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PESQUISA REVELA QUE 75% PREFEREM MAIS FOLGAS A RECEBER SALÁRIO 20% MAIOR NA ESCALA 6X1

Ter mais tempo para descansar, conviver com a família e cuidar da vida pessoal pode ser mais atraente do que receber um salário maior.

PESQUISA REVELA QUE 75% PREFEREM MAIS FOLGAS A RECEBER SALÁRIO 20% MAIOR NA ESCALA 6X1

Ter mais tempo para descansar, conviver com a família e cuidar da vida pessoal pode ser mais atraente do que receber um salário maior. Essa é uma das principais conclusões de um levantamento divulgado pela Rede Cidadã, que investigou as preferências de trabalhadores e candidatos a emprego em meio às discussões sobre o fim da escala 6x1 no Brasil.

Segundo a pesquisa, 75% dos participantes escolheriam trabalhar um dia a menos por semana em vez de receber um aumento salarial de 20% e continuar na jornada de seis dias de trabalho para apenas um de folga.

O estudo ouviu 5.705 pessoas com 16 anos ou mais, entre o final de setembro e 8 de outubro de 2026, utilizando a base de usuários da plataforma Taqe, voltada ao recrutamento e à capacitação profissional.

MAIS DE 90% APOIAM O FIM DA ESCALA 6X1

A rejeição ao modelo atual também apareceu quando os participantes foram questionados diretamente sobre sua continuidade.

Entre os respondentes, 90,3% manifestaram apoio ao fim da escala 6x1, enquanto 5,1% se posicionaram contra a mudança. Outros 4,6% não tinham uma opinião definida.

O percentual favorável chegou a 91,3% entre as pessoas que atualmente trabalham seis dias por semana e descansam apenas um.

O levantamento também identificou que 93,1% dos participantes que já trabalham na escala 5x2 apoiam o encerramento do regime 6x1.

Os resultados indicam uma preferência expressiva pela redução dos dias de trabalho entre as pessoas consultadas, inclusive entre aquelas que já enfrentam essa rotina.

TRABALHADORES ACEITARIAM JORNADAS DIÁRIAS MAIS LONGAS

A pesquisa apresentou outra possibilidade aos participantes: trabalhar cinco dias por semana, com expediente diário mais longo, mantendo o salário.

Nesse cenário, 66,4% afirmaram que aceitariam a mudança. Outros 24,1% rejeitaram a alternativa, enquanto aproximadamente 9,4% não souberam responder.

Esse resultado não significa necessariamente apoio ao aumento da carga horária semanal. A pergunta tratava de concentrar a jornada em menos dias, preservando a remuneração.

A diferença é importante porque uma das propostas em discussão no Congresso prevê não apenas a reorganização dos dias trabalhados, mas também a redução da jornada máxima semanal.

COMO OS PARTICIPANTES USARIAM UM DIA EXTRA DE FOLGA?

O levantamento também buscou compreender o que as pessoas fariam caso conquistassem mais um dia de descanso semanal.

A opção mais frequente, escolhida por 69,5% dos participantes, foi utilizar esse tempo para descansar, aproveitar atividades de lazer ou estar com familiares.

Outros 47,9% disseram que dedicariam parte do período a estudos ou cursos de qualificação profissional.

As atividades domésticas e os compromissos pessoais foram mencionados por 22,3%, enquanto 20,6% aproveitaram a pergunta para destacar cuidados com a saúde e exercícios físicos.

Somente 2,7% afirmaram que utilizariam a folga adicional para trabalhar e complementar a renda.

Como era possível escolher mais de uma alternativa, a soma dos percentuais ultrapassa 100%.

ESCALA 6X1 TAMBÉM INFLUENCIA A ESCOLHA DE EMPREGO

A pesquisa apontou que a distribuição dos dias de trabalho pode interferir na decisão de aceitar uma vaga.

Questionados sobre uma possível oportunidade de emprego com jornada 6x1, 58,4% afirmaram que não aceitariam a proposta. Apenas 21,5% considerariam trabalhar nesse regime.

Em uma avaliação de prioridades profissionais, o salário recebeu nota média de 4,32 em uma escala de 1 a 5.

A quantidade de dias de folga ficou praticamente empatada, com 4,31, seguida das possibilidades de crescimento na carreira, com 4,30.

Os números mostram que a remuneração continua sendo um aspecto importante, mas o tempo disponível fora do trabalho também exerce forte influência nas preferências dos participantes.

CONGRESSO DISCUTE REDUÇÃO DA JORNADA PARA 40 HORAS

A divulgação dos resultados ocorre em um momento decisivo para o debate sobre a escala 6x1 no Congresso Nacional.

O Senado tem na pauta desta quarta-feira (14) a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê dois dias de descanso remunerado por semana e redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial.

O texto estabelece uma transição gradual para permitir a adaptação das empresas às novas regras.

A proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no Senado. Há um requerimento de calendário especial para permitir a análise dos dois turnos no mesmo dia.

Apesar do avanço da tramitação, a mudança ainda não estava aprovada até a última atualização consultada nesta quarta-feira.

RESULTADOS NÃO REPRESENTAM NECESSARIAMENTE TODOS OS BRASILEIROS

Embora o levantamento revele uma preferência expressiva entre os participantes, é importante considerar suas características metodológicas.

Os dados foram obtidos a partir de respostas voluntárias de usuários da plataforma Taqe, sem seleção probabilística destinada a representar a população brasileira.

Por isso, não é possível afirmar que exatamente 75% de todos os trabalhadores do país fariam a mesma escolha.

Ainda assim, a pesquisa acrescenta informações relevantes ao debate sobre remuneração, descanso e organização do trabalho, especialmente ao demonstrar como a distribuição das folgas pode influenciar a percepção de qualidade de vida e a atratividade das oportunidades profissionais.