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METEOROLOGISTA ALERTA: PIOR FASE PARA TORNADOS NO SUL DO BRASIL AINDA ESTÁ POR VIR

Luiz Fernando Nachtigall, da MetSul, afirma que primavera deve trazer ambiente mais favorável a tempestades severas; El Niño pode atingir intensidade excepcional nos próximos meses

METEOROLOGISTA ALERTA: PIOR FASE PARA TORNADOS NO SUL DO BRASIL AINDA ESTÁ POR VIR

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

Depois de três tornados registrados no Sul do Brasil em apenas 12 dias, o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, da MetSul Meteorologia, alerta que o período de maior preocupação ainda pode estar pela frente.

Em análise publicada neste domingo (9), o especialista afirma que a aproximação da primavera, combinada com um El Niño de intensidade muito elevada, pode aumentar a frequência de ambientes favoráveis a tempestades severas, com risco de vendavais, granizo, supercélulas e novos tornados.

A avaliação ganha peso diante do que já aconteceu nas últimas semanas. Em 28 de julho, um tornado atingiu a região de Giruá, Senador Salgado Filho e Sete de Setembro, no Noroeste do Rio Grande do Sul. A ocorrência foi reconhecida pelo governo gaúcho, que registrou danos em propriedades rurais. A MetSul classificou o fenômeno como F3, com ventos estimados de até 300 km/h.

Poucos dias depois, em 6 de agosto, outro tornado atingiu Pedro Osório, no Sul gaúcho. A Defesa Civil do Estado confirmou oficialmente o fenômeno. Segundo a avaliação da MetSul, ele atingiu intensidade F2, com ventos estimados em até 200 km/h.

No sábado (8), foi a vez de Piraí do Sul, no Paraná. A prefeitura confirmou a passagem de um tornado que provocou danos em diferentes localidades rurais. Levantamento posterior da Defesa Civil indicou cerca de 20 residências afetadas, quatro delas totalmente destruídas, e 20 pessoas desalojadas, sem registro de feridos.

O QUE DIZ O METEOROLOGISTA?

Para facilitar a compreensão, o Scarpa 360 organizou abaixo os principais pontos da análise publicada por Luiz Fernando Nachtigall em formato de perguntas e respostas. Não se trata de uma entrevista exclusiva concedida ao portal, mas de uma organização jornalística das declarações publicadas pelo especialista na MetSul.

OS TORNADOS RECENTES SIGNIFICAM QUE A SEQUÊNCIA ACABOU?

Para Nachtigall, não.

O meteorologista afirma que não considera correto interpretar os episódios recentes como uma sequência já encerrada. Segundo ele, “os meses de maior risco para tempestades severas e tornados ainda estão por vir”.

Isso não quer dizer, porém, que haverá tornados sucessivos durante toda a primavera. A preocupação está nas condições atmosféricas que devem se tornar mais favoráveis a tempestades intensas.

POR QUE O SUL DO BRASIL TEM TANTA CONDIÇÃO PARA TORNADOS?

Segundo Nachtigall, a geografia e a dinâmica atmosférica da região ajudam a explicar.

O Sul recebe com frequência ar quente e úmido vindo de latitudes mais baixas, ao mesmo tempo em que massas de ar frio avançam a partir da Argentina. O encontro dessas massas cria forte instabilidade.

Quando esse cenário ocorre junto com forte cisalhamento do vento — mudança de direção ou velocidade dos ventos conforme a altitude — aumenta a possibilidade de formação de tempestades organizadas e supercélulas, algumas capazes de produzir tornados.

QUAL É O PAPEL DO EL NIÑO?

Aqui existe um ponto que o meteorologista faz questão de esclarecer: El Niño não cria um tornado diretamente.

O fenômeno modifica padrões de circulação da atmosfera e pode favorecer combinações de calor, umidade, instabilidade e ventos que tornam o ambiente mais propício a tempestades severas.

E o El Niño de 2026 chama especialmente a atenção.

O último boletim oficial disponível do Climate Prediction Center, da NOAA, aponta que o fenômeno está se fortalecendo e tem 97% de probabilidade de persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte. Mais importante: há 81% de chance de o El Niño alcançar categoria “muito forte” entre outubro e dezembro, ficando entre os maiores episódios da série histórica iniciada em 1950.

Dados mais recentes compilados pelo International Research Institute também mostram forte consenso entre os modelos: 23 dos 26 modelos analisados projetavam um El Niño muito forte no trimestre outubro-novembro-dezembro de 2026.

POR QUE SETEMBRO, OUTUBRO E NOVEMBRO PREOCUPAM MAIS?

A resposta está na chegada da primavera.

Conforme o inverno termina, aumenta a disponibilidade de calor e umidade, dois elementos fundamentais para alimentar tempestades. Se esse ar quente e úmido coincidir com frentes frias, áreas de baixa pressão e fortes correntes de vento em diferentes altitudes, podem surgir tempestades muito organizadas.

Por isso, Nachtigall considera setembro, outubro e novembro meses que exigirão atenção especial no Sul.

O meteorologista não afirma que todo temporal produzirá tornado. Algumas ondas de instabilidade podem provocar somente chuva; outras, granizo ou vendavais; e apenas determinadas tempestades, quando todos os ingredientes atmosféricos se combinarem, poderão produzir supercélulas e tornados.

É POSSÍVEL PREVER ONDE UM TORNADO VAI ACONTECER?

Não com semanas ou meses de antecedência.

Esse é outro cuidado enfatizado por Nachtigall. Segundo o especialista, “a Meteorologia não consegue prever um tornado com semanas de antecedência”.

Meteorologistas conseguem identificar previamente períodos em que a atmosfera estará mais favorável a temporais severos, mas a formação efetiva de um tornado depende de processos de escala muito menor e precisa ser acompanhada praticamente sistema por sistema.

Portanto, dizer que a primavera terá maior risco é diferente de afirmar que determinado município será atingido.

EL NIÑO MUITO FORTE NÃO SIGNIFICA DESASTRE AUTOMÁTICO

A própria NOAA ressalta que até os episódios mais intensos de El Niño não produzem os mesmos impactos em todos os lugares. A intensidade do fenômeno altera probabilidades climáticas, mas não determina isoladamente cada evento meteorológico.

Assim, o cenário atual deve ser entendido como aumento de atenção e risco potencial, e não como previsão de uma sequência inevitável de tornados.

O alerta de Nachtigall é justamente para que os três episódios recentes não sejam encarados como acontecimentos sem relação com uma atmosfera que continuará bastante dinâmica.

10 de ago. de 2026 · Redação Scarpa360