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NO SCARPA360MULHER USA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA CRIAR PASSAGENS AÉREAS FALSAS E É PRESA APÓS GOLPE QUE PODE TER FEITO 30 VÍTIMAS
Uma oferta que prometia viagens pelo Brasil e para o exterior durante um ano acabou se tornando alvo de uma investigação policial no Maranhão.

Uma oferta que prometia viagens pelo Brasil e para o exterior durante um ano acabou se tornando alvo de uma investigação policial no Maranhão. Uma mulher de 41 anos foi presa preventivamente em São Luís, suspeita de utilizar inteligência artificial para produzir passagens aéreas falsas e comercializar pacotes de viagens que nunca eram entregues aos consumidores.
A investigada foi identificada pela imprensa local como Alynne Pinheiro Ribeiro Trindade. Segundo a Polícia Civil do Maranhão, o esquema teria começado em 2024 e pode ter prejudicado pelo menos 30 pessoas.
A prisão ganhou repercussão na terça-feira (20), após a divulgação de detalhes sobre o funcionamento das supostas fraudes.
Os pacotes comercializados custavam entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. A promessa era permitir que os clientes realizassem viagens nacionais e internacionais durante 12 meses, pagando apenas as taxas de embarque.
CLIENTES PAGAVAM MILHARES DE REAIS POR PASSAGENS QUE NÃO EXISTIAM
De acordo com a investigação, a suspeita apresentava aos consumidores uma espécie de benefício especial para emissão de passagens aéreas.
Mediante um pagamento antecipado, os clientes supostamente teriam direito a aproximadamente dez bilhetes durante um ano.
A oferta despertava interesse porque prometia viagens por valores inferiores aos normalmente cobrados pelas companhias aéreas.
Entretanto, após receber os pagamentos, a investigada não disponibilizava reservas válidas para os passageiros.
Algumas vítimas chegaram a se deslocar até aeroportos acreditando que embarcariam, mas foram impedidas de viajar ao descobrir que não possuíam passagens confirmadas.
Entre as pessoas prejudicadas estavam idosos, crianças e mulheres grávidas.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL TERIA SIDO UTILIZADA PARA CRIAR DOCUMENTOS FALSOS
Um dos aspectos que chamou a atenção dos investigadores foi o suposto uso de inteligência artificial na elaboração de passagens e comprovantes apresentados aos consumidores.
A tecnologia teria sido utilizada para produzir documentos que aparentavam ser legítimos, aumentando a credibilidade das ofertas.
A Polícia Civil não detalhou publicamente qual ferramenta de inteligência artificial teria sido empregada nem como os documentos foram produzidos.
O caso evidencia uma preocupação crescente relacionada ao uso de tecnologias digitais para aperfeiçoar fraudes tradicionais.
Embora a inteligência artificial tenha aplicações legítimas em diferentes atividades, recursos de geração de conteúdo também podem ser utilizados indevidamente para falsificar documentos e simular informações.
EXPERIÊNCIA EM COMPANHIA AÉREA AJUDAVA A CONQUISTAR A CONFIANÇA
Segundo o delegado Victor Machado, responsável por apresentar detalhes da investigação, a mulher já havia trabalhado em uma companhia aérea.
Essa experiência profissional era utilizada como argumento para convencer os clientes de que ela possuía acesso a benefícios especiais e condições diferenciadas de emissão de passagens.
Entre as possíveis vítimas estavam conhecidos da investigada e pessoas que frequentavam a mesma igreja.
A relação de confiança teria contribuído para que consumidores realizassem pagamentos elevados sem desconfiar da legitimidade das ofertas.
Quando os clientes reclamavam por não conseguir embarcar, a suspeita atribuía os problemas a falhas nos sistemas das companhias aéreas ou a situações de overbooking.
O termo é utilizado quando uma empresa vende mais passagens do que a quantidade de assentos disponíveis em determinado voo.
POLÍCIA IDENTIFICOU PAGAMENTOS EM CONTAS DE TERCEIROS
Outro elemento investigado foi a movimentação financeira relacionada aos valores recebidos.
De acordo com a Polícia Civil, parte dos pagamentos era direcionada a contas bancárias de terceiros.
Os titulares dessas contas também podem ter sido enganados, já que a investigada supostamente solicitava que recebessem os valores como um favor pessoal.
A estratégia dificultava a identificação imediata da destinatária final dos recursos.
A Polícia Civil também apura a possível participação de outra pessoa no esquema.
Até o momento, não existe confirmação pública sobre o valor total do prejuízo causado aos consumidores.
INVESTIGAÇÃO COMEÇOU COM 11 VÍTIMAS E CHEGOU A PELO MENOS 30
Inicialmente, os policiais identificaram 11 pessoas que relataram prejuízos com a compra dos supostos pacotes turísticos.
Com o avanço das apurações, novos relatos foram apresentados.
Documentos utilizados para fundamentar a decisão judicial apontam que pelo menos 30 consumidores podem ter sido prejudicados desde 2024.
A quantidade ainda pode aumentar, caso outras pessoas procurem a Polícia Civil para relatar situações semelhantes.
As autoridades orientam possíveis vítimas a registrar ocorrência na Delegacia de Defraudações.
SUSPEITA JÁ POSSUÍA CONDENAÇÃO POR ESTELIONATO
Segundo informações do processo, a investigada havia sido condenada pelo crime de estelionato em 2012.
Ao analisar o pedido de prisão preventiva, a Justiça considerou a necessidade de impedir a possível continuidade das práticas investigadas.
A decisão avaliou que outras medidas cautelares, como o monitoramento por tornozeleira eletrônica, não seriam suficientes naquele momento.
Após o cumprimento do mandado, a mulher foi encaminhada ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
A defesa da investigada não havia sido localizada para comentar as acusações até a publicação das reportagens consultadas.
A prisão é preventiva e não representa condenação pelos fatos atualmente investigados.
COMO EVITAR GOLPES COM PASSAGENS AÉREAS?
O caso reforça a importância de verificar a autenticidade de ofertas de viagens, especialmente quando os valores e as condições apresentadas são muito diferentes das praticadas no mercado.
Antes de realizar pagamentos, consumidores devem confirmar diretamente com a companhia aérea se a reserva existe e se o benefício anunciado é legítimo.
Também é importante verificar a identificação do vendedor, a regularidade da empresa e os dados do destinatário do pagamento.
Documentos com aparência profissional não garantem a existência de uma passagem verdadeira, principalmente diante da possibilidade de utilização de recursos tecnológicos para criar comprovantes falsificados.
A Polícia Civil do Maranhão continua investigando o caso e busca identificar todas as pessoas que possam ter sido prejudicadas.
Carregando resultado da apuração das urnas…