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NETINHO, VOZ DE “MILLA” E ÍCONE DO AXÉ, MORRE AOS 60 ANOS; RELEMBRE A TRAJETÓRIA

O cantor Netinho, um dos nomes mais marcantes da história do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. O artista enfrentava um linfoma não Hodgkin, tipo d

NETINHO, VOZ DE “MILLA” E ÍCONE DO AXÉ, MORRE AOS 60 ANOS; RELEMBRE A TRAJETÓRIA

O cantor Netinho, um dos nomes mais marcantes da história do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. O artista enfrentava um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que atinge o sistema linfático.

Segundo comunicado divulgado pela equipe do cantor, o quadro evoluiu nos últimos meses para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

Batizado de Ernesto de Souza Andrade Júnior, Netinho nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 12 de julho de 1966. Ainda criança, mudou-se com a família para Salvador, cidade onde começou a desenvolver a relação com a música.

Aos 14 anos, ganhou da mãe seu primeiro violão e aprendeu a tocar sozinho. Pouco depois, passou a fazer apresentações e começou a cantar profissionalmente em bares da capital baiana, inicialmente com repertório de MPB e bossa nova.

Embora tenha iniciado o curso de Engenharia Civil, a música acabou se tornando o caminho profissional escolhido pelo artista.

SUCESSO COM A BANDA BEIJO

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A carreira de Netinho ganhou projeção nacional no fim dos anos 1980, quando ele se tornou vocalista da Banda Beijo.

Foi nesse período que o cantor passou a ocupar espaço nos carnavais, micaretas e programas de televisão, ajudando a levar a música produzida na Bahia para diferentes regiões do Brasil.

Entre os sucessos dessa fase está “Beijo na Boca”, uma das canções que marcaram sua passagem pelo grupo.

O cantor também participou de iniciativas internacionais. Em 1990, esteve envolvido em uma apresentação com trio elétrico realizada na Itália durante a Copa do Mundo, ampliando a presença da música baiana fora do país.

INÍCIO DA CARREIRA SOLO

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Netinho deixou a Banda Beijo e iniciou carreira solo em 1993.

Seu primeiro álbum nessa nova fase, “Um Beijo pra Você”, trouxe músicas como “Capricho dos Deuses”, “Total” e “Menina”.

No ano seguinte, lançou “Nada Vai Nos Separar”, dando continuidade à consolidação de seu nome no cenário nacional.

A combinação de repertório popular, presença de palco e forte participação no Carnaval transformou Netinho em um dos principais representantes do axé durante os anos 1990.

“MILLA” E O AUGE DA CARREIRA

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Um dos momentos mais importantes da trajetória do cantor aconteceu em 1996, com o lançamento do álbum “Netinho ao Vivo”.

O projeto apresentou ao grande público aquela que se tornaria a música mais conhecida de sua carreira: “Milla”.

A canção se transformou em um dos grandes sucessos do axé brasileiro e atravessou gerações. O álbum vendeu milhões de cópias e colocou Netinho entre os artistas de maior projeção nacional naquele período.

O sucesso também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Ao longo da carreira, Netinho realizou apresentações internacionais e levou seu repertório para países da Europa e das Américas.

“Milla” também ganhou versões em outros idiomas e se tornou uma das músicas mais associadas à explosão do axé na década de 1990.

CARNAVAL, MICARETAS E PROJEÇÃO INTERNACIONAL

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Netinho construiu grande parte de sua carreira nos trios elétricos e nas micaretas espalhadas pelo Brasil.

Além das apresentações no Carnaval de Salvador, o cantor participou de eventos internacionais e realizou shows em países como Portugal, Itália e Chile.

Também esteve em grandes eventos voltados ao público brasileiro no exterior, consolidando sua imagem como um dos principais representantes da música baiana daquela geração.

Fora dos palcos, Netinho também investiu na produção musical. O artista criou estruturas voltadas à gravação e ao desenvolvimento de novos trabalhos e manteve atuação ligada à indústria musical ao longo da carreira.

PROBLEMAS DE SAÚDE E RETORNO AOS PALCOS

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A trajetória do cantor também foi marcada por graves problemas de saúde.

Em 2013, Netinho enfrentou uma série de complicações que o mantiveram afastado dos palcos. Durante o período, passou por cirurgias e enfrentou um longo processo de recuperação.

O cantor chegou a sofrer AVCs e teve dificuldades que afetaram diretamente sua principal ferramenta profissional: a voz.

Após anos de tratamento, conseguiu retomar gradualmente a carreira e voltou a realizar apresentações.

Em 2017, lançou a música “#SomosTodosUm”, trabalho que refletia parte da experiência de recuperação e abordava temas como união, recomeço e superação.

DIAGNÓSTICO DE CÂNCER

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Em 2025, Netinho revelou que havia sido diagnosticado com um linfoma não Hodgkin.

O cantor passou a compartilhar com os seguidores diferentes momentos do tratamento contra o câncer e chegou a divulgar atualizações sobre sua rotina hospitalar.

Em 2026, a doença apresentou uma recidiva e o artista precisou retomar o tratamento.

Nos últimos meses, Netinho permaneceu internado no Hospital Aliança Star, em Salvador. Antes de se afastar das redes sociais, havia informado aos fãs que ainda enfrentaria novos ciclos de quimioterapia e que estava sendo avaliado para um possível autotransplante de medula.

MORTE AOS 60 ANOS

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A morte do cantor foi confirmada nesta terça-feira (13).

Em nota publicada nas redes sociais, a equipe informou que o linfoma evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

A família decidiu realizar o velório e a cremação de forma reservada, apenas para familiares e amigos próximos, seguindo um desejo manifestado pelo próprio artista.

Netinho deixa a filha Bruna Trindade, fruto de seu casamento com a jornalista Mariana Trindade.

LEGADO NO AXÉ

Ao longo de décadas de carreira, Netinho ajudou a consolidar o axé como um dos gêneros de maior alcance da música brasileira.

Sua trajetória atravessou o crescimento dos blocos e trios elétricos, a explosão nacional da música baiana nos anos 1990 e a internacionalização de artistas ligados ao Carnaval de Salvador.

Canções como “Beijo na Boca”, “A Vida é Festa” e, principalmente, “Milla” permanecem associadas a um período de grande popularidade do gênero.

Com uma carreira marcada por sucesso, problemas de saúde, afastamentos e retornos aos palcos, Netinho deixa seu nome ligado definitivamente à história do axé e da música popular brasileira.