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MARCO RUBIO CITA BRASIL ENTRE PAÍSES “NÃO AMIGÁVEIS” AOS EUA EM AUDIÊNCIA NO SENADO

Marco Rubio mencionou o Brasil ao lado de Cuba, Nicarágua, Venezuela e Colômbia ao falar sobre os interesses americanos no hemisfério ocidental

MARCO RUBIO CITA BRASIL ENTRE PAÍSES “NÃO AMIGÁVEIS” AOS EUA EM AUDIÊNCIA NO SENADO
Imagem: rawpixel

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, citou o Brasil como uma das exceções entre os países considerados alinhados aos interesses americanos no hemisfério ocidental. A declaração foi feita nesta terça-feira (2), durante audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA.

Ao comentar a situação política da América Latina, Rubio afirmou que Washington conta hoje com uma coalizão de mais de uma dúzia de países considerados amigáveis aos Estados Unidos. Em seguida, mencionou Nicarágua, Cuba, Venezuela e Brasil como exceções dentro da região. O secretário também citou o atual governo da Colômbia como “problemático”.

Sobre o Brasil, Rubio destacou que o país está em meio a um “ciclo eleitoral”, sem detalhar exatamente quais critérios levaram o governo americano a colocar Brasília fora do grupo de aliados mais próximos. A fala ganhou repercussão porque ocorre em um momento de aumento da tensão diplomática e comercial entre os dois países.

A declaração veio poucos dias depois de os Estados Unidos anunciarem a intenção de classificar o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como organizações terroristas estrangeiras. A medida foi defendida por Rubio e gerou reação do governo brasileiro, que viu a decisão como uma possível interferência em assuntos internos do país.

Além disso, o comentário do secretário americano ocorre no mesmo período em que o governo Trump propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil. A proposta foi apresentada após uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, que apontou supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais a interesses comerciais americanos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também elevou o tom contra Marco Rubio. Em discurso nesta terça-feira, Lula afirmou que o secretário de Estado é “anti-América Latina” e disse já ter comunicado ao presidente Donald Trump que Rubio “não gosta do Brasil”. A fala do presidente brasileiro reforça o clima de desgaste entre Brasília e Washington.

Nos bastidores, a relação entre Brasil e Estados Unidos passa por um momento sensível. De um lado, o governo Trump busca ampliar sua influência na América Latina e conter a presença da China na região. De outro, o Brasil tenta preservar sua autonomia diplomática, manter relações comerciais com diferentes potências e evitar que disputas políticas internas contaminem a relação bilateral.

A menção ao “ciclo eleitoral” brasileiro também chamou atenção. Embora Rubio não tenha aprofundado o comentário, a fala ocorre em meio à aproximação de setores da oposição brasileira com autoridades americanas e ao debate sobre segurança pública, crime organizado e comércio internacional.

A avaliação de especialistas é que a declaração de Rubio tem peso político porque sinaliza uma mudança de tom de Washington em relação ao Brasil. O país, que historicamente mantém uma relação estratégica com os Estados Unidos, passa a ser tratado por integrantes do governo Trump como um ator menos alinhado aos interesses americanos na região.

Apesar da tensão, Brasil e Estados Unidos seguem com forte relação econômica. Os dois países mantêm comércio bilateral relevante, investimentos cruzados e cooperação em áreas como energia, agricultura, tecnologia, defesa e segurança. Por isso, uma escalada diplomática pode ter impactos políticos e econômicos para os dois lados.

A fala de Marco Rubio deve aumentar a pressão sobre o governo brasileiro e alimentar o debate político interno, especialmente em um cenário de aproximação eleitoral. O episódio também reforça que a América Latina voltou ao centro da estratégia externa dos Estados Unidos, com o Brasil ocupando um papel cada vez mais sensível nessa disputa de influência.

02 de jun. de 2026 · Redação Scarpa360