Mais notícias
NO SCARPA360Notícias e peças publicitárias consultadas no Scarpa360 em 06/09/2026. Distribuição demonstrativa para avaliação visual; a programação de rádio e TV é ilustrativa.
LISTA ACHADA NA CHURRASQUEIRA DE CIRO CITA ARTHUR LIRA, HUGO MOTTA E ELMAR AO LADO DE NÚMEROS
Documento manuscrito traz referências que a PF associa a Arthur Lira, Hugo Motta e outros parlamentares; funcionária afirmou que senador teria pedido que papéis fossem queimados. I

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
A Polícia Federal encontrou na churrasqueira da residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), no Lago Sul, em Brasília, um manuscrito intitulado “CÂMARA” contendo primeiros nomes e números que, na avaliação dos investigadores, podem estar relacionados a parlamentares e a possíveis valores.
O documento foi apreendido em 7 de maio de 2026, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura as relações de Ciro Nogueira com Daniel Vorcaro e o Banco Master. O conteúdo tornou-se público após a ampliação da retirada de sigilo determinada pelo ministro André Mendonça, do STF, nesta sexta-feira (11).
O que estava escrito na lista
O papel trazia a palavra “CÂMARA” no topo e a seguinte relação:
Arthur — 40
Hugo — 10
Elmar — 10
Luizinho — 10
Adolfo — 10
Isnaldo — 5
Diego — 5
Altineu — 5
Netinho — 5
A reprodução do manuscrito divulgada nesta sábado confirma essa sequência. Não há, contudo, indicação de moeda ou explicação sobre o que exatamente representam os números.
Segundo a PF, parte dos nomes provavelmente corresponde a Arthur Lira (PP-AL), Hugo Motta (Republicanos-PB), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ), Adolfo Viana (PSDB-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
Os nomes “Diego”, “Altineu” e “Netinho” também aparecem no papel. O relatório citado pelo UOL não identifica formalmente os três. A Folha observou, porém, que o único deputado chamado Altineu na Câmara é Altineu Côrtes (PL-RJ).

PF fala em “prováveis valores”
Ao analisar o manuscrito, a Polícia Federal registrou que, ao lado de cada nome, aparecem números e outras anotações que seriam “provavelmente” valores.
A própria corporação, no entanto, ressalvou que o conteúdo “carece de esclarecimento”. Portanto, neste momento, não há confirmação de que os números representem pagamentos, propina, repasses ou qualquer outra movimentação financeira.
Também não há prova, apenas a partir desse papel, de que os deputados citados tenham recebido recursos.
Esse cuidado é fundamental: a existência do nome no documento não significa envolvimento em crime.
Funcionária diz que Ciro pediu que documentos fossem queimados
Um dos elementos que mais chamou atenção dos investigadores foi o local em que os papéis estavam.
Segundo o relatório da PF, uma funcionária identificada como Débora afirmou que os documentos encontrados na churrasqueira haviam sido entregues por Ciro Nogueira para serem queimados, sob a justificativa de que eram papéis antigos ou sem serventia.
A funcionária relatou que não conseguiu queimá-los por “ausência de tempo hábil” antes da chegada dos policiais.
A PF informou que o material seguiria para análise contextualizada da equipe responsável pela investigação.
Dinheiro, relógios e veículos também foram apreendidos
A busca na residência de Ciro Nogueira não se limitou aos documentos.
Segundo o relatório policial, foram encontrados no escritório do senador:
US$ 27.735,
€ 1.555,
e 890 liras turcas.
Os valores em moeda estrangeira foram encaminhados à Caixa Econômica Federal para custódia.
Os agentes também localizaram relógios de luxo, aparelhos eletrônicos, veículos e outros objetos.
Entre os relógios descritos pela PF estavam peças aparentemente das marcas Rolex e Patek Philippe, que foram encaminhadas para perícia. Também foram citados uma BMW 440i e uma motocicleta Honda CB1000R.
O relatório registrou ainda vinhos e uísques de alto valor, bolsas de grife e malas de viagem com etiquetas em nomes de terceiros. A PF classificou o conjunto como indício de “riqueza aparente”, embora a posse desses bens, isoladamente, não represente irregularidade.
Investigação sobre Ciro e o Banco Master
Ciro Nogueira é investigado em uma das frentes da Operação Compliance Zero.
A Polícia Federal apura se o senador recebeu vantagens de Daniel Vorcaro em troca de atuação favorável aos interesses do Banco Master no Congresso.
Em documentos anteriores, a PF apontou suspeitas de pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de viagens internacionais, hospedagens, voos particulares e outras despesas atribuídas ao grupo de Vorcaro. A defesa nega irregularidades.
Os investigadores também já relacionaram Ciro a uma emenda legislativa que aumentaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF, medida que poderia beneficiar a estratégia de captação do Master.
Ciro nega ter praticado atos ilícitos e sua defesa afirma que as medidas investigativas foram baseadas em interpretações precipitadas de mensagens de terceiros.
O que dizem os citados
A assessoria de Arthur Lira afirmou que o deputado desconhece as anotações e, por isso, não pode responder pelo conteúdo do documento.
Elmar Nascimento disse à Folha que os registros mostram números, e não necessariamente valores, e declarou não ter relação política com Ciro Nogueira. Também questionou a atuação da Polícia Federal no caso.
Hugo Motta, Doutor Luizinho, Adolfo Viana, Isnaldo Bulhões e Altineu Côrtes não haviam respondido aos questionamentos da Folha até a publicação da reportagem.
Ciro Nogueira não comentou especificamente o manuscrito quando procurado nesta sábado. Sua defesa já havia afirmado anteriormente que o senador não participou de atividades ilícitas e que está à disposição para prestar esclarecimentos.
A investigação segue em andamento.
Carregando resultado da apuração das urnas…