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NO SCARPA360EMPRESÁRIO PERDE R$ 324 MIL APÓS CRIMINOSOS USAREM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA SIMULAR AUDIÊNCIA JUDICIAL
Um empresário de 72 anos sofreu um prejuízo de aproximadamente R$ 324 mil após cair em um golpe que utilizou inteligência artificial para simular uma audiência judicial por videoco

Um empresário de 72 anos sofreu um prejuízo de aproximadamente R$ 324 mil após cair em um golpe que utilizou inteligência artificial para simular uma audiência judicial por videoconferência. O caso foi divulgado pelo Jornal da Record, na quinta-feira (22), e chama a atenção para a sofisticação das fraudes digitais.
A vítima, identificada como Elias José Salomão, acreditava estar participando de um procedimento legítimo da Justiça quando foi convencida a realizar três transferências bancárias.
Os criminosos utilizaram um cenário virtual que imitava uma reunião judicial, com personagens que aparentavam ser um juiz, um promotor e advogados.
O golpe começou com o contato de uma pessoa que se apresentou falsamente como advogado do empresário, informando que ele havia vencido uma ação judicial e precisava participar de uma audiência para receber os valores.
COMO OS CRIMINOSOS CONSEGUIRAM ENGANAR O EMPRESÁRIO?
Segundo a reportagem, um dos integrantes do esquema entrou em contato com Elias se passando por seu advogado.
Durante a conversa, o criminoso afirmou que uma ação judicial havia sido vencida e que seria necessário participar de uma audiência para concluir os procedimentos relacionados ao processo.
O empresário recebeu orientações para acessar uma reunião por videoconferência.
Ao entrar na chamada, encontrou um cenário que parecia reproduzir uma audiência real, com diferentes participantes e uma apresentação semelhante à utilizada em ambientes jurídicos.
A simulação foi suficiente para transmitir à vítima uma sensação de legitimidade e convencê-la de que estava diante de um procedimento judicial verdadeiro.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL FOI UTILIZADA PARA CRIAR A FALSA AUDIÊNCIA
Um dos elementos mais preocupantes do caso foi o uso de inteligência artificial na montagem do ambiente virtual.
A reportagem mostrou que os criminosos conseguiram criar uma representação visual de uma reunião judicial, simulando a participação de profissionais ligados à Justiça.
Entre as figuras apresentadas estavam pessoas que se passavam por magistrado, representante do Ministério Público e advogados.
A vara criminal mencionada pelos golpistas existe de verdade, mas a imagem utilizada na reunião foi produzida artificialmente, segundo as informações divulgadas.
A estratégia consistia em combinar referências reais do sistema judicial com elementos digitais manipulados, tornando a situação mais convincente.
A reportagem não detalhou qual ferramenta de inteligência artificial foi utilizada nem estabeleceu se todos os participantes da videoconferência eram imagens sintéticas.
VÍTIMA REALIZOU TRÊS TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS
Durante a falsa audiência, os criminosos passaram a solicitar pagamentos ao empresário.
Acreditando que os valores faziam parte de um procedimento legítimo, Elias realizou três transferências bancárias.
Ao todo, os pagamentos somaram aproximadamente R$ 324 mil.
O caso demonstra como criminosos podem utilizar a aparência de formalidade de uma reunião para convencer vítimas a realizar operações financeiras de alto valor.
A falsa participação de autoridades judiciais foi utilizada como recurso para reforçar a credibilidade das exigências.
ADVOGADO ALERTA PARA PEDIDOS DE DINHEIRO EM AUDIÊNCIAS
O advogado especialista em direito digital Danilo Pardi, ouvido pelo Jornal da Record, explicou que audiências judiciais não são realizadas com a finalidade de exigir transferências bancárias para liberar dinheiro de processos.
Segundo o especialista, esse tipo de solicitação deve ser encarado como um importante sinal de fraude.
O recebimento de valores decorrentes de ações judiciais segue procedimentos próprios, que podem ser confirmados diretamente com o advogado responsável e pelos canais oficiais do Poder Judiciário.
A orientação é desconfiar de pedidos inesperados de Pix ou transferências, principalmente quando acompanhados de pressa, pressão psicológica ou promessa de liberação imediata de valores.
EMPRESÁRIO DECIDIU PROCESSAR O BANCO
Após descobrir que havia sido enganado, Elias José Salomão decidiu recorrer à Justiça contra a instituição financeira que autorizou as transferências.
A medida busca discutir a responsabilidade do banco pelas operações realizadas durante o golpe.
Até a publicação desta reportagem, não havia informações suficientes para afirmar que a instituição financeira tenha cometido alguma irregularidade ou que a vítima obterá o ressarcimento dos valores.
A responsabilidade por transações fraudulentas depende da análise das circunstâncias, dos mecanismos de segurança adotados e das decisões judiciais aplicáveis.
O empresário relatou que, depois da experiência, passou a tomar mais cuidado com ligações e contatos recebidos de números desconhecidos.
GOLPE DO FALSO ADVOGADO JÁ PREOCUPA A OAB
O episódio se soma a outras fraudes que utilizam o nome de advogados e informações de processos judiciais para enganar cidadãos.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já alertou para o crescimento desse tipo de golpe.
Em fevereiro de 2026, a seccional do Paraná informou ter recebido 179 denúncias da modalidade apenas naquele ano, das quais 34 resultaram em prejuízo financeiro.
A entidade também identificou situações em que criminosos utilizaram inteligência artificial para reproduzir vozes de advogados, além de falsas audiências realizadas por videoconferência.
Em maio, uma operação conjunta da Polícia Civil de São Paulo e da OAB-SP investigou uma organização criminosa que utilizava recursos tecnológicos, incluindo clonagem de voz, para aplicar golpes relacionados a processos judiciais.
As investigações apontaram movimentações financeiras de aproximadamente R$ 10 milhões em seis meses.
Esses casos não foram apresentados como parte do mesmo grupo responsável pelo prejuízo sofrido por Elias.
COMO SE PROTEGER DE GOLPES QUE UTILIZAM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?
O avanço de tecnologias capazes de reproduzir rostos, vozes e ambientes virtuais torna cada vez mais difícil identificar fraudes apenas pela aparência de uma imagem ou pela voz de um interlocutor.
Por isso, especialistas recomendam adotar medidas de verificação antes de realizar pagamentos relacionados a processos judiciais.
Uma das principais orientações é entrar em contato diretamente com o advogado responsável pelo processo, utilizando um número de telefone que já seja conhecido.
Também é importante consultar os canais oficiais do tribunal para verificar informações sobre audiências, intimações e movimentações processuais.
Convites inesperados para reuniões virtuais, solicitações urgentes de transferências e pedidos de pagamento para liberar supostos créditos judiciais devem ser tratados com cautela.
A OAB orienta que vítimas ou pessoas que recebam contatos suspeitos comuniquem imediatamente o advogado verdadeiro e registrem a ocorrência junto às autoridades.
O QUE FAZER SE JÁ REALIZOU UMA TRANSFERÊNCIA?
Quando o golpe envolve uma transferência por Pix, a vítima deve procurar imediatamente sua instituição financeira e solicitar a análise do caso pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), previsto nas regras do Banco Central.
O mecanismo permite que instituições financeiras avaliem transações suspeitas de fraude e tentem recuperar os recursos disponíveis, mas não garante a devolução integral.
Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência e preservar comprovantes de transferências, mensagens, números de telefone e registros das chamadas.
Nos casos envolvendo pagamentos realizados por outros meios, a orientação é igualmente informar o banco o mais rápido possível e solicitar a contestação das operações.
CASO EXPÕE NOVOS RISCOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A fraude contra Elias José Salomão mostra como criminosos estão utilizando ferramentas digitais para tornar golpes tradicionais mais elaborados.
A combinação de uma falsa comunicação profissional, informações relacionadas à Justiça e uma reunião virtual aparentemente legítima criou um cenário capaz de convencer a vítima a transferir uma quantia elevada.
O episódio também reforça uma orientação importante: mesmo que uma pessoa apareça em vídeo, utilize linguagem jurídica ou apresente documentos aparentemente oficiais, sua identidade precisa ser confirmada por canais independentes.
Em um cenário no qual a inteligência artificial consegue produzir imagens e vozes cada vez mais realistas, a verificação da identidade dos interlocutores se torna uma medida fundamental para evitar prejuízos financeiros.
Carregando resultado da apuração das urnas…