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HOUTHIS ATACAM ARÁBIA SAUDITA, OLEODUTO ESTRATÉGICO É PARALISADO E PETRÓLEO SUPERA US$ 109
Escalada no Oriente Médio ameaça uma das principais rotas alternativas ao Estreito de Ormuz; interrupção prolongada do oleoduto saudita pode retirar do mercado até 4% da oferta mun

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
A tensão no Oriente Médio voltou a aumentar nesta segunda-feira (14) e já provoca efeitos diretos no mercado internacional de energia. Os houthis, grupo do Iêmen alinhado ao Irã, afirmaram ter lançado dezenas de mísseis e drones contra uma base militar em Khamis Mushait, no sul da Arábia Saudita, enquanto um ataque separado tirou de operação o estratégico oleoduto Leste-Oeste do país.
Segundo os houthis, o ataque contra a base saudita atingiu hangares de aeronaves, sistemas de radar, pistas e depósitos de munição. O grupo afirmou que a ofensiva foi uma resposta aos ataques aéreos realizados pela Arábia Saudita no Iêmen nos últimos dias. Autoridades sauditas emitiram alertas de emergência em Khamis Mushait e em outras cidades do sul do país.
Oleoduto usado para contornar Ormuz é atingido
Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita enfrenta uma ameaça importante à sua infraestrutura energética.
O chamado oleoduto Leste-Oeste, que cruza a Península Arábica e transporta petróleo até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, foi fechado após ataques com drones. Riad atribuiu a ação a combatentes apoiados pelo Irã no Iraque.
A rota é considerada estratégica porque permite que o petróleo saudita seja exportado sem passar pelo Estreito de Ormuz, hoje fortemente afetado pelo conflito regional.
Nos últimos meses, a Arábia Saudita vinha utilizando o oleoduto para redirecionar cerca de 4 milhões de barris por dia, volume equivalente a aproximadamente 4% da oferta mundial de petróleo.
Estoques podem durar apenas alguns dias
Fontes do setor ouvidas pela Reuters estimam que os estoques disponíveis no porto de Yanbu sejam suficientes para manter as exportações por apenas cinco a sete dias caso o oleoduto não volte a operar.
As estimativas para o reparo variam. Uma fonte afirmou que os danos poderiam levar entre cinco e seis semanas para serem totalmente corrigidos, enquanto outra avaliou que parte da operação poderia ser retomada antes. O governo saudita ainda não divulgou prazo oficial para a recuperação da infraestrutura.
Petróleo passa de US$ 109
A reação dos mercados foi imediata.
Os contratos futuros do petróleo Brent avançaram mais de 4% e ultrapassaram US$ 109 por barril nesta segunda-feira, refletindo o temor de uma interrupção ainda maior no fornecimento global.
Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel também atingiu um novo recorde, superando US$ 6,23 por galão, segundo informações reunidas pela Reuters.
A pressão ocorre em um momento em que a oferta mundial de petróleo já está reduzida. Segundo a Agência Internacional de Energia, a produção global pode cair cerca de 5,7 milhões de barris por dia em 2026, o equivalente a aproximadamente 6%.
Reunião com Irã é adiada
As tentativas diplomáticas também sofreram um revés.
Omã deveria receber nesta segunda-feira uma reunião entre países do Golfo e o Irã para discutir possíveis acordos relacionados à reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o comércio mundial de petróleo.
O encontro, porém, foi adiado. O chanceler de Omã, Badr Albusaidi, confirmou o adiamento. Já o Irã afirmou que a decisão ocorreu a pedido da Arábia Saudita. Ainda não há nova data definida.
Houthis avançam no Iêmen
A ofensiva ocorre em meio a uma nova escalada da guerra no Iêmen. Na semana passada, os houthis avançaram sobre áreas estratégicas e tomaram a ilha de Perim, localizada no estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho.
O controle dessa região aumenta a preocupação internacional porque Bab el-Mandeb é outra passagem essencial para navios que transportam petróleo, gás e mercadorias entre Ásia, Oriente Médio e Europa.
Com Ormuz pressionado, o oleoduto saudita temporariamente fora de operação e a tensão crescente no Mar Vermelho, o mercado acompanha o risco de uma nova alta dos combustíveis e de efeitos sobre inflação e juros em diferentes países.
Carregando resultado da apuração das urnas…