SCARPA360A visão completa da notíciaPORTAL · RÁDIO · TV
A visão completa
da notícia
Justiça

PF ALERTA SOBRE “LACUNA” NO RASTREIO DO DINHEIRO DO MASTER APÓS COAF RETER DADOS DE AUTORIDADES COM FORO

Polícia Federal afirmou que ausência de informações impedia reconstruir toda a cadeia de repasses e identificar possíveis beneficiários; PGR agora cobra esclarecimentos sobre pedid

PF ALERTA SOBRE “LACUNA” NO RASTREIO DO DINHEIRO DO MASTER APÓS COAF RETER DADOS DE AUTORIDADES COM FORO

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

A Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que a retenção de determinadas informações financeiras pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, havia criado uma “lacuna no rastreamento financeiro” das investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.

O alerta foi feito em março deste ano e veio a público nesta segunda-feira (14), depois da retirada do sigilo de peças relacionadas ao caso. Segundo os documentos, a PF buscava reconstruir a movimentação de recursos potencialmente ilícitos atribuídos a Vorcaro e outros investigados.

Coaf enviou apenas parte das informações

A PF havia solicitado ao Coaf Relatórios de Inteligência Financeira, conhecidos como RIFs, envolvendo pessoas físicas e jurídicas relacionadas à investigação.

O conselho encaminhou o RIF nº 140515, mas informou que algumas comunicações não haviam sido incluídas porque apresentavam possíveis movimentações envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função.

Segundo o documento revelado nesta segunda, o Coaf entendeu que essas informações poderiam atrair competência do próprio STF ou do Superior Tribunal de Justiça e, por cautela, decidiu não compartilhá-las automaticamente com os investigadores.

A PF então recorreu a André Mendonça.

Como o caso já tramitava no Supremo, os investigadores argumentaram que caberia ao ministro autorizar expressamente o acesso aos dados retidos.

PF disse que não conseguia identificar todos os beneficiários

Na manifestação enviada ao Supremo, a Polícia Federal afirmou que o acesso integral às comunicações seria essencial para acompanhar todo o caminho do dinheiro investigado.

Segundo a corporação, a ausência dessas informações dificultava a compreensão da “totalidade da cadeia de repasses” e poderia impedir a identificação dos verdadeiros destinatários finais dos recursos.

Em outras palavras, a investigação tinha parte das movimentações, mas encontrava uma interrupção quando os fluxos financeiros se aproximavam de pessoas protegidas por foro especial.

Pedido foi feito em 10 de março

O pedido da Polícia Federal é datado de 10 de março.

No material tornado público nesta segunda-feira, não aparece uma decisão de Mendonça respondendo especificamente à solicitação referente ao relatório do Coaf. Por esse motivo, a Procuradoria-Geral da República decidiu cobrar esclarecimentos.

A PGR pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que verifique formalmente se Mendonça chegou ou não a autorizar o acesso e, em caso positivo, se os documentos estão disponíveis aos demais ministros.

Mas houve uma segunda medida, mais ampla

Esse é o ponto novo que muda parcialmente a leitura inicial do episódio.

Segundo a Folha de S.Paulo, oito dias depois do pedido sobre o relatório do Coaf, a Polícia Federal apresentou uma nova representação solicitando a quebra de sigilo bancário e fiscal dos mesmos alvos.

Essa segunda medida era mais abrangente do que o relatório de inteligência financeira e foi autorizada por André Mendonça.

Auxiliares do ministro afirmam que, justamente por essa quebra ser mais completa e detalhada, o pedido anterior relacionado ao RIF teria perdido o objeto.

Atualmente, mais de 30 pessoas físicas e jurídicas ligadas ao caso Master têm quebras de sigilo bancário e fiscal mantidas sob reserva porque a Polícia Federal ainda analisa o material.

Empresas ligadas a Vorcaro estão entre os alvos

Entre as empresas submetidas às quebras está a Super Empreendimentos, investigada por supostamente atuar como canal para pagamentos ligados a Daniel Vorcaro.

Também aparece a Moriah Asset, ligada a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado nas investigações como um de seus principais operadores financeiros.

O relatório parcial do Coaf já havia revelado movimentações consideradas atípicas.

Um dos casos citados nos documentos envolve a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, que movimentou aproximadamente R$ 57 milhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, apesar de um faturamento anual presumido de cerca de R$ 950 mil registrado pelo órgão.

Segundo o Coaf, Fabiano Zettel realizou 26 transferências para a instituição que, juntas, somaram aproximadamente R$ 19,2 milhões.

PGR quer saber exatamente o que aconteceu

A cobrança da Procuradoria-Geral da República ocorre porque, na parte pública do processo, não está claro se houve uma decisão formal sobre o primeiro pedido da PF.

A PGR quer que o gabinete esclareça se Mendonça respondeu à solicitação e, caso tenha autorizado o acesso, se esse material foi efetivamente disponibilizado para consulta.

A discussão ganhou relevância às vésperas da sessão do Supremo marcada para esta terça-feira (15), quando os ministros analisarão o relatório da PF envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

14 de set. de 2026 · Redação Scarpa360