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PARECE MÁGICA, MAS É SOBREVIVÊNCIA: ENTENDA POR QUE A CORUJA MUDA O OLHAR EM QUESTÃO DE SEGUNDOS

O fenômeno envolve principalmente a membrana nictitante, também chamada de terceira pálpebra, uma película fina e parcialmente translúcida que as aves possuem para proteger, limpar

PARECE MÁGICA, MAS É SOBREVIVÊNCIA: ENTENDA POR QUE A CORUJA MUDA O OLHAR EM QUESTÃO DE SEGUNDOS
Imagem: SEBASTIÃO SALVINO DO NASCIMENTO

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

As corujas carregam uma imagem de mistério, silêncio e sabedoria. Mas, por trás do olhar fixo e aparentemente imóvel dessas aves, existe uma anatomia altamente especializada. Em vídeos como o que circula nas redes, uma coruja aparece pousada em uma árvore e, de repente, muda completamente a expressão: os olhos, antes bem abertos e escuros, parecem ficar esbranquiçados e estreitos em questão de segundos.

A cena chama atenção porque parece uma transformação quase mágica. No entanto, a explicação está na biologia. O fenômeno envolve principalmente a membrana nictitante, também chamada de terceira pálpebra, uma película fina e parcialmente translúcida que as aves possuem para proteger, limpar e lubrificar os olhos. Nas corujas, essa membrana desliza sobre os olhos na diagonal, do canto interno para o externo, criando a impressão de que o olhar ficou branco por alguns instantes.

Diferentemente dos humanos, que possuem apenas as pálpebras superior e inferior, as corujas contam com três estruturas de proteção ocular. A pálpebra superior fecha quando a ave pisca, a inferior costuma ser usada durante o sono, e a terceira pálpebra entra em ação como uma espécie de “limpador natural” dos olhos. Ela ajuda a remover partículas, manter a umidade e proteger a superfície ocular sem bloquear completamente a visão.

Esse recurso é essencial para uma ave de rapina. Durante a caça, a coruja pode atravessar galhos, poeira, folhas e ainda lidar com a reação de uma presa. A membrana nictitante funciona como uma proteção rápida para evitar danos aos olhos, que são fundamentais para sua sobrevivência. Em aves de rapina, essa proteção ocular é importante especialmente em momentos de ataque, voo e alimentação.

Mas o vídeo também mostra outro comportamento interessante: a mudança de expressão. Algumas espécies de corujas são capazes de alterar a postura corporal quando percebem uma possível ameaça. Elas podem estreitar os olhos, recolher as penas, alongar o corpo e reduzir sua silhueta para se parecerem mais com troncos, galhos ou rochas. Esse comportamento é conhecido como postura de camuflagem ou postura de ocultação.

Na prática, a coruja tenta desaparecer no ambiente. Em vez de fugir imediatamente, ela pode ficar imóvel e diminuir sua aparência visual. Os olhos, que são grandes e chamativos, também podem ser semicerrados para reduzir o contraste do rosto. Assim, o que para nós parece uma expressão “assustada”, “brava” ou “mística” é, na verdade, uma resposta natural de sobrevivência.

Esse detalhe é importante: o olho da coruja não muda de cor de verdade. O que muda é a aparência do olho naquele instante. Quando a terceira pálpebra passa, ela cria o efeito esbranquiçado. Quando a ave estreita os olhos, a expressão facial também se transforma. Juntos, esses dois fatores dão a impressão de que a coruja mudou completamente o olhar.

As corujas também têm olhos muito grandes em relação ao tamanho da cabeça. Essa característica melhora a entrada de luz e favorece a visão em ambientes escuros, especialmente durante a caça noturna. Porém, esses olhos quase não se movem dentro das órbitas. Para compensar isso, as corujas desenvolveram a famosa capacidade de girar a cabeça em grandes ângulos, podendo alcançar cerca de 270 graus.

Outro ponto curioso é que o olhar fixo da coruja não significa que ela esteja “hipnotizada” ou parada por acaso. Essas aves são extremamente atentas ao ambiente. O silêncio, a imobilidade e a mudança rápida de postura fazem parte de um conjunto de estratégias usadas tanto para caçar quanto para evitar predadores maiores.

Por isso, a cena impressiona: em poucos segundos, a ave revela um mecanismo que mistura proteção ocular, camuflagem e comportamento defensivo. Parece mágica, mas é sobrevivência. A natureza desenvolveu nas corujas um sistema tão eficiente que até um simples piscar de olhos pode parecer uma transformação completa.

01 de jul. de 2026 · Redação Scarpa360