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EX-INSPETOR DA ANAC JÁ ALERTAVA SOBRE REAPROVEITAMENTO DE PEÇAS ANTES DA TRAGÉDIA DA VOEPASS

Dois anos após queda do voo 2283, investigação da PF indicia 16 pessoas e reacende questionamentos sobre alertas feitos antes do acidente

EX-INSPETOR DA ANAC JÁ ALERTAVA SOBRE REAPROVEITAMENTO DE PEÇAS ANTES DA TRAGÉDIA DA VOEPASS

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

Dois anos após a queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo, no interior de São Paulo, novas informações voltam a levantar questionamentos sobre a atuação da companhia e a fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil.

O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024 e matou todas as 62 pessoas a bordo, 58 passageiros e quatro tripulantes. O relatório final do Cenipa foi divulgado em julho deste ano.

Agora, uma denúncia revelada pelo Fantástico da Rede Globo mostra que um ex-inspetor da Anac, exonerado no ano passado após 16 anos de serviço, já havia feito alertas internos sobre problemas envolvendo empresas que deram origem à Voepass.

Segundo os documentos apresentados, em 2019 o ex-inspetor recomendou a suspensão da autorização de voo da MAP Linhas Aéreas, posteriormente incorporada à Passaredo na formação da Voepass. Ele teria apontado indícios de uso de peças sem avaliação adequada de aeronavegabilidade.

Em 2022, o mesmo ex-funcionário alertou que componentes de uma aeronave que havia sofrido acidente em Rondonópolis, no Mato Grosso, em 2016, estariam sendo reaproveitados de forma irregular.

De acordo com o relato, os alertas não teriam provocado as providências esperadas. Sem resposta interna, ele chegou a enviar informações para autoridades internacionais de aviação, como FAA e EASA. A Anac, segundo a reportagem, posteriormente desautorizou o inspetor perante essas entidades.

O ex-servidor acabou respondendo a um processo administrativo por insubordinação antes de ser exonerado.

A Anac afirma que os achados relacionados à aeronave de Rondonópolis foram analisados e que as peças passaram pelas verificações exigidas pelas normas. A agência também anunciou a abertura de processo interno para apurar eventuais responsabilidades de servidores.

PF indicia 16 pessoas

A Polícia Federal concluiu nesta semana a investigação criminal sobre o acidente e indiciou 16 pessoas.

Entre os investigados estão pilotos, funcionários de terra, gerentes, diretores e o presidente da companhia.

Segundo a PF, a apuração identificou uma cultura interna marcada por omissões e pressão para manter a operação, mesmo diante de questões relacionadas à segurança.

A investigação aponta ainda que o sistema de degelo da aeronave teria apresentado falhas anteriores que não foram devidamente registradas no diário técnico.

De acordo com os investigadores, se essas falhas tivessem sido formalmente registradas, o avião poderia ter sido impedido de decolar naquele dia.

O ATR 72-500 enfrentou condições severas de formação de gelo durante o voo entre Cascavel e Guarulhos. Gravações da cabine mostram que os pilotos perceberam problemas no sistema de degelo durante a viagem.

PF agora olha também para a fiscalização

Além da atuação da Voepass, a Polícia Federal passou a analisar possíveis falhas de fiscalização por parte da Anac.

A PF pediu o compartilhamento das provas do inquérito com a própria agência e também encaminhou elementos para análise do Ministério Público Federal, que poderá avaliar se houve eventual improbidade ou prática de crimes por agentes públicos.

A Voepass afirma que sempre teve a segurança como prioridade, que seus treinamentos seguem os protocolos exigidos e que continua colaborando com as autoridades.

A Anac cassou a autorização da companhia em junho de 2025, cerca de dez meses após a tragédia.

Dois anos depois do acidente, a investigação criminal se encerra com 16 indiciados, mas os novos elementos mostram que as consequências do caso ainda podem avançar para outras frentes.

10 de ago. de 2026 · Redação Scarpa360