialistas externos encontrem vulnerabilidades e riscos que a própria empresa desenvolvedora não identificou.
Uma previsão otimista, não uma certeza
A ideia de que o dinheiro poderá perder relevância até 2036 é uma previsão pessoal de Elon Musk, e não um consenso entre economistas ou pesquisadores.
Para que esse cenário se torne possível, seria necessário superar desafios tecnológicos, políticos e sociais. Robôs precisariam ser produzidos em grande escala, operar com segurança, utilizar energia e matérias-primas de maneira sustentável e ter seus benefícios distribuídos à população.
Mesmo que a IA consiga produzir bens em abundância, governos e sociedades ainda precisarão decidir como organizar propriedade, renda, consumo e acesso aos recursos.
A previsão de Musk, portanto, levanta uma pergunta que vai além da tecnologia: se as máquinas forem capazes de produzir quase tudo, quem terá direito aos resultados dessa produção?
Carregando resultado da apuração das urnas…