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SELIC CAI PARA 13,75% APÓS 5º CORTE SEGUIDO; VEJA O QUE MUDA NO CRÉDITO E NOS INVESTIMENTOS

Banco Central reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual e manteve postura cautelosa diante da inflação, da desaceleração da economia e das incertezas no cenário internacional.

SELIC CAI PARA 13,75% APÓS 5º CORTE SEGUIDO; VEJA O QUE MUDA NO CRÉDITO E NOS INVESTIMENTOS
Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (16) e representa o quinto corte consecutivo dos juros básicos da economia brasileira.

Desde o início do atual ciclo de redução, em março, a Selic já recuou 1,25 ponto percentual. Mesmo após os cortes, o Brasil continua com juros elevados em termos reais quando comparado às principais economias do mundo. O Banco Central não antecipou qual será sua próxima decisão e afirmou que a extensão do ciclo dependerá dos novos dados econômicos, especialmente da trajetória da inflação.

A redução ocorre em um momento de sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica. Segundo o Copom, indicadores recentes apontam para uma moderação gradual, sobretudo nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico.

INFLAÇÃO DESACELEROU EM AGOSTO

Um dos fatores que abriu espaço para a nova redução dos juros foi o comportamento recente dos preços. Em agosto, o IPCA registrou queda de 0,32%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,44% para 4,22%.

A meta contínua de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o intervalo considerado aceitável vai de 1,5% a 4,5%.

Apesar da melhora recente, o cenário ainda exige cautela. O Banco Central mencionou as incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e à política monetária de grandes economias. O próprio Federal Reserve dos Estados Unidos elevou os juros nesta semana, aumentando a diferença entre o caminho seguido pelos dois bancos centrais.

CRÉDITO PODE FICAR MAIS BARATO, MAS EFEITO NÃO É IMEDIATO

A Selic serve como referência para boa parte das taxas praticadas na economia. Quando ela cai, existe uma tendência de redução gradual dos juros cobrados em empréstimos e financiamentos, embora bancos e financeiras também considerem inadimplência, risco do cliente, custos operacionais e margem de lucro. O Banco Central explica que alterações na Selic são transmitidas para a economia por canais como crédito, consumo, investimentos, câmbio e expectativas.

Por isso, a redução para 13,75% pode contribuir, ao longo do tempo, para tornar algumas modalidades de crédito menos caras e estimular consumo e investimento. A queda de apenas 0,25 ponto percentual, entretanto, tende a produzir efeitos graduais, e não uma redução imediata equivalente nas taxas cobradas do consumidor.

RENDA FIXA TENDE A RENDER UM POUCO MENOS

Para quem investe, a mudança também tem efeitos. Aplicações pós-fixadas diretamente ligadas à Selic ou ao CDI tendem a oferecer uma remuneração ligeiramente menor após a redução dos juros.

Isso afeta produtos como Tesouro Selic, CDBs pós-fixados e fundos de renda fixa, embora o rendimento final de cada aplicação dependa de fatores como percentual do CDI oferecido, taxas de administração, impostos e prazo.

Já a caderneta de poupança não muda sua regra de rendimento neste momento. Como a Selic permanece acima de 8,5% ao ano, os depósitos realizados sob a regra atual continuam rendendo 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR).

BC DEIXA PRÓXIMOS PASSOS EM ABERTO

O mercado já esperava a redução para 13,75%. Em levantamento da Reuters, 48 dos 51 economistas consultados projetavam exatamente um corte de 0,25 ponto percentual.

O Copom, porém, evitou indicar antecipadamente se haverá novo corte na próxima reunião. A autoridade monetária afirmou que as próximas decisões dependerão da evolução da inflação, do ritmo da economia e das condições internacionais.

A próxima reunião do Comitê ganha importância porque mostrará se o Banco Central entende que há espaço para continuar reduzindo os juros ou se as pressões sobre preços e o cenário externo exigirão uma pausa.

17 de set. de 2026 · Redação Scarpa360