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R$ 35 MILHÕES, RESORT E FUNDOS: O QUE OS DOCUMENTOS MOSTRAM SOBRE TOFFOLI E VORCARO

Mensagens apreendidas pela PF indicam que Daniel Vorcaro autorizou aportes milionários relacionados ao Tayayá; ministro era acionista de empresa que participou do resort, mas nega

R$ 35 MILHÕES, RESORT E FUNDOS: O QUE OS DOCUMENTOS MOSTRAM SOBRE TOFFOLI E VORCARO
foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

A retirada de sigilos e a divulgação de documentos do caso Banco Master voltaram a colocar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no centro das discussões sobre as relações de Daniel Vorcaro com integrantes do Judiciário.

Nas redes sociais, uma das versões que passou a circular afirma que uma quebra de sigilo teria revelado que Toffoli seria “dono de um fundo” que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro.

Os documentos e reportagens disponíveis, porém, mostram uma situação mais complexa — e diferente dessa formulação.

Até agora, não há comprovação de que Toffoli fosse proprietário do fundo Arleen ou do fundo Leal. Registros analisados pela imprensa e documentos do Senado apontam que esses fundos estavam ligados ao empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. O Arleen adquiriu participação no resort Tayayá que anteriormente pertencia à Maridt Participações, empresa da qual Toffoli confirmou ser acionista.

DE ONDE SURGEM OS R$ 35 MILHÕES?

O valor aparece em conversas extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro.

Em maio de 2024, Vorcaro perguntou a Zettel sobre um aporte relacionado ao Tayayá. Posteriormente, ao pedir um levantamento dos valores já destinados ao negócio, recebeu como resposta que haviam sido pagos R$ 20 milhões anteriormente e mais R$ 15 milhões depois.

Somados, os valores chegam a R$ 35 milhões.

Em outra troca de mensagens revelada pela investigação, Vorcaro questionou onde estava determinado dinheiro. Zettel teria respondido que os recursos estavam “no fundo dono do Tayayá” e mencionou a possibilidade de transferir cotas.

A Polícia Federal passou a investigar justamente o caminho desses recursos e sua relação com a estrutura societária do empreendimento.

QUAL ERA A RELAÇÃO DE TOFFOLI COM O TAYAYÁ?

Toffoli confirmou em fevereiro que integra o quadro societário da Maridt Participações S.A., empresa familiar administrada por parentes do ministro.

A Maridt havia participado da sociedade do resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná. Em 2021, a empresa vendeu parte de sua participação ao fundo Arleen.

Segundo documentos analisados pelo Estadão, o fundo Arleen estava inserido em uma estrutura controlada por outro fundo, o Leal, cujo único cotista entre 2021 e 2025 era Fabiano Zettel.

Ou seja: a conexão documentada é que a empresa da qual Toffoli era acionista fez negócios com um fundo ligado ao cunhado de Vorcaro.

Isso é diferente de afirmar que o próprio ministro era dono do fundo.

E O PARAÍSO FISCAL?

Há ainda outro elemento que aumentou as suspeitas sobre a estrutura financeira.

No final de 2025, o fundo Arleen encerrou suas atividades e transferiu ativos avaliados em aproximadamente R$ 34 milhões para a Égide I Holding, empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, território conhecido por oferecer alto grau de confidencialidade societária.

Essa operação também entrou no radar de parlamentares e investigadores.

Mas novamente há uma distinção importante: os documentos disponíveis não demonstram que Toffoli seja o beneficiário final dessa offshore.

CPI TENTOU QUEBRAR SIGILOS

A CPI do Crime Organizado no Senado aprovou pedidos para quebrar os sigilos bancário e fiscal do fundo Arleen e também da Maridt.

Posteriormente, decisões do ministro Gilmar Mendes impediram o acesso da comissão a esses dados. Segundo registros oficiais do Senado, Mendes anulou a quebra do sigilo da Maridt e, depois, estendeu a decisão ao fundo Arleen.

A CPI reagiu e voltou a cobrar acesso às informações para rastrear a movimentação financeira envolvendo o resort.

TOFFOLI NEGA TER RECEBIDO DINHEIRO

Dias Toffoli nega qualquer pagamento de Vorcaro ou Zettel.

Em nota divulgada por seu gabinete, o ministro afirmou que “jamais recebeu qualquer valor” dos dois e declarou que todos os negócios envolvendo a Maridt foram realizados dentro da legalidade e informados à Receita Federal.

Ele também afirmou que não mantinha relação de amizade com Vorcaro.

Toffoli deixou a relatoria do caso Master em fevereiro, e o processo foi redistribuído para André Mendonça. A Polícia Federal informou posteriormente que parte dos dados extraídos do celular de Vorcaro chegou ao STF apenas após a mudança de relator.

11 de set. de 2026 · Redação Scarpa360