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“OS ATIVOS SÃO DELES JÁ”: PF APONTA NEGOCIAÇÃO DE JATO E HELICÓPTERO EM CONTRATO COM ESCRITÓRIO DA ESPOSA DE MORAES
Relatório tornado público após decisão de André Mendonça mostra tratativas envolvendo contrato de até R$ 50 milhões e cotas de duas aeronaves avaliadas em cerca de US$ 6,8 milhões;

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
A Polícia Federal encontrou no celular do ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro mensagens e documentos relacionados à negociação de um segundo acordo envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O material, cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, indica que uma operação de até R$ 50 milhões discutia a utilização de cotas de um jatinho executivo e de um helicóptero como parte do pagamento por serviços jurídicos.
Segundo o relatório da PF reproduzido pelos veículos, o acordo envolvia a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro, e o escritório Barci de Moraes. Dos R$ 50 milhões previstos, aproximadamente R$ 40 milhões seriam quitados por meio das cotas das aeronaves, enquanto outros R$ 10 milhões seriam destinados ao reembolso de despesas relacionadas aos voos.
As aeronaves mencionadas nos documentos eram um Legacy 650 e um helicóptero Airbus EC 155 B1. Conforme dados localizados pela investigação, a participação referente ao jato era avaliada em aproximadamente US$ 5,51 milhões, enquanto a cota do helicóptero chegava a cerca de US$ 1,33 milhão. Somadas, as participações alcançavam aproximadamente US$ 6,85 milhões.
A negociação começou a aparecer nas mensagens em maio de 2025. Segundo a Folha, a PF encontrou conversas entre Vorcaro e um advogado de sua equipe discutindo duas formas para estruturar a operação. Uma delas previa que os ativos fossem transferidos imediatamente, enquanto outra condicionaria a transferência ao cumprimento do contrato de honorários.
Em um dos diálogos reproduzidos no relatório, Vorcaro rejeita uma das alternativas e afirma:
“Os ativos são deles já.”
A Polícia Federal relaciona a declaração às cotas das aeronaves previstas na negociação com o escritório de Viviane.
As mensagens posteriores indicam que o uso das aeronaves teria começado antes mesmo de a situação societária estar completamente resolvida.
Em 16 de julho de 2025, Vorcaro perguntou a um executivo da Prime You, empresa especializada em compartilhamento de bens de luxo e ligada aos ativos, se os beneficiários estavam utilizando os serviços.
O funcionário respondeu que as aeronaves já estavam liberadas e acrescentou que “já usaram aviões e helicópteros”, segundo o relatório da PF.
Na mesma sequência, o executivo enviou a Vorcaro uma captura de tela de uma conversa que teria mantido diretamente com Viviane Barci de Moraes.
Ele perguntou se ela estava satisfeita com a utilização das cotas. Viviane respondeu que “estamos gostando muito” e elogiou o atendimento recebido pela equipe responsável pelas aeronaves.
Outro registro identificado pela investigação é de 21 de agosto de 2025. Uma funcionária da Prime You informou Vorcaro sobre uma viagem agendada para “Barci”. O ex-banqueiro respondeu orientando que o atendimento fosse mantido como prioridade:
“Não deixe de atender Barci.”
As mensagens também mostram discussões sobre qual estrutura jurídica seria utilizada para manter as participações nas aeronaves. Em determinado momento, Vorcaro foi informado de que os ativos deixariam de ser vinculados diretamente ao escritório para serem associados a uma empresa chamada “Lux”. A PF analisou ainda conversas que mencionavam preocupação com “risco reputacional” relacionado à exposição dos pagamentos.
O segundo acordo apareceu na investigação depois de um contrato anterior, firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, que chegava a aproximadamente R$ 131 milhões em valores brutos. O primeiro contrato previa pagamentos mensais pelos serviços jurídicos prestados ao banco.
Apesar das mensagens e documentos encontrados pela Polícia Federal, há uma divergência fundamental entre a interpretação dos investigadores e a versão apresentada pelo escritório.
A banca Barci de Moraes Sociedade de Advogados afirma que nunca concluiu o segundo negócio envolvendo as aeronaves. Em nota divulgada após a publicação das informações, o escritório declarou que possuía somente uma contratação com o Banco Master, que a nova proposta não foi aceita, que nenhum segundo documento foi assinado e que não houve transferência ou substituição do contrato original.
O escritório afirma ainda que o vínculo original com o Master foi encerrado após a liquidação da instituição financeira.
Por isso, embora os diálogos indiquem utilização das aeronaves e Vorcaro tenha tratado os bens como disponíveis aos beneficiários, os documentos divulgados até agora não esclarecem de forma definitiva se a transferência jurídica das cotas chegou a ser formalizada. O próprio g1 ressalta que o material analisado não permite concluir se a cessão das participações foi efetivamente concluída.
A informação sobre a negociação das aeronaves foi publicada nesta terça-feira por veículos como UOL, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, g1 e Metrópoles, após a retirada do sigilo do relatório policial por André Mendonça.
Carregando resultado da apuração das urnas…