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O SILÊNCIO DE MORAES VIRA PARTE DA CRISE: MINISTRO MARCA PRONUNCIAMENTO, CANCELA E ADIA RESPOSTAS

Ministro do STF faria sua primeira manifestação pública desde a divulgação das mensagens com Daniel Vorcaro, mas encontro com jornalistas foi cancelado pouco depois de ser anunciad

O SILÊNCIO DE MORAES VIRA PARTE DA CRISE: MINISTRO MARCA PRONUNCIAMENTO, CANCELA E ADIA RESPOSTAS
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

Alexandre de Moraes esteve perto de quebrar o silêncio nesta quinta-feira (10), mas a esperada manifestação pública acabou não acontecendo. O Supremo Tribunal Federal anunciou pela manhã que o ministro faria um pronunciamento às 11h. Pouco depois, a própria Corte comunicou que a fala estava cancelada e seria remarcada para uma “data oportuna”. Nenhuma justificativa pública para a mudança foi apresentada.

Mais do que o cancelamento em si, o episódio chama atenção pelo momento em que ocorreu. Moraes ainda não se manifestou publicamente sobre o conteúdo das mensagens atribuídas a ele e encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que desencadearam uma das maiores crises internas recentes do Supremo.

A declaração desta quinta seria justamente a primeira de Moraes desde que André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal e tornou públicos registros de comunicações entre Vorcaro e um número atribuído ao ministro.

Segundo a Folha de S.Paulo, a manifestação não seria transmitida ao público, diferentemente do que costuma ocorrer em sessões ou pronunciamentos institucionais da Corte. Também não havia sido divulgado antecipadamente qual seria o conteúdo da fala.

O cancelamento aconteceu um dia depois de Moraes sofrer uma mudança importante dentro do próprio STF. O presidente Edson Fachin retirou dele a relatoria do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news, conduzido por Moraes havia mais de sete anos. A investigação passou para a Presidência do tribunal, embora os atos já praticados tenham sido preservados.

Fachin também determinou que qualquer procedimento capaz de envolver a investigação de integrantes do STF seja submetido previamente à Presidência da Corte. A medida foi apresentada como uma forma de reduzir conflitos processuais e impedir novas decisões paralelas entre ministros.

O momento é particularmente delicado para Moraes porque, na próxima terça-feira, 15 de setembro, o plenário do Supremo realizará uma sessão extraordinária para analisar justamente o relatório da Polícia Federal sobre os contatos entre ele e Vorcaro.

Na prática, os ministros poderão decidir se existem condições jurídicas para aprofundar uma investigação sobre Moraes ou se o relatório deve ser invalidado, como pediu a Procuradoria-Geral da República.

A PGR sustenta que André Mendonça não poderia ter determinado determinadas diligências envolvendo outro ministro do Supremo sem que o procedimento fosse submetido previamente ao órgão competente da Corte. Mendonça, por outro lado, defende a validade das providências adotadas no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

A crise cresceu ainda mais quando Moraes utilizou um relatório de inteligência da Polícia Federal para pedir que Mendonça fosse investigado por suposto abuso de autoridade e outras irregularidades. Mendonça reagiu posteriormente determinando o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Flávio Dino tomou uma decisão no sentido contrário e determinou a reintegração dos dois. Fachin acabou suspendendo as decisões conflitantes e assumiu o controle institucional dos procedimentos.

Nesse cenário, a fala de Moraes passou a ser aguardada não apenas pelo que ele eventualmente diria sobre Vorcaro, mas também pela maneira como reagiria à perda da relatoria do inquérito das fake news e à decisão de Fachin de levar o caso ao plenário.

O ministro está sob pressão política e institucional desde a divulgação do relatório. Ao mesmo tempo, ministros próximos a Moraes demonstraram incômodo com decisões recentes de Fachin e avaliam que algumas delas podem ter aumentado o desgaste do magistrado dentro da Corte.

Até agora, entretanto, Moraes optou pelo silêncio público sobre o núcleo das revelações.

O anúncio seguido de cancelamento desta quinta-feira acabou, portanto, criando uma situação incomum: a expectativa sobre o que Moraes dirá passou a disputar espaço com a própria ausência de uma resposta.

O STF informou apenas que o pronunciamento será remarcado. Não há, até o momento, nova data anunciada.

Enquanto isso, o calendário já possui um compromisso definido: 15 de setembro, às 10h, quando o plenário do Supremo deverá enfrentar coletivamente o caso.

Se Moraes falar antes, seu pronunciamento poderá antecipar os argumentos que pretende apresentar diante da crise. Se permanecer em silêncio, será o próprio plenário quem dará a próxima grande resposta institucional.

10 de set. de 2026 · Redação Scarpa360