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NO SCARPA360MENINO JAPONÊS DE 10 ANOS INVESTIGA COMO BORBOLETAS GUARDAM MEMÓRIAS DA FASE DE LAGARTA
Uma pergunta sobre as borboletas que criava em casa levou o estudante japonês Jo Nagai a desenvolver uma investigação acompanhada por uma pesquisadora dos Estados Unidos: seria pos

Uma pergunta sobre as borboletas que criava em casa levou o estudante japonês Jo Nagai a desenvolver uma investigação acompanhada por uma pesquisadora dos Estados Unidos: seria possível conservar um aprendizado da fase de lagarta depois da transformação em borboleta?
Morador de Kobe, no Japão, Jo começou a trocar correspondências com a entomologista Martha Weiss, da Universidade de Georgetown, em 2022, quando estava no segundo ano do ensino fundamental. Aos 10 anos, em 2024, apresentou seu trabalho no Congresso Internacional de Entomologia, em Kyoto.

O interesse nasceu de uma observação: algumas borboletas criadas por ele permaneciam por perto quando eram soltas. Jo se perguntou se elas poderiam guardar alguma memória da fase anterior. Essa observação motivou a pesquisa, mas não demonstra que os insetos reconheçam o menino.
COMO O EXPERIMENTO FOI REALIZADO
Jo adaptou um experimento sobre aprendizado associativo, processo pelo qual um organismo aprende a relacionar um estímulo a outro.
Ele expôs lagartas ao cheiro de lavanda enquanto aplicava um estímulo elétrico com um pequeno aparelho de terapia muscular. Depois da metamorfose, investigou se as borboletas continuavam evitando aquele odor.
Segundo o relato do podcast Signal Hill, que entrevistou Jo e Weiss, aproximadamente 80% das borboletas treinadas evitaram o cheiro. O estudante reuniu o trabalho em um relatório de 33 páginas.

O resultado é compatível com a hipótese de que uma aversão aprendida possa permanecer após a metamorfose. Isso é diferente de demonstrar que uma borboleta recorda toda a sua vida como lagarta.
A PESQUISA TEM UM ANTECEDENTE CIENTÍFICO
A pergunta já havia sido investigada em mariposas. Em 2008, Douglas Blackiston, Elena Silva Casey e Martha Weiss publicaram na revista PLOS ONE um estudo com a espécie Manduca sexta.
Os pesquisadores associaram um odor a choques elétricos durante a fase de lagarta e verificaram que a aversão podia persistir nos adultos.
O estágio do treinamento fez diferença: lagartas condicionadas em uma fase mais avançada mantiveram a resposta depois da metamorfose. As treinadas mais cedo não apresentaram o mesmo comportamento quando adultas.
O trabalho mostrou que a transformação do corpo não elimina necessariamente todas as formas de aprendizado adquiridas anteriormente.
E AS GERAÇÕES SEGUINTES?
Jo também passou a investigar se descendentes de borboletas treinadas apresentariam aversão ao mesmo cheiro sem terem recebido o condicionamento.
Georgetown confirma que a colaboração com Weiss abrangeu estudos sobre memória e transmissão entre gerações. Entretanto, observar um comportamento nos descendentes não basta, isoladamente, para comprovar a herança de uma memória ou identificar seu mecanismo biológico.
Essa hipótese exige controles capazes de excluir outras explicações, além de avaliação científica e reprodução dos resultados.
O QUE A HISTÓRIA REALMENTE MOSTRA
Jo não descobriu sozinho que qualquer inseto consegue guardar todas as lembranças anteriores à metamorfose. Seu trabalho explora uma questão específica sobre aprendizado em borboletas, inspirada em pesquisas anteriores com mariposas.
A trajetória também evidencia o papel da orientação científica: uma curiosidade surgida em casa se transformou em experimentos, registro de resultados e participação em eventos de pesquisa.
Carregando resultado da apuração das urnas…