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“O BRASIL NÃO AGUENTA MAIS QUATRO ANOS DE COTAS”, DIZ ZEMA DURANTE EVENTO DO NOVO EM SÃO PAULO

Pré-candidato do Novo também defendeu privatizações, criticou ministros do STF e apresentou propostas para uma eventual gestão federal.

“O BRASIL NÃO AGUENTA MAIS QUATRO ANOS DE COTAS”, DIZ ZEMA DURANTE EVENTO DO NOVO EM SÃO PAULO
Imagem: Andressa Anholete/Agência Senado

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, Romeu Zema, criticou as políticas de cotas raciais durante um encontro nacional da legenda realizado neste sábado (18), na zona sul de São Paulo. Em discurso aos apoiadores, ele afirmou que o país não suportaria a continuidade dessas medidas por mais um mandato presidencial.

“O Brasil não aguenta mais quatro anos de políticas de cotas, que enxergam primeiro a cor da pele e só depois a cor das pessoas”, declarou Zema.

Na mesma fala, o pré-candidato também criticou o que classificou como “doutrinação progressista” nas escolas e acusou o governo federal de tratar valores ligados à família cristã como símbolos de atraso e ignorância. As declarações fizeram parte de um discurso voltado à consolidação de sua plataforma eleitoral para a disputa pelo Palácio do Planalto.

Zema apresenta propostas para uma eventual gestão

Durante o encontro, Zema apresentou as principais diretrizes que pretende defender durante a campanha presidencial. O projeto foi organizado em cinco áreas: retomada de territórios controlados por organizações criminosas, enfrentamento de privilégios e de supostas relações de influência envolvendo políticos e integrantes do Judiciário, redução do tamanho do Estado, estímulo ao crescimento econômico e endurecimento das políticas de segurança pública.

O pré-candidato também voltou a defender a privatização de grandes empresas estatais. Entre as companhias mencionadas estão a Petrobras e o Banco do Brasil, duas das maiores empresas controladas pelo governo federal. A venda dessas instituições já havia sido anunciada por Zema como parte de seu programa econômico para 2026.

Segundo o político, a diminuição da presença do Estado na economia permitiria reduzir gastos, ampliar investimentos privados e tornar os serviços mais eficientes. A proposta, entretanto, deverá enfrentar forte resistência de partidos de esquerda, sindicatos e grupos que consideram as empresas estratégicas para a economia nacional.

Discurso contra o Supremo

Outro eixo da manifestação foi a crítica ao Supremo Tribunal Federal. Zema declarou que pretende trabalhar pela eleição de uma maioria conservadora no Senado, Casa responsável por analisar eventuais pedidos de impeachment contra ministros da Corte.

Ao citar Alexandre de Moraes, o pré-candidato afirmou que a nova composição do Congresso poderia abrir caminho para a aprovação de um processo de afastamento do ministro. O Partido Novo e Zema já haviam defendido publicamente pedidos de impeachment contra Moraes em outras ocasiões.

Zema também mencionou Gilmar Mendes e relembrou o processo apresentado pelo magistrado após a divulgação de vídeos em que o político fazia críticas ao ministro. O discurso contra integrantes do Supremo tem sido utilizado pelo pré-candidato para se aproximar do eleitorado bolsonarista e reforçar sua posição como um dos representantes da direita na corrida presidencial.

Declaração recoloca política de cotas no debate eleitoral

A fala de Zema deve ampliar a discussão sobre as ações afirmativas durante a campanha de 2026. A legislação brasileira determina a reserva de vagas em universidades e institutos federais para estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas. Dentro desse grupo, a distribuição considera critérios de renda, raça, etnia e deficiência, conforme a composição da população de cada estado.

O sistema foi instituído nacionalmente pela Lei de Cotas, de 2012, e atualizado em 2023. A política foi criada com o objetivo de ampliar o acesso ao ensino superior entre grupos historicamente sub-representados.

O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a constitucionalidade das ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais. Em uma decisão de repercussão geral, a Corte estabeleceu que a reserva de vagas é compatível com a Constituição.

Em abril de 2026, o STF também anulou uma lei de Santa Catarina que proibia cotas raciais em instituições públicas de ensino superior e em entidades privadas que recebessem recursos estaduais. A decisão foi unânime e reforçou o entendimento de que os estados não podem simplesmente impedir a adoção dessas políticas.

Por isso, uma eventual tentativa de extinguir as cotas dependeria de mudanças legislativas e poderia gerar uma nova disputa no Supremo, especialmente caso a alteração fosse considerada incompatível com os princípios constitucionais de igualdade material e combate à discriminação.

Corrida presidencial de 2026

Zema lançou sua pré-candidatura à Presidência pelo Novo em 2025 e busca ampliar sua presença nacional depois de dois mandatos à frente do governo mineiro. Sua estratégia eleitoral combina uma agenda econômica liberal, com privatizações e redução da máquina pública, e um discurso conservador nas áreas de educação, segurança e costumes.

Ao endurecer as críticas às cotas raciais e ao Supremo, o pré-candidato tenta se diferenciar dos demais nomes da direita e conquistar parte do eleitorado que apoiou Jair Bolsonaro nas últimas eleições. Ao mesmo tempo, as declarações devem provocar reações de movimentos sociais, entidades estudantis e defensores das políticas de inclusão.

Até o momento, Zema não detalhou como pretende alterar as regras das cotas, quais modalidades seriam eliminadas ou se seu eventual governo manteria reservas de vagas baseadas apenas em critérios sociais e econômicos.

18 de jul. de 2026 · Redação Scarpa360