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EX-CHEFE DE GABINETE DE LULA RECEBEU MINUTA PARA VENDA DE CANABIDIOL AO MINISTÉRIO DA SAÚDE, APONTA PF
Documento foi enviado pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e previa contratação com dispensa de licitação; Marcola confirma recebimento, mas afirma que não encamin

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
A Polícia Federal encontrou mensagens que mostram que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu uma minuta de contrato relacionada à venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
A informação foi revelada originalmente pelo jornal O Globo e posteriormente confirmada pela Folha de S.Paulo. Segundo as apurações, o documento foi encaminhado a Marcola pela empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A minuta previa a possibilidade de fornecimento dos medicamentos ao governo federal com dispensa de licitação.
Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o modelo de contrato, mas afirmou que não encaminhou o documento a integrantes do governo. Pessoas próximas ao ex-assessor disseram que ele considerou inadequado ter recebido o material e negou qualquer tipo de favorecimento à proposta.
O negócio acabou não prosperando. Segundo a Folha, as tentativas de avançar com a proposta dentro do Ministério da Saúde não tiveram continuidade. Roberta chegou a ser recebida na pasta, mas Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do ministério, sustenta que receber representantes e encaminhar demandas para análise técnica fazia parte de suas atribuições e afirma que a proposta não avançou.
As mensagens fazem parte de uma investigação mais ampla conduzida pela Polícia Federal sobre possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência envolvendo negócios relacionados à cannabis medicinal. Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a PF a investigar se Lulinha teria exercido influência junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência para favorecer a comercialização de produtos de canabidiol.
Uma das linhas da investigação envolve a relação de Roberta Luchsinger com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Segundo a apuração publicada por O Globo e reproduzida pelo UOL, Roberta teria sido contratada pelo lobista para atuar na tentativa de viabilizar a venda de canabidiol ao governo federal. Ela teria recebido R$ 1,5 milhão, divididos em cinco pagamentos de R$ 300 mil.
A empresa envolvida nas tratativas seria a World Cannabis, ligada ao Careca do INSS. A PF tenta esclarecer se houve atuação indevida para favorecer a companhia e se agentes públicos receberam pagamentos em troca de influência. Até agora, entretanto, não há conclusão da investigação apontando responsabilidade criminal dos investigados.
O Ministério da Saúde afirma que nunca teve contrato com a World Cannabis ou com os acionistas citados nas investigações e que, portanto, nunca realizou repasse de recursos públicos à empresa. A pasta também afirma que as tratativas não resultaram em contratação.
As mensagens obtidas pela PF também mostram conversas entre Roberta e Lulinha sobre negócios. Em uma delas, registrada em março de 2024 e incluída na investigação, a empresária falou sobre o futuro profissional dos dois e mencionou a Suíça. Os investigadores analisam esses diálogos para compreender qual era exatamente a participação do filho do presidente nas atividades empresariais de Roberta.
Além do episódio envolvendo o canabidiol, a investigação identificou movimentações financeiras entre Roberta e Marcola. Segundo a PF, a empresária teria pago boletos e comprado presentes a pedido do então assessor, incluindo joias destinadas ao Dia das Mães de 2024. Uma das compras teria custado aproximadamente R$ 9 mil.
Marcola afirma que esses gastos faziam parte de um empréstimo que recebeu de Roberta. Segundo ele, os valores inicialmente somaram R$ 217 mil e foram posteriormente quitados por R$ 249 mil após correção. A defesa sustenta que não houve benefício indevido.
A defesa de Lulinha informou que pretende se manifestar formalmente apenas depois de ter acesso integral ao material obtido por meio das quebras de sigilo. Os advogados também criticaram a divulgação parcial de mensagens de uma investigação que tramita sob sigilo e questionaram eventuais vazamentos do inquérito.
A defesa de Roberta Luchsinger não comentou especificamente a nova revelação, argumentando que respeita o sigilo dos autos. Em manifestações anteriores, seus advogados negaram irregularidades na atuação da empresária e contestaram a abertura de novas investigações sobre os mesmos fatos.
O caso permanece sob investigação. O ponto confirmado até agora é que a minuta chegou ao então chefe de gabinete pessoal de Lula, mas não há evidência divulgada de que Marcola tenha encaminhado o documento a outros integrantes do governo ou de que o contrato tenha sido efetivamente firmado. O próprio Ministério da Saúde afirma que a World Cannabis nunca teve contrato com a pasta e que não recebeu recursos públicos.
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