SCARPA360A visão completa da notíciaPORTAL · RÁDIO · TV
A visão completa
da notícia
Segurança

FAB INTERROMPE VOO DE FOGUETE SUL-COREANO 35 SEGUNDOS APÓS LANÇAMENTO NO MARANHÃO

SEBIT desviou da trajetória prevista pouco depois de decolar do Centro de Lançamento de Alcântara e caiu no mar dentro de uma área de segurança; não houve feridos.

FAB INTERROMPE VOO DE FOGUETE SUL-COREANO 35 SEGUNDOS APÓS LANÇAMENTO NO MARANHÃO

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

A Força Aérea Brasileira (FAB) interrompeu o voo do foguete sul-coreano SEBIT depois que o veículo apresentou uma alteração na trajetória prevista durante seu primeiro voo de teste realizado a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. O lançamento ocorreu na tarde desta quarta-feira (19), por volta das 16h30.

Desenvolvido pela empresa sul-coreana Innospace, o foguete deixou a plataforma normalmente, mas, durante a subida, os sistemas responsáveis pelo acompanhamento do voo identificaram que o veículo estava se afastando da rota estabelecida para a missão.

Diante da anomalia, a FAB acionou o Sistema de Terminação de Voo, mecanismo de segurança utilizado para encerrar uma missão quando um foguete deixa os limites previstos de trajetória. A interrupção ocorreu aproximadamente 35 segundos após a decolagem.

Após o encerramento do voo, o SEBIT caiu no Oceano Atlântico, dentro da zona de segurança marítima definida previamente para a operação. Não houve registro de feridos nem de danos às instalações do Centro de Lançamento de Alcântara.

O acionamento do sistema faz parte dos protocolos adotados para impedir que veículos espaciais que apresentem comportamento anormal durante o voo possam alcançar regiões fora das áreas controladas. A causa técnica que provocou o desvio do SEBIT ainda deverá ser determinada a partir da análise dos dados coletados durante a missão.

O SEBIT é um foguete suborbital de estágio único criado pela Innospace para realizar testes tecnológicos e transportar equipamentos e experimentos para regiões de alta altitude. Diferentemente de lançadores orbitais, o veículo não foi desenvolvido para colocar satélites em órbita terrestre.

Segundo informações divulgadas pela própria empresa antes do lançamento, o foguete utiliza um motor híbrido da classe de três toneladas de empuxo e foi projetado para realizar missões que podem alcançar altitudes de até 100 quilômetros.

O voo desta quarta-feira tinha como objetivo reunir informações sobre o funcionamento do veículo em condições reais, incluindo desempenho do motor, características de voo, sistemas de orientação, navegação, controle, telemetria e segurança. Esses dados fazem parte do processo de desenvolvimento da tecnologia para futuras operações.

Dias antes da missão, a Innospace havia concluído uma série de testes preparatórios. Em 3 de agosto, na Coreia do Sul, o motor do SEBIT funcionou durante 83 segundos em um ensaio que reproduziu condições previstas para o voo. Já em 14 de agosto, em Alcântara, a companhia realizou o chamado Wet Dress Rehearsal, uma simulação completa dos procedimentos de lançamento.

A missão também marcou o primeiro contrato de utilização do centro intermediado pela ALADA, estatal brasileira criada para ampliar a exploração comercial da infraestrutura aeroespacial do país. O Centro de Lançamento de Alcântara permanece sob responsabilidade da Força Aérea Brasileira.

O episódio ocorre cerca de oito meses depois de outro problema envolvendo um foguete da Innospace em Alcântara. Em dezembro de 2025, o HANBIT-Nano sofreu uma falha aproximadamente 33 segundos depois da decolagem durante uma missão que buscava realizar o primeiro lançamento comercial orbital a partir do território brasileiro.

A investigação daquele episódio identificou uma falha no primeiro estágio do veículo. A Innospace realizou modificações no projeto e pretende fazer uma nova tentativa com o HANBIT-Nano em novembro de 2026.

Até o momento, não está definido se o problema registrado no voo do SEBIT poderá provocar mudanças nesse cronograma. A empresa deverá analisar os dados de telemetria e demais informações registradas durante os cerca de 35 segundos de voo para determinar a origem do desvio de trajetória.

20 de ago. de 2026 · Redação Scarpa360