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NO PRIMEIRO DIA COMO PRESIDENTE, KEIKO FUJIMORI ANUNCIA MILITARES CONTRA O CRIME NO PERU

Nova presidente afirma que as Forças Armadas poderão liderar temporariamente operações durante estados de emergência; medida faz parte de uma ofensiva contra organizações criminosa

NO PRIMEIRO DIA COMO PRESIDENTE, KEIKO FUJIMORI ANUNCIA MILITARES CONTRA O CRIME NO PERU
Crédito: Ernesto Benavides/AFP

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A presidente do Peru, Keiko Fujimori, anunciou que as Forças Armadas terão participação ampliada nas operações de segurança pública em regiões consideradas dominadas pelo crime organizado.

A medida foi apresentada em 28 de julho, durante o discurso de posse da nova chefe de Estado no Congresso peruano. Segundo Fujimori, os militares poderão assumir temporariamente a liderança das ações de segurança e do controle da ordem interna em áreas submetidas a estados de emergência.

O anúncio integra uma estratégia mais ampla contra organizações envolvidas em extorsões, narcotráfico, mineração ilegal e outras atividades criminosas que avançaram em diferentes regiões do país.

“Durante os estados de emergência, as Forças Armadas assumirão temporariamente a liderança das operações de segurança e do controle da ordem interna”, declarou a presidente durante a cerimônia de posse.

Governo promete recuperar áreas dominadas pelo crime

De acordo com a proposta apresentada por Fujimori, a atuação militar deverá ocorrer em apoio à Polícia Nacional do Peru e será concentrada nos locais classificados como de alta criminalidade.

A presidente afirmou que pretende utilizar os instrumentos previstos na Constituição para recuperar territórios onde o Estado perdeu capacidade de controle diante da presença de organizações criminosas.

O governo ainda não anunciou uma relação definitiva de todas as localidades que serão submetidas ao novo modelo. A implementação dependerá da decretação ou manutenção de estados de emergência em regiões específicas.

Esse mecanismo permite a adoção temporária de medidas excepcionais e a participação das Forças Armadas na preservação da ordem interna.

“Estado de sítio” não foi anunciado para todo o Peru

Publicações nas redes sociais afirmaram que a nova presidente teria decretado um “estado de sítio” em todo o país e colocado o Exército nas ruas menos de 48 horas depois de assumir o cargo.

Entretanto, essa descrição não corresponde exatamente ao que foi anunciado oficialmente durante a posse.

As informações divulgadas por agências internacionais e veículos jornalísticos indicam que Fujimori falou na atuação dos militares durante estados de emergência e em áreas de alta criminalidade, não em um estado de sítio nacional.

Portanto, o termo mais preciso para descrever a medida é ampliação da participação das Forças Armadas na segurança pública em regiões submetidas a estados de emergência.

Extorsões e crime organizado pressionam o país

Keiko Fujimori assume o governo em um momento de forte preocupação da população com a insegurança. Extorsões contra empresas de transporte, comerciantes e pequenos empresários tornaram-se um dos principais problemas enfrentados pelas autoridades peruanas.

O crime foi um dos assuntos centrais da eleição presidencial. Durante a campanha, Fujimori prometeu endurecer a resposta do Estado, ampliar o uso da inteligência e construir novas unidades prisionais, incluindo um complexo inspirado no modelo adotado em El Salvador.

A nova presidente também defendeu maior presença militar nas fronteiras e em regiões onde atuam grupos ligados ao narcotráfico e à mineração clandestina.

Fujimori venceu o segundo turno por uma margem inferior a 50 mil votos, derrotando o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Ela se tornou a primeira mulher eleita para a Presidência do Peru e assumiu o comando de um país marcado por uma década de instabilidade política.

Experiência anterior com operações integradas

Antes mesmo da posse de Fujimori, o Peru já utilizava operações conjuntas entre policiais, militares e agentes municipais em regiões afetadas pela criminalidade.

Em março de 2026, o governo anunciou forças integradas em 27 distritos de Lima, La Libertad, Piura e Arequipa. Cada unidade teria cerca de 200 integrantes, reunindo Polícia Nacional, Forças Armadas e agentes de segurança municipal.

O novo governo pretende aprofundar esse modelo e entregar maior responsabilidade operacional aos militares durante os períodos de emergência.

A promessa é manter presença permanente, patrulhamento direcionado e ações contra grupos envolvidos em extorsões, assassinatos por encomenda, narcotráfico e exploração ilegal de recursos naturais.

Medida gera apoio e preocupação

A proposta recebe apoio de setores que defendem uma resposta mais rígida contra as organizações criminosas. Para esses grupos, a gravidade da violência exige maior capacidade operacional do Estado.

Por outro lado, organizações civis e especialistas alertam para os riscos da utilização prolongada das Forças Armadas em funções que normalmente seriam desempenhadas pela polícia.

Críticos temem possíveis abusos, violações de direitos humanos e uma militarização permanente da segurança pública. A preocupação também está relacionada ao histórico do Peru durante o conflito armado interno e à atuação das forças estatais nas décadas anteriores.

Fujimori é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000. Seu legado continua dividindo a sociedade peruana: apoiadores destacam o enfrentamento à guerrilha e o controle da hiperinflação, enquanto críticos lembram o autoritarismo e os crimes cometidos por agentes do Estado naquele período.

Segurança será prioridade do novo governo

Além do combate ao crime, Keiko Fujimori prometeu investir em infraestrutura, melhorar o ambiente de negócios, manter disciplina fiscal e elevar o salário mínimo.

A segurança, entretanto, aparece como uma das prioridades imediatas do mandato, que se estenderá até 2031.

O desafio do novo governo será demonstrar que a ampliação do papel dos militares poderá reduzir a violência sem comprometer direitos fundamentais ou enfraquecer as instituições civis.

A efetividade da medida também dependerá da integração com a polícia, do fortalecimento do sistema de Justiça, do combate à lavagem de dinheiro e da capacidade do Estado de atingir as estruturas financeiras das organizações criminosas.

03 de ago. de 2026 · Redação Scarpa360