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MARCO AURÉLIO DIZ SE ARREPENDER DE TER APOIADO MORAES AO STF E AFIRMA QUE MINISTRO “VEM ERRANDO A MÃO”

Ministro aposentado do Supremo classificou como “seríssimos” os fatos revelados no caso Banco Master, defendeu a atuação de André Mendonça e cobrou transparência da Corte

MARCO AURÉLIO DIZ SE ARREPENDER DE TER APOIADO MORAES AO STF E AFIRMA QUE MINISTRO “VEM ERRANDO A MÃO”
Imagem: Carlos Moura/SCO/STF

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou neste sábado (5) que se arrepende de ter apoiado, em 2017, a indicação de Alexandre de Moraes para uma cadeira na Suprema Corte. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil, em meio à crise institucional provocada pelas revelações envolvendo Moraes, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e as investigações do Banco Master.

Ao recordar o momento em que defendeu o nome de Moraes, Marco Aurélio utilizou uma expressão direta: “Se arrependimento matasse, eu não estaria aqui”. Segundo ele, na época considerou que Moraes reunia experiência suficiente para ocupar o cargo, citando sua trajetória como professor universitário, integrante do Ministério Público, secretário de Segurança Pública de São Paulo e ministro da Justiça.

Moraes foi indicado pelo então presidente Michel Temer em 2017 para ocupar a vaga aberta após a morte do ministro Teori Zavascki. Marco Aurélio declarou que apoiou a escolha naquele momento, mas afirmou agora que sua avaliação mudou diante dos acontecimentos recentes.

O ex-ministro classificou como “seríssimos” os fatos que vieram a público e afirmou que Moraes “vem errando a mão” em sua atuação na Suprema Corte. A crítica ocorre após a divulgação de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens e registros relacionados a Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.

Segundo a CNN, o relatório da PF mapeou contatos e encontros envolvendo Vorcaro e Moraes entre 2024 e 2025. O documento aponta, com base nas mensagens analisadas, que os dois teriam participado de um jantar com suas esposas em fevereiro de 2024 e registra outras referências a encontros posteriores. A existência desses contatos, entretanto, não representa por si só comprovação de irregularidade por parte do ministro.

Até a atualização das reportagens consultadas, Moraes não havia se pronunciado oficialmente sobre as citações específicas presentes no relatório.

Marco Aurélio também saiu em defesa do ministro André Mendonça, responsável por retirar o sigilo do relatório da PF e encaminhá-lo à Procuradoria-Geral da República. Para o ex-integrante do Supremo, Mendonça “procedeu como deveria proceder” ao levar o material à PGR. Ele afirmou ainda enxergar uma “inversão de valores” na forma como a situação passou a ser tratada dentro da Corte.

A atuação de Mendonça passou a ser questionada depois que Alexandre de Moraes apontou possíveis irregularidades na condução das apurações. Já a Procuradoria-Geral da República, comandada por Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório policial, sob o argumento de que a investigação não poderia ter avançado daquela maneira sem provocação do Ministério Público e sem observar regras específicas para autoridades com foro no STF.

Marco Aurélio também criticou essa iniciativa da PGR. Ele disse ter ficado “atônito” com o pedido de nulidade, especialmente porque o próprio nome de Gonet aparece mencionado no material produzido pela Polícia Federal. Para o ministro aposentado, a sociedade precisa receber esclarecimentos sobre o conteúdo revelado.

O ex-ministro defendeu ainda que o caso seja conduzido com publicidade e transparência. Na avaliação dele, o segredo de Justiça não deve ser utilizado como regra em procedimentos de interesse público envolvendo autoridades e o caso Banco Master.

As declarações de Marco Aurélio acrescentam um novo elemento à crise vivida pelo STF. O embate em torno do relatório da Polícia Federal colocou em posições opostas Moraes e Mendonça e passou a envolver também a PGR, enquanto aumentam as cobranças públicas por esclarecimentos sobre os contatos revelados pelas investigações.

05 de set. de 2026 · Redação Scarpa360