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GOVERNO ARRECADA R$ 11,1 BILHÕES COM JOGOS E APOSTAS EM NOVE MESES, ALTA DE 55%, REVELA RECEITA FEDERAL

O governo federal arrecadou R$ 11,12 bilhões em impostos e contribuições relacionados às atividades de exploração de jogos de azar e apostas entre janeiro e setembro de 2026. Os da

GOVERNO ARRECADA R$ 11,1 BILHÕES COM JOGOS E APOSTAS EM NOVE MESES, ALTA DE 55%, REVELA RECEITA FEDERAL

O governo federal arrecadou R$ 11,12 bilhões em impostos e contribuições relacionados às atividades de exploração de jogos de azar e apostas entre janeiro e setembro de 2026. Os dados foram divulgados pela Receita Federal na quinta-feira (22) e mostram um crescimento expressivo da receita tributária do setor.

O valor representa uma alta real de 55,1% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram arrecadados aproximadamente R$ 7,17 bilhões. Os números consideram a correção pela inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O resultado também ultrapassou toda a arrecadação registrada no ano passado. Em 2025, o governo recolheu cerca de R$ 9,95 bilhões com atividades classificadas no setor de jogos e apostas.

A divulgação ocorre em meio a uma mudança significativa na política brasileira para o mercado de apostas, depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou uma medida provisória que proibiu a exploração e a publicidade das chamadas bets no país.

ARRECADAÇÃO CRESCE QUASE R$ 4 BILHÕES EM RELAÇÃO A 2025

O crescimento da arrecadação com jogos e apostas foi um dos destaques do balanço tributário apresentado pela Receita Federal.

Entre janeiro e setembro de 2025, as empresas do segmento recolheram aproximadamente R$ 7,17 bilhões em tributos federais.

No mesmo período de 2026, o montante chegou a R$ 11,12 bilhões.

A diferença é de aproximadamente R$ 3,95 bilhões, considerando os valores divulgados para comparação.

O aumento real de 55,1% significa que o crescimento permaneceu elevado mesmo após descontar os efeitos da inflação.

Outro dado chama a atenção: em apenas nove meses, a arrecadação de 2026 superou em cerca de R$ 1,17 bilhão o resultado de todo o ano anterior.

Isso representa uma expansão de aproximadamente 11,7% em relação aos R$ 9,95 bilhões registrados durante os 12 meses de 2025.

O QUE ESTÁ INCLUÍDO NOS R$ 11,12 BILHÕES?

O montante divulgado pela Receita Federal corresponde à arrecadação de tributos das empresas classificadas na atividade econômica de exploração de jogos de azar e apostas.

Essa categoria inclui as plataformas de apostas esportivas, os jogos on-line e outras atividades relacionadas ao setor.

Os valores abrangem impostos e contribuições federais, como Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS e Cofins.

Por esse motivo, o total não deve ser interpretado como uma arrecadação exclusiva das bets esportivas ou como o lucro obtido pelas empresas.

Também não representa a soma de todo o dinheiro apostado pelos brasileiros.

Trata-se especificamente da receita tributária federal associada às atividades econômicas classificadas nesse segmento.

SETEMBRO REGISTROU ARRECADAÇÃO SUPERIOR A R$ 1,2 BILHÃO

Somente em setembro, a arrecadação federal com jogos e apostas ficou próxima de R$ 1,2 bilhão.

O resultado manteve a contribuição expressiva do setor para os cofres públicos, embora o crescimento acumulado ao longo de 2026 tenha variado entre os meses.

Segundo os dados apresentados pela Receita, o resultado acumulado até agosto havia alcançado R$ 9,91 bilhões.

Com a arrecadação de setembro, o total avançou para aproximadamente R$ 11,12 bilhões.

O desempenho ocorreu antes de os efeitos da proibição das bets começarem a aparecer de forma mais clara nas estatísticas tributárias.

GOVERNO LULA ANUNCIOU PROIBIÇÃO DAS BETS

O aumento da arrecadação contrasta com a decisão do governo federal de proibir a exploração das apostas de quota fixa no país.

Em 25 de setembro de 2026, o presidente Lula editou a Medida Provisória nº 1.394, que estabeleceu a proibição da exploração, oferta e publicidade dessas modalidades em território nacional.

A medida atingiu tanto plataformas de apostas esportivas quanto jogos on-line associados às casas de apostas.

O governo justificou a iniciativa com preocupações relacionadas ao endividamento das famílias, à dependência em jogos e aos impactos sociais da expansão desse mercado.

A medida provisória possui força de lei desde sua publicação, mas depende de análise e aprovação do Congresso Nacional para se transformar definitivamente em lei.

Caso não seja aprovada dentro do prazo constitucional, poderá perder sua eficácia.

FIM DAS BETS PODE REDUZIR ARRECADAÇÃO DO GOVERNO

A proibição das apostas de quota fixa também provoca discussões sobre os impactos fiscais da medida.

Isso porque o mercado regulado passou a representar uma fonte importante de arrecadação federal.

Estimativas divulgadas antes da proibição indicavam que a saída das plataformas autorizadas poderia reduzir a receita tributária do governo em centenas de milhões de reais por mês.

Uma projeção divulgada pela CNN Brasil apontou que, se o ritmo anterior de crescimento fosse mantido, a arrecadação associada ao setor poderia alcançar aproximadamente R$ 5,25 bilhões apenas no último trimestre de 2026.

Entretanto, essa projeção foi realizada antes da mudança regulatória e não deve ser interpretada como uma previsão oficial.

Também é necessário considerar que a categoria tributária divulgada pela Receita inclui atividades que não estão necessariamente abrangidas pela medida de proibição.

Por isso, não é possível afirmar que todo o valor de R$ 11,12 bilhões deixará de ser arrecadado nos próximos períodos.

REGULAMENTAÇÃO DAS APOSTAS AMPLIOU CONTROLE TRIBUTÁRIO

O mercado brasileiro de apostas de quota fixa passou a operar sob regras federais mais rigorosas a partir de janeiro de 2025.

Com a regulamentação, empresas interessadas em atuar legalmente precisaram cumprir exigências de autorização, identificação dos apostadores, prevenção à lavagem de dinheiro e recolhimento de tributos.

O objetivo era estabelecer maior controle sobre uma atividade que já movimentava grandes valores no país.

O aumento da fiscalização e da formalização das operações contribuiu para ampliar a visibilidade das receitas obtidas pelo governo.

Ao mesmo tempo, o crescimento das apostas levantou preocupações sobre o uso excessivo dessas plataformas e possíveis impactos no orçamento das famílias.

APOSTAS TAMBÉM SÃO ALVO DE INVESTIGAÇÕES

O setor também passou a receber atenção crescente de órgãos responsáveis pela fiscalização tributária e pelo combate a crimes financeiros.

Em agosto de 2026, a Receita Federal participou de operações voltadas à investigação de suspeitas de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e atuação irregular de empresas ligadas ao mercado de apostas.

Na Operação Jogo de Sombras, realizada em parceria com o Ministério Público Federal, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Paraíba e São Paulo.

O objetivo foi apurar possíveis irregularidades relacionadas à exploração de plataformas de apostas esportivas.

A Receita também instaurou procedimentos fiscais com potencial de recuperação de aproximadamente R$ 300 milhões.

Essas investigações são independentes do balanço geral de arrecadação divulgado em outubro e não significam que todas as empresas do setor estejam envolvidas em irregularidades.

ARRECADAÇÃO FEDERAL TAMBÉM CRESCEU EM 2026

O desempenho do setor de jogos e apostas foi divulgado no contexto do balanço geral das receitas federais.

De janeiro a setembro de 2026, a arrecadação total do governo chegou a aproximadamente R$ 2,35 trilhões, segundo a Receita Federal.

Somente em setembro, o recolhimento de impostos e contribuições alcançou R$ 239,4 bilhões.

O crescimento foi influenciado por diferentes setores econômicos e por mudanças tributárias, incluindo receitas relacionadas à exportação de petróleo.

As atividades de jogos e apostas se destacaram pela velocidade do crescimento, com expansão real superior a 55% em relação ao mesmo período do ano anterior.

RESULTADO EXPÕE CONTRASTE ENTRE ARRECADAÇÃO E PROIBIÇÃO

Os números divulgados pela Receita Federal evidenciam o peso financeiro que o mercado de jogos e apostas passou a representar para os cofres públicos.

Em apenas nove meses, as empresas do setor contribuíram com mais de R$ 11 bilhões em tributos federais, superando toda a arrecadação de 2025.

Ao mesmo tempo, o governo decidiu interromper a exploração das apostas de quota fixa, alegando preocupações relacionadas aos efeitos sociais e financeiros da atividade.

A combinação desses fatores coloca o Brasil diante de um debate sobre arrecadação tributária, proteção dos consumidores, fiscalização e combate ao mercado ilegal.

Os dados dos próximos meses deverão mostrar como a mudança regulatória afetará a arrecadação e quais atividades continuarão contribuindo para os resultados tributários do setor.