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MACACO DE PELAGEM PRETA E LÁBIOS ALARANJADOS É RECONHECIDO COMO NOVA ESPÉCIE NO CONGO
O animal vive nas florestas do Parque Nacional de Lomami, na região centro-leste do país, e é chamado pelos moradores locais de Likweli. A descrição científica foi publicada em 15

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
Uma espécie de macaco conhecida há anos por comunidades da República Democrática do Congo foi oficialmente descrita pela ciência. Batizado de Colobus congoensis, o primata chama atenção pela pelagem predominantemente preta, pela mancha alaranjada ao redor da boca e pelos sons graves usados para se comunicar.
O animal vive nas florestas do Parque Nacional de Lomami, na região centro-leste do país, e é chamado pelos moradores locais de Likweli. A descrição científica foi publicada em 15 de julho na revista PLOS One, após anos de observações de campo, análises genéticas, estudos anatômicos e gravações de vocalizações.
DESCOBERTA COMEÇOU COM UMA FOTO INCOMPLETA
O primeiro registro conhecido pelos pesquisadores ocorreu em 2008, quando uma fotografia mostrou apenas parte de um animal com aparência diferente dos outros macacos encontrados na região.
A imagem despertou a suspeita de que poderia existir ali uma espécie ainda não identificada. Somente cerca de dez anos depois novas expedições conseguiram fotografar o primata em diferentes pontos da floresta.
Entre 2018 e 2022, as equipes realizaram 114 observações, concentradas em uma área estimada de aproximadamente 1.700 quilômetros quadrados. A maior parte dos registros ocorreu em florestas altas, fechadas e de difícil acesso.
O QUE TORNA O LIKWELI DIFERENTE
O Likweli é menor do que outras espécies do gênero Colobus e possui características físicas bastante marcantes.
Além da pelagem escura, apresenta uma mancha de tom creme-alaranjado ao redor da boca, do nariz e do filtro labial. Também possui uma marca branca na região traseira do corpo.
Os pesquisadores observaram que o animal costuma viver em pequenos grupos, com média de pouco mais de seis indivíduos, e frequentemente se desloca ao lado de outras espécies de primatas.
As vocalizações também ajudaram na identificação. O macaco produz rugidos e sons semelhantes a bufos, diferentes dos registrados em outros primatas da região.
TESTES GENÉTICOS CONFIRMARAM A NOVA ESPÉCIE
As análises de DNA mostraram que o Likweli pertence ao gênero Colobus, mas representa uma linhagem própria.
Seu parente mais próximo é o colobo-negro, conhecido cientificamente como Colobus satanas. As duas espécies, porém, vivem separadas por mais de 1.200 quilômetros.
Os dados genéticos, somados às diferenças físicas, comportamentais e acústicas, permitiram aos cientistas concluir que o animal não era apenas uma população isolada de outra espécie já conhecida.
MORADORES JÁ CONHECIAM O ANIMAL
Embora seja novo para a classificação científica, o macaco não era desconhecido pelas populações locais.
Moradores da etnia Balanga já utilizavam o nome Likweli para se referir ao primata. Em algumas comunidades Mituku, ele também era chamado de “sacudidor de galhos”.
Mesmo assim, o animal é considerado raro e discreto. Em um levantamento realizado em 52 localidades próximas à área de ocorrência, apenas moradores de oito delas conseguiram reconhecer e descrever corretamente a espécie.
A participação das comunidades foi fundamental para orientar os pesquisadores e localizar os pontos onde o macaco ainda podia ser encontrado.
APENAS A QUINTA NOVA ESPÉCIE DE MACACO AFRICANO EM 75 ANOS
A descoberta é considerada incomum porque novas espécies de primatas africanos raramente são identificadas.
Segundo o estudo, o Colobus congoensis é apenas a quinta nova espécie de macaco africano descoberta nos últimos 75 anos.
O achado também reforça a importância da Bacia do Congo, uma das regiões de maior biodiversidade do planeta e ainda pouco estudada em várias áreas.
ESPÉCIE JÁ PODE ESTAR AMEAÇADA
Apesar de ter acabado de ser reconhecido, o Likweli já enfrenta riscos.
Os pesquisadores recomendam que ele seja classificado preliminarmente como ameaçado de extinção, principalmente por causa da pequena área de distribuição, da população reduzida, da caça e da expansão de comunidades humanas próximas à floresta.
O estudo aponta que novos vilarejos surgiram nos últimos anos dentro ou ao redor da área ocupada pela espécie, aumentando a pressão sobre o habitat.
Para os cientistas, a proteção do Parque Nacional de Lomami e o envolvimento das comunidades no combate à caça serão essenciais para garantir a sobrevivência do novo primata.
A descoberta mostra que, mesmo em pleno século XXI, ainda existem animais de grande porte aguardando reconhecimento científico em regiões pouco exploradas.
Carregando resultado da apuração das urnas…