SCARPA360A visão completa da notíciaPORTAL · RÁDIO · TV
A visão completa
da notícia
Internacional

FBI APURA MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS DA FEDERAÇÃO ARGENTINA POR SUSPEITA DE FRAUDE E LAVAGEM DE DINHEIRO

Investigação mira operações ligadas à AFA nos Estados Unidos, em meio a denúncias sobre empresas, contratos internacionais e repasses milionários

FBI APURA MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS DA FEDERAÇÃO ARGENTINA POR SUSPEITA DE FRAUDE E LAVAGEM DE DINHEIRO
Imagem: MICHAEL REAVES/Getty Images via AFP

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

A Associação do Futebol Argentino, a AFA, voltou ao centro de uma crise fora dos gramados. Segundo reportagens publicadas por veículos como La Nación, Metrópoles, Lance! e NDTV Sports, autoridades dos Estados Unidos, incluindo o FBI, apuram movimentações financeiras ligadas à entidade em território americano, sob suspeita de possíveis crimes como fraude bancária e lavagem de dinheiro.

A investigação teria como foco operações feitas por meio do sistema financeiro dos EUA e ligadas à gestão de receitas internacionais da AFA. O caso envolve contratos comerciais, patrocínios, direitos de transmissão, amistosos e empresas responsáveis por administrar valores da federação fora da Argentina. A entidade é presidida por Claudio “Chiqui” Tapia, dirigente que já vinha sendo pressionado por outras investigações e disputas políticas no futebol argentino.

Um dos nomes citados nas reportagens é a empresa TourProdEnter LLC, sediada na Flórida, que teria sido autorizada a operar receitas da AFA no exterior. Segundo a apuração original repercutida por veículos internacionais, a empresa teria movimentado pelo menos US$ 260 milhões em contas abertas em instituições financeiras americanas, incluindo bancos como Citibank, Bank of America, JP Morgan, PNC Bank e Synovus. Parte dos recursos teria sido vinculada a despesas operacionais identificáveis, mas outra parcela teria sido repassada a empresas e beneficiários sem justificativa econômica clara, segundo os documentos analisados pela imprensa argentina.

A suspeita ganhou força porque algumas dessas transferências teriam envolvido empresas registradas na Flórida sem estrutura aparente, sem funcionários ou atividade comercial declarada. Também são citados repasses para estruturas financeiras no Uruguai e nas Ilhas Virgens Britânicas, além de gastos considerados incompatíveis ou de difícil explicação, como despesas com aviões privados, iates e imóveis.

O caso atual não surgiu do nada. A AFA já vinha enfrentando uma sequência de investigações na Argentina. Em dezembro de 2025, a polícia argentina realizou mais de 30 buscas simultâneas na sede da federação e em clubes do país, incluindo equipes tradicionais como Independiente, Racing e San Lorenzo. Na ocasião, as autoridades investigavam vínculos entre clubes, a AFA e a empresa Sur Finanzas, suspeita de lavagem de dinheiro e evasão fiscal.

De acordo com a Associated Press, a denúncia envolvendo a Sur Finanzas citava supostas transações ilícitas que somariam cerca de 818 bilhões de pesos argentinos, aproximadamente US$ 560 milhões. A investigação buscava contratos, documentos e registros eletrônicos que pudessem ajudar a rastrear o caminho do dinheiro entre a empresa financeira, clubes e a federação.

Outro desdobramento citado por Reuters envolve uma mansão em Pilar, na região metropolitana de Buenos Aires, que passou a ser investigada após denúncias sobre possível ligação com dirigentes da AFA. Durante buscas, autoridades encontraram um heliporto, estábulos e dezenas de veículos, incluindo carros de luxo. A denúncia apontava suspeita de que o imóvel pudesse servir como fachada em um esquema de lavagem de dinheiro ligado a pessoas próximas à cúpula do futebol argentino.

A pressão também recai diretamente sobre Claudio Tapia. Segundo o Buenos Aires Times, a Justiça argentina investiga três frentes principais envolvendo a gestão da AFA: suposta retenção indevida de tributos, a administração dos prêmios da Copa do Mundo de 2022 e movimentações financeiras ligadas à Sur Finanzas. Tapia chegou a ser intimado e teve restrições impostas para deixar o país, segundo a publicação.

O momento da nova apuração chama atenção porque ocorre durante a disputa da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá. A seleção argentina avançou no torneio, mas a crise nos bastidores passou a dividir espaço com a campanha dentro de campo. Para a imprensa internacional, o contraste é evidente: enquanto a equipe tenta defender seu protagonismo esportivo, a federação enfrenta uma das maiores turbulências institucionais dos últimos anos.

Apesar da gravidade das suspeitas, é importante destacar que, até o momento, não há confirmação pública de acusação criminal formal nos Estados Unidos contra a AFA ou contra Claudio Tapia. As informações disponíveis apontam para uma investigação em andamento sobre movimentações financeiras e possíveis irregularidades. A entidade argentina, em manifestações anteriores sobre investigações internas, negou irregularidades e atribuiu parte das acusações a disputas políticas no país.

Caso as suspeitas avancem nos Estados Unidos, o impacto pode ser grande. Uma investigação conduzida em território americano pode envolver quebra de sigilo bancário, análise de transferências internacionais, cooperação entre autoridades e eventual responsabilização de empresas ou pessoas que tenham usado bancos dos EUA para movimentar valores suspeitos. Em casos desse tipo, o uso do sistema financeiro americano costuma ampliar a jurisdição das autoridades dos Estados Unidos.

O episódio coloca a AFA em uma posição delicada. Além de lidar com questionamentos internos na Argentina, a federação agora vê suas operações internacionais sob escrutínio. Ainda não há decisão final, punição ou denúncia formal anunciada publicamente, mas o caso já representa um novo desgaste para a gestão de Claudio Tapia e reacende o debate sobre transparência, governança e controle financeiro no futebol sul-americano.

08 de jul. de 2026 · Redação Scarpa360