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“QUERO R$ 100 MILHÕES NESTE ANO”: MENSAGEM DE LOBISTA AMIGA DE LULINHA APARECE EM INQUÉRITO DA PF
Conversas analisadas pela Polícia Federal mostram Roberta Luchsinger falando sobre uma meta milionária enquanto dizia fazer “costuras políticas” e participava de articulações envol

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
Uma mensagem atribuída à lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, chamou atenção entre os diálogos obtidos pela Polícia Federal em uma investigação sobre suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo negócios privados junto à administração pública federal.
Em uma conversa de 2024 com Gustavo Gaspar, Roberta falou sobre a quantia que pretendia ganhar naquele ano. “Eu quero 100 milhões esse ano”, afirmou. Na sequência, acrescentou que o valor seria “para mim”. Questionada de forma bem-humorada pelo interlocutor sobre a ambição da meta, respondeu: “Sou modesta”.
As mensagens fazem parte de material obtido pela PF após autorização judicial para quebra do sigilo telemático de Roberta. O conteúdo foi revelado inicialmente pela revista Veja, que teve acesso à íntegra de um dos inquéritos, e posteriormente confirmado pelo Poder360.
Segundo a investigação, Roberta mantinha proximidade comercial com Lulinha e com o empresário Fernando Bittar. Em relatório citado pelas reportagens, delegados afirmam ter identificado um “núcleo de atuação permanente e coordenada” formado pelos três e direcionado à interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da administração federal.
Em outras mensagens recuperadas pela PF, Roberta descrevia sua própria atuação dizendo trabalhar a política “via Palácio” e afirmava ser boa em “costura política”. Uma das principais frentes investigadas envolve um projeto para produção e fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao poder público.
A investigação aponta que Roberta havia sido contratada por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para atuar na viabilização de negócios ligados ao setor de cannabis medicinal. Segundo o inquérito, o plano envolvia superar obstáculos regulatórios e posteriormente tentar fornecer medicamentos ao Ministério da Saúde.
A PF também afirma que Lulinha aparecia nas mensagens como uma referência nas decisões dos projetos discutidos pelo grupo e como possível beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros. A corporação investiga se o filho do presidente teria usado sua influência e seus contatos para abrir caminhos dentro da administração pública.
Apesar das suspeitas levantadas pelos investigadores, as tratativas envolvendo o Ministério da Saúde não resultaram na assinatura do contrato pretendido. A Folha informou que a proposta apresentada por Roberta não avançou na pasta.
Os diálogos analisados pela PF também tratam de dinheiro. Segundo a Veja, Roberta aparece dando orientações para entregas de valores em espécie a diferentes destinatários, inclusive Fernando Bittar. Em outra conversa, durante os preparativos para uma viagem à África, Lulinha perguntou à lobista se havia recursos para bancar as despesas e escreveu que ela cuidava de suas finanças.
A Polícia Federal apura ainda outras possíveis articulações envolvendo órgãos como Dataprev e Telebras. Lulinha é atualmente alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal relacionados a suspeitas de tráfico de influência e outras possíveis irregularidades.
A defesa de Lulinha nega que ele tenha participado de negócios irregulares envolvendo a administração pública. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirma que não existem provas de corrupção ou tráfico de influência envolvendo seu cliente e acusa setores da Polícia Federal de promover vazamentos com motivação política durante o período eleitoral.
A defesa também questiona a possibilidade de confirmar a autenticidade e a integridade de documentos divulgados pela imprensa antes de ter acesso integral ao material e sustenta que Lulinha sofre maior escrutínio por ser filho do presidente Lula.
As investigações continuam e caberá à Polícia Federal reunir elementos para confirmar ou afastar as suspeitas levantadas a partir das mensagens e demais documentos obtidos no inquérito.
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