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GILMAR DEFENDE RETIRADA DE DELEGADOS DA PF DOS GABINETES DO STF
Decano avalia que proximidade entre policiais e ministros pode gerar interferências em investigações e ampliar crises internas na Corte

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu que delegados da Polícia Federal deixem de atuar diretamente nos gabinetes dos ministros da Corte.
A proposta deve ser reforçada ao presidente do Supremo, Edson Fachin, em meio à escalada da crise envolvendo o ministro André Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, Gilmar avalia que a presença de delegados lotados em gabinetes de ministros pode aumentar o risco de interferências no andamento de investigações e arrastar o STF para novas crises institucionais.
Atualmente, há delegados atuando em gabinetes como os de Alexandre de Moraes e Luiz Fux.
A preocupação do decano ganhou força após o agravamento das tensões em torno do caso Banco Master. Mendonça, relator da investigação, determinou o levantamento do sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e referências a Moraes, Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A divulgação dos documentos aumentou o clima de tensão dentro do Supremo e também na relação entre o Judiciário e a cúpula da Polícia Federal.
De um lado, integrantes da PF têm reclamado de interferências na condução de investigações. Do outro, o gabinete de Mendonça aponta demora no avanço de apurações consideradas sensíveis.
Mendonça concentra sob sua relatoria investigações de forte repercussão política e eleitoral. Entre elas estão apurações relacionadas ao Banco Master, fraudes em descontos do INSS e inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A crise aumentou ainda mais após a revelação de mensagens em que Vorcaro menciona Andrei Rodrigues e Paulo Gonet ao tratar de medidas que poderiam atingir o Banco Master.
Em um dos registros divulgados, Vorcaro escreveu a Alexandre de Moraes: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso.”
A cúpula da PF também demonstrou incômodo com o fato de Daniel Vorcaro ter sido ouvido por um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, na presença de um representante da PGR. Durante o depoimento, o ex-banqueiro afirmou que uma suposta blindagem a um diretor da Polícia Federal teria impedido uma delação.
Segundo a Folha, Andrei Rodrigues demonstrou forte insatisfação com a condução de Mendonça e classificou como abuso de poder algumas medidas adotadas no âmbito das investigações.
Na avaliação de Gilmar Mendes, a solução passa por estabelecer uma separação mais clara entre a atividade dos magistrados e a atuação dos delegados da Polícia Federal.
A proposta ainda precisa ser discutida internamente e não há, até o momento, uma decisão formal do STF sobre eventual retirada desses profissionais dos gabinetes.
O tema, porém, deve ganhar espaço nas próximas conversas entre os ministros, especialmente diante do ambiente de tensão provocado pelos desdobramentos do caso Master.
Carregando resultado da apuração das urnas…