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NO SCARPA360PRESIDENTE DA FIFA É ACUSADO DE RECEBER R$ 8,8 MILHÕES NÃO DIVULGADOS PARA BANCAR VIDA DE LUXO EM MIAMI
O presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, de 56 anos, tornou-se alvo de novos questionamentos após uma investigação revelar pagamentos milionário

O presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, de 56 anos, tornou-se alvo de novos questionamentos após uma investigação revelar pagamentos milionários que não teriam sido informados nos relatórios públicos de remuneração da entidade. Os recursos, segundo relatos reunidos pelo jornal britânico The Times, podem ter sido utilizados para financiar despesas pessoais e um estilo de vida luxuoso em Miami, nos Estados Unidos.
A investigação, publicada na segunda-feira (12), identificou aproximadamente US$ 1,76 milhão, o equivalente a R$ 8,8 milhões, em pagamentos adicionais registrados em 2024 por uma organização ligada à Copa do Mundo de 2026.
O dinheiro teria sido repassado pela FWC2026 US Inc., entidade constituída nos Estados Unidos para administrar operações relacionadas ao Mundial realizado na América do Norte.
Embora os pagamentos apareçam em registros fiscais norte-americanos, eles não foram apresentados no relatório anual de remuneração divulgado pela Fifa, segundo a investigação.
DOCUMENTOS REVELAM DIFERENÇA ENTRE VALORES DIVULGADOS
A Fifa publica desde 2016 informações sobre os salários e benefícios financeiros destinados à sua presidência e à secretaria-geral.
No relatório referente a 2024, Infantino aparece com uma remuneração bruta de 4,274 milhões de francos suíços, equivalente a aproximadamente US$ 4,9 milhões na cotação considerada pelas reportagens.
Esse total inclui salário fixo, remuneração variável e auxílios previstos contratualmente.
Entretanto, a análise de documentos fiscais da FWC2026 US Inc. revelou uma fonte adicional de remuneração que não teria sido incluída nas informações públicas da federação internacional.
Os registros apresentados às autoridades tributárias dos Estados Unidos indicam pagamentos superiores a US$ 1,7 milhão relacionados ao dirigente naquele ano.
A divergência levantou dúvidas sobre o cumprimento das normas internas de transparência financeira da entidade.
MANSÃO EM MIAMI ENTRA NO CENTRO DA INVESTIGAÇÃO
Outro ponto da reportagem envolve as condições de moradia de Infantino durante o período de preparação para a Copa do Mundo de 2026.
Segundo informações reunidas pelo The Times, o dirigente viveu em uma propriedade de alto padrão na região de Sunset Islands, em Miami Beach, uma área residencial conhecida por imóveis milionários e infraestrutura de luxo.
A residência pertence ao empresário Eric Schmidt, ex-presidente executivo do Google, que teria adquirido o imóvel em 2023 por aproximadamente US$ 27 milhões.
Entre os valores identificados na documentação financeira, cerca de US$ 626 mil foram classificados como outras formas de remuneração sujeitas à declaração.
Fontes consultadas pela investigação levantaram a possibilidade de parte desses recursos ter sido utilizada para cobrir despesas relacionadas ao aluguel da propriedade.
Entretanto, não houve comprovação pública de que toda essa quantia tenha sido destinada à residência.
Ainda conforme a apuração, Infantino teria deixado a mansão no final de 2025.
PAGAMENTOS PODEM TER CONTINUADO EM 2025 E 2026
As informações divulgadas também indicam a possibilidade de repasses semelhantes em outros períodos.
Pessoas ouvidas pelo jornal britânico afirmaram que o presidente da Fifa teria recebido pagamentos de valores equivalentes ou superiores em 2025 e 2026.
Até o momento, porém, não foram apresentados dados públicos completos que permitam confirmar o montante total dessas possíveis remunerações adicionais.
A existência dos registros nos Estados Unidos não significa, por si só, que os pagamentos tenham sido ilegais ou ocultados das autoridades fiscais. A controvérsia está principalmente relacionada à ausência das quantias nos demonstrativos públicos de remuneração da Fifa.
REGRAS DA FIFA EXIGEM TRANSPARÊNCIA SOBRE SALÁRIOS
O caso despertou questionamentos sobre as normas de governança adotadas pela própria entidade.
O artigo 43 dos estatutos da Fifa estabelece que as remunerações individuais do presidente, dos integrantes do Conselho e do secretário-geral devem ser divulgadas publicamente.
O jurista português Miguel Poiares Maduro, que anteriormente presidiu o Comitê de Governança da organização, avaliou que a ausência de divulgação dos pagamentos adicionais pode representar uma violação das regras internas.
Para o ex-dirigente, a transparência deve abranger todas as formas de remuneração recebidas pelos principais responsáveis pela administração da entidade.
A discussão não envolve necessariamente o valor dos salários, mas a obrigação institucional de informar de maneira clara os ganhos e benefícios concedidos aos dirigentes.
FIFA NEGA IRREGULARIDADES E REJEITA ACUSAÇÕES
Procurada para comentar as informações, a Fifa rejeitou as suspeitas de descumprimento de suas normas.
A organização afirmou que não paga um segundo salário ao presidente e que todas as remunerações e vantagens contratuais são estabelecidas por uma subcomissão independente responsável pelo tema.
A entidade também declarou que seus demonstrativos financeiros são submetidos a auditorias externas e que as informações fiscais seguem as exigências legais da Suíça, dos Estados Unidos e de outros países envolvidos.
Apesar das explicações, permanece o questionamento sobre a diferença entre os pagamentos registrados pela empresa norte-americana e os valores divulgados oficialmente no relatório anual referente a 2024.
Não há, nas informações apresentadas pela investigação, uma decisão definitiva de autoridade judicial ou disciplinar que tenha reconhecido irregularidade praticada por Infantino.
NOVA POLÊMICA SURGE ANTES DE ELEIÇÃO NA FIFA
O episódio aumenta a pressão sobre a administração de Gianni Infantino, que preside a Fifa desde fevereiro de 2016.
O dirigente já enfrentava críticas relacionadas a decisões administrativas, acordos comerciais e propostas de mudanças no financiamento de competições internacionais.
A repercussão ocorre também às vésperas de um novo processo eleitoral na entidade, previsto para março de 2027.
Infantino pretende disputar mais um mandato, mas as recentes revelações podem ampliar os questionamentos sobre seu modelo de gestão e a transparência na utilização dos recursos da organização.
O caso coloca novamente em debate a necessidade de mecanismos independentes de fiscalização sobre as finanças das principais instituições do futebol mundial.
Carregando resultado da apuração das urnas…