Mais notícias
NO SCARPA360Notícias e peças publicitárias consultadas no Scarpa360 em 06/09/2026. Distribuição demonstrativa para avaliação visual; a programação de rádio e TV é ilustrativa.
METEOROLOGISTA ALERTA: PIOR FASE PARA TORNADOS NO SUL DO BRASIL AINDA ESTÁ POR VIR
Luiz Fernando Nachtigall, da MetSul, afirma que primavera deve trazer ambiente mais favorável a tempestades severas; El Niño pode atingir intensidade excepcional nos próximos meses

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
Depois de três tornados registrados no Sul do Brasil em apenas 12 dias, o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, da MetSul Meteorologia, alerta que o período de maior preocupação ainda pode estar pela frente.
Em análise publicada neste domingo (9), o especialista afirma que a aproximação da primavera, combinada com um El Niño de intensidade muito elevada, pode aumentar a frequência de ambientes favoráveis a tempestades severas, com risco de vendavais, granizo, supercélulas e novos tornados.
A avaliação ganha peso diante do que já aconteceu nas últimas semanas. Em 28 de julho, um tornado atingiu a região de Giruá, Senador Salgado Filho e Sete de Setembro, no Noroeste do Rio Grande do Sul. A ocorrência foi reconhecida pelo governo gaúcho, que registrou danos em propriedades rurais. A MetSul classificou o fenômeno como F3, com ventos estimados de até 300 km/h.
Poucos dias depois, em 6 de agosto, outro tornado atingiu Pedro Osório, no Sul gaúcho. A Defesa Civil do Estado confirmou oficialmente o fenômeno. Segundo a avaliação da MetSul, ele atingiu intensidade F2, com ventos estimados em até 200 km/h.
No sábado (8), foi a vez de Piraí do Sul, no Paraná. A prefeitura confirmou a passagem de um tornado que provocou danos em diferentes localidades rurais. Levantamento posterior da Defesa Civil indicou cerca de 20 residências afetadas, quatro delas totalmente destruídas, e 20 pessoas desalojadas, sem registro de feridos.
O QUE DIZ O METEOROLOGISTA?
Para facilitar a compreensão, o Scarpa 360 organizou abaixo os principais pontos da análise publicada por Luiz Fernando Nachtigall em formato de perguntas e respostas. Não se trata de uma entrevista exclusiva concedida ao portal, mas de uma organização jornalística das declarações publicadas pelo especialista na MetSul.
OS TORNADOS RECENTES SIGNIFICAM QUE A SEQUÊNCIA ACABOU?
Para Nachtigall, não.
O meteorologista afirma que não considera correto interpretar os episódios recentes como uma sequência já encerrada. Segundo ele, “os meses de maior risco para tempestades severas e tornados ainda estão por vir”.
Isso não quer dizer, porém, que haverá tornados sucessivos durante toda a primavera. A preocupação está nas condições atmosféricas que devem se tornar mais favoráveis a tempestades intensas.
POR QUE O SUL DO BRASIL TEM TANTA CONDIÇÃO PARA TORNADOS?
Segundo Nachtigall, a geografia e a dinâmica atmosférica da região ajudam a explicar.
O Sul recebe com frequência ar quente e úmido vindo de latitudes mais baixas, ao mesmo tempo em que massas de ar frio avançam a partir da Argentina. O encontro dessas massas cria forte instabilidade.
Quando esse cenário ocorre junto com forte cisalhamento do vento — mudança de direção ou velocidade dos ventos conforme a altitude — aumenta a possibilidade de formação de tempestades organizadas e supercélulas, algumas capazes de produzir tornados.
QUAL É O PAPEL DO EL NIÑO?
Aqui existe um ponto que o meteorologista faz questão de esclarecer: El Niño não cria um tornado diretamente.
O fenômeno modifica padrões de circulação da atmosfera e pode favorecer combinações de calor, umidade, instabilidade e ventos que tornam o ambiente mais propício a tempestades severas.
E o El Niño de 2026 chama especialmente a atenção.
O último boletim oficial disponível do Climate Prediction Center, da NOAA, aponta que o fenômeno está se fortalecendo e tem 97% de probabilidade de persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte. Mais importante: há 81% de chance de o El Niño alcançar categoria “muito forte” entre outubro e dezembro, ficando entre os maiores episódios da série histórica iniciada em 1950.
Dados mais recentes compilados pelo International Research Institute também mostram forte consenso entre os modelos: 23 dos 26 modelos analisados projetavam um El Niño muito forte no trimestre outubro-novembro-dezembro de 2026.
POR QUE SETEMBRO, OUTUBRO E NOVEMBRO PREOCUPAM MAIS?
A resposta está na chegada da primavera.
Conforme o inverno termina, aumenta a disponibilidade de calor e umidade, dois elementos fundamentais para alimentar tempestades. Se esse ar quente e úmido coincidir com frentes frias, áreas de baixa pressão e fortes correntes de vento em diferentes altitudes, podem surgir tempestades muito organizadas.
Por isso, Nachtigall considera setembro, outubro e novembro meses que exigirão atenção especial no Sul.
O meteorologista não afirma que todo temporal produzirá tornado. Algumas ondas de instabilidade podem provocar somente chuva; outras, granizo ou vendavais; e apenas determinadas tempestades, quando todos os ingredientes atmosféricos se combinarem, poderão produzir supercélulas e tornados.
É POSSÍVEL PREVER ONDE UM TORNADO VAI ACONTECER?
Não com semanas ou meses de antecedência.
Esse é outro cuidado enfatizado por Nachtigall. Segundo o especialista, “a Meteorologia não consegue prever um tornado com semanas de antecedência”.
Meteorologistas conseguem identificar previamente períodos em que a atmosfera estará mais favorável a temporais severos, mas a formação efetiva de um tornado depende de processos de escala muito menor e precisa ser acompanhada praticamente sistema por sistema.
Portanto, dizer que a primavera terá maior risco é diferente de afirmar que determinado município será atingido.
EL NIÑO MUITO FORTE NÃO SIGNIFICA DESASTRE AUTOMÁTICO
A própria NOAA ressalta que até os episódios mais intensos de El Niño não produzem os mesmos impactos em todos os lugares. A intensidade do fenômeno altera probabilidades climáticas, mas não determina isoladamente cada evento meteorológico.
Assim, o cenário atual deve ser entendido como aumento de atenção e risco potencial, e não como previsão de uma sequência inevitável de tornados.
O alerta de Nachtigall é justamente para que os três episódios recentes não sejam encarados como acontecimentos sem relação com uma atmosfera que continuará bastante dinâmica.
Carregando resultado da apuração das urnas…