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PRESIDENTE DA VISA CHAMA PIX DE “FENÔMENO” E MINIMIZA CRÍTICAS DOS EUA
Rodrigo Cury classificou o meio de pagamento brasileiro como um “fenômeno” e afirmou que a investigação dos Estados Unidos deve ser entendida como uma discussão regulatória, não co

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
O presidente da Visa no Brasil, Rodrigo Cury, saiu em defesa do Pix em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Em entrevista publicada na quinta-feira (16), o executivo classificou o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central como uma iniciativa extremamente bem-sucedida e afirmou que a ferramenta se tornou um fenômeno no mercado brasileiro.
A manifestação ganhou repercussão porque o Pix aparece entre os pontos questionados pelo governo americano em uma investigação comercial sobre práticas brasileiras consideradas prejudiciais a empresas dos Estados Unidos.
Na avaliação de Cury, porém, a apuração não deve ser interpretada como uma crítica direta ao funcionamento, à segurança ou à popularidade do Pix. Segundo ele, o debate está concentrado principalmente no modelo regulatório adotado no Brasil e no fato de o Banco Central exercer simultaneamente as funções de regulador e operador da infraestrutura.
Pix concorre com cartões, mas ampliou o mercado
O executivo reconheceu que o Pix passou a disputar espaço com cartões e outros meios tradicionais de pagamento. Ainda assim, afirmou que o avanço da ferramenta também trouxe benefícios para empresas como a Visa.
O principal efeito, segundo Cury, foi a ampliação da bancarização e da participação dos brasileiros no sistema financeiro digital. Quanto mais pessoas passam a utilizar contas, aplicativos bancários e pagamentos eletrônicos, maior também se torna o mercado disponível para cartões e outros serviços financeiros.
Essa posição já havia sido apresentada pelo executivo em outubro de 2025, quando declarou que o Pix concorria diretamente com os cartões, mas também gerava oportunidades ao inserir mais consumidores no universo dos pagamentos digitais.
A Visa também passou a desenvolver soluções conectadas à infraestrutura brasileira de pagamentos instantâneos. A estratégia mostra que, em vez de tratar o Pix apenas como um concorrente, a companhia tenta incorporá-lo ao próprio modelo de negócios.
Não há dado público que comprove aumento específico dos lucros
Algumas publicações afirmaram que Cury teria dito que os lucros da Visa aumentaram no Brasil por causa do Pix. Essa interpretação exige cautela.
As declarações disponíveis apontam que o sistema ampliou oportunidades comerciais, estimulou a bancarização e ajudou a expandir o mercado de pagamentos digitais. Não foi apresentado, porém, um número público detalhado que permita atribuir diretamente ao Pix um aumento específico do lucro da operação brasileira da Visa.
Por isso, a formulação mais precisa é dizer que o Pix também beneficiou os negócios e abriu novas oportunidades para a companhia, e não que houve um crescimento comprovado dos lucros provocado exclusivamente pelo sistema.
Por que os Estados Unidos questionam o Pix
A investigação conduzida pelo governo americano analisa se determinadas políticas brasileiras criam condições desiguais para empresas estrangeiras.
No caso do Pix, Washington avalia se uma infraestrutura desenvolvida, administrada e regulada pelo Banco Central concede vantagem excessiva a uma solução nacional diante de companhias privadas de cartões e pagamentos.
O sistema permite transferências em poucos segundos, funciona todos os dias e foi criado pelo Banco Central como parte da infraestrutura oficial de pagamentos do país.
O governo brasileiro rejeita a acusação de tratamento desleal. Nesta sexta-feira (17), integrantes da equipe econômica afirmaram que classificar o Pix como uma prática comercial injusta não faria sentido e defenderam que a ferramenta não seja colocada em negociação com os Estados Unidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também afirmou que o sistema brasileiro não será alterado em razão da pressão americana.
Declaração enfraquece argumento de prejuízo absoluto
A fala do presidente da Visa no Brasil introduz uma nova perspectiva no debate.
Embora o Pix tenha reduzido a dependência de cartões em determinadas transações, um dos principais executivos da própria indústria de pagamentos reconhece que a ferramenta também ampliou o mercado e trouxe oportunidades.
Isso não elimina a concorrência entre os sistemas. O Pix oferece transferências rápidas e geralmente gratuitas para pessoas físicas, enquanto as bandeiras de cartão continuam relevantes em compras parceladas, crédito, pagamentos internacionais, programas de benefícios e operações realizadas por estabelecimentos comerciais.
Na prática, os dois meios competem em algumas áreas e se complementam em outras.
A declaração de Cury também indica que a própria Visa não trata o Pix apenas como uma ameaça. A companhia busca adaptar seus produtos ao novo cenário brasileiro, marcado pela combinação entre pagamentos instantâneos, cartões, carteiras digitais e outras tecnologias financeiras.
Uma disputa que vai além dos pagamentos
A inclusão do Pix na investigação americana transformou o sistema em um símbolo da disputa comercial e política entre os dois países.
Para os Estados Unidos, o debate envolve concorrência e regras de mercado. Para o governo brasileiro, a ferramenta representa inovação, inclusão financeira e soberania sobre uma infraestrutura criada pelo Banco Central.
A posição da Visa mostra que a discussão é mais complexa do que uma simples oposição entre Pix e cartões.
A ferramenta brasileira retirou espaço de alguns serviços tradicionais, mas também ajudou a aumentar o número de pessoas conectadas ao sistema financeiro e criou novas possibilidades de negócio para empresas que souberam se adaptar.
Carregando resultado da apuração das urnas…