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NO SCARPA360Notícias e peças publicitárias consultadas no Scarpa360 em 06/09/2026. Distribuição demonstrativa para avaliação visual; a programação de rádio e TV é ilustrativa.
SEM PAREDES DE TIJOLOS: CONHEÇA A IGREJA ESCULPIDA NA PEDRA QUE ATRAI MILHÕES DE VISITANTES NA BAHIA
Às margens do Rio São Francisco, o Santuário do Bom Jesus da Lapa nasceu dentro de uma gruta natural de calcário e transformou um morro de 90 metros em um dos maiores destinos de t

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.
Não há uma nave convencional sustentada por paredes erguidas do chão. Não há um teto construído sobre a igreja principal. Ao entrar no Santuário do Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia, o visitante percebe que a própria natureza desempenha o papel que normalmente seria reservado à arquitetura: enormes paredes de pedra cercam os fiéis, enquanto a rocha do morro forma o teto sobre o altar.
É daí que vem um dos nomes pelos quais o lugar ficou conhecido: Igreja de Pedra e Luz.

Localizado às margens do Rio São Francisco, o Santuário ocupa o interior do Morro da Lapa, um maciço de formação calcária com aproximadamente 90 metros de altura. Por dentro, galerias, fendas e cavernas formadas naturalmente ao longo de milhares de anos criaram um cenário que, mais tarde, seria transformado em um dos maiores centros de peregrinação católica do Brasil.
Por isso, é comum ouvir que a igreja “foi construída sem tijolos”. A expressão ajuda a traduzir a singularidade do local, mas merece uma explicação: o Santuário recebeu altares, bancos, iluminação, imagens, acessos, torre e diversas intervenções humanas ao longo de mais de três séculos. O que torna o templo extraordinário é que sua igreja histórica principal não precisou ser erguida como uma construção convencional. A gruta já existia. O morro é a própria estrutura do templo.
A história religiosa do local começa em 1691, quando o português Francisco de Mendonça Mar chegou à região carregando um crucifixo do Bom Jesus e uma imagem de Nossa Senhora da Soledade. Ourives e pintor, ele havia abandonado seus bens e seguia pelos sertões quando encontrou abrigo nas cavernas do morro.
Francisco decidiu permanecer ali. Instalou as imagens religiosas dentro da gruta e passou a viver como eremita. A fama de sua vida dedicada à oração, à caridade e ao auxílio aos pobres começou a se espalhar. Moradores e viajantes passaram a procurar o local, primeiro em pequenos grupos, dando origem às peregrinações que atravessariam mais de três séculos.
Anos depois, Francisco seguiu para Salvador para receber formação religiosa e foi ordenado sacerdote, adotando o nome de padre Francisco da Soledade. Ele retornou à Lapa e continuou sua missão até morrer, por volta de 1722.
A pequena gruta que recebeu os primeiros devotos tornou-se o centro de uma tradição gigantesca.
Hoje, segundo o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, o conjunto possui 16 grutas, nove delas internas. As duas mais conhecidas são a Gruta do Bom Jesus e a Gruta de Nossa Senhora da Soledade. O visitante também pode subir até o Cruzeiro, localizado na parte superior do morro, por percursos internos e externos.
A Gruta do Bom Jesus impressiona pelas dimensões. Dados da Diocese de Bom Jesus da Lapa indicam aproximadamente 50 metros de comprimento, 15 metros de largura e sete metros de altura. A Gruta da Soledade ocupa uma área ainda maior, de cerca de mil metros quadrados.
Dentro dessas formações naturais, religião e geologia se misturam. Altares aparecem cercados pela rocha. Estalactites e outras formações dividem espaço com imagens sacras, velas e bancos. A iluminação instalada no interior evidencia as curvas da pedra e ajuda a explicar o apelido “Igreja de Pedra e Luz”.
Na entrada, outro elemento chama atenção: a torre do Santuário. Com aproximadamente 40 metros de altura, ela foi construída entre as décadas de 1940 e 1950 e se tornou parte da imagem mais conhecida do complexo. A estrutura abriga sinos e um relógio e marca a passagem entre a movimentada esplanada e o universo das grutas.
A história do templo também guarda episódios dramáticos. Em 1903, um incêndio destruiu a imagem original do Bom Jesus levada ao local pelo fundador. Restaram partes metálicas da cruz e fragmentos carbonizados. Ainda naquele ano, uma nova imagem foi produzida para substituir a original e permanece no Santuário.
Mas é durante as romarias que se percebe a verdadeira dimensão de Bom Jesus da Lapa.
O próprio Santuário estima que mais de 2 milhões de pessoas passem pela cidade ao longo de um ano. Dados divulgados pelo Governo da Bahia em diferentes períodos já apontaram movimento de até 2,5 milhões de visitantes e romeiros anuais, colocando Bom Jesus da Lapa entre os mais importantes destinos de turismo religioso do país.

A principal celebração acontece entre o final de julho e 6 de agosto, quando é realizada a Romaria do Bom Jesus da Lapa.
Somente na edição de 2025, cerca de 700 mil romeiros e peregrinos participaram dos dez dias de celebrações, segundo a Secretaria de Turismo da Bahia. Hotéis chegaram a registrar ocupação total e grupos viajaram centenas de quilômetros de ônibus, automóveis, motocicletas e caravanas para chegar à cidade.
O dia 6 de agosto é o ponto máximo da festa. Missas, alvoradas, orações e uma grande procissão transformam as ruas e a esplanada diante do Santuário. Famílias inteiras repetem viagens feitas por pais, avós e bisavós. Há pessoas que chegam para agradecer uma graça, outras para cumprir promessas e muitas simplesmente para renovar uma tradição mantida durante gerações.
A romaria é tão relevante para a cultura brasileira que, em setembro de 2025, a Lei nº 15.197 declarou a Romaria do Senhor Bom Jesus da Lapa como manifestação da cultura nacional. A legislação também prevê medidas de incentivo à preservação e promoção da peregrinação.
E a temporada religiosa não termina em agosto.
Em setembro, o Santuário recebe a Romaria de Nossa Senhora da Soledade, outra das grandes manifestações de fé da cidade. Em outubro, é realizada a Romaria de Nossa Senhora Aparecida. O calendário inclui ainda a Romaria da Terra e das Águas, celebrações do Divino Espírito Santo, Corpus Christi, romarias do Terço dos Homens e das Mulheres, encontros quilombolas e outras festas religiosas distribuídas ao longo do ano.
As três grandes concentrações tradicionais são ligadas ao Bom Jesus, Nossa Senhora da Soledade e Nossa Senhora Aparecida. A festa de agosto é apresentada pelo próprio Santuário como uma das maiores romarias católicas do Brasil.
Esse movimento transformou Bom Jesus da Lapa em muito mais que um ponto de peregrinação.
Durante os grandes eventos, hotéis, pousadas, restaurantes, bares, lojas, mercados, vendedores de artigos religiosos e transportadores trabalham em ritmo completamente diferente. Em 2025, a rede hoteleira chegou a registrar 100% de ocupação durante a principal romaria, com estabelecimentos recebendo reservas feitas com até um ano de antecedência.
Para quem visita a cidade com olhar turístico, a experiência vai além das celebrações religiosas.
O Santuário está praticamente às margens do Rio São Francisco, e a paisagem cria um contraste marcante: de um lado, o enorme paredão escuro do Morro da Lapa; do outro, o Velho Chico atravessando o sertão baiano.
Passeios pelo rio, gastronomia regional, a esplanada, a subida ao Cruzeiro e a visita às diferentes grutas costumam complementar a experiência. A própria Secretaria de Turismo da Bahia destaca que muitos romeiros aproveitam a passagem pela cidade para conhecer o São Francisco e outros atrativos da região.

Quem pretende visitar o Santuário fora das grandes festas encontra uma experiência bastante diferente. Sem as multidões de agosto, é possível observar com mais calma a geologia das cavernas, percorrer os altares, conhecer as grutas e contemplar a paisagem do alto do morro.
O site oficial informa atualmente que o Santuário permanece aberto para visitação das 5h às 21h, com missas e outras atividades religiosas distribuídas ao longo do dia. Como horários podem sofrer alterações em períodos especiais, é recomendável conferir a programação oficial antes da viagem.
Já quem busca experimentar a cidade durante seu momento mais intenso deve escolher o período da Romaria do Bom Jesus, entre o fim de julho e 6 de agosto. É quando fé, música, comércio, procissões, caravanas e tradições sertanejas ocupam praticamente todos os espaços da cidade.
Bom Jesus da Lapa está no oeste baiano, a aproximadamente 780 quilômetros de Salvador, em uma região que integra a zona turística Caminhos do Oeste.
A dimensão turística, porém, não explica sozinha a força do lugar.

Muito antes de hotéis lotados, ônibus de excursão, grandes procissões e milhões de visitantes, havia apenas um homem, duas imagens religiosas e uma gruta no interior da Bahia.
O que Francisco de Mendonça Mar encontrou em 1691 não precisou ser desenhado por um arquiteto para impressionar. A água, o tempo e a própria formação geológica já haviam criado as paredes, os corredores e o teto.
Depois vieram altares, imagens, sinos, iluminação, escadas, uma torre e uma cidade inteira que cresceu ao redor daquela devoção.
Mais de três séculos depois, milhões de pessoas continuam fazendo o mesmo caminho.
E talvez seja justamente essa combinação que torna Bom Jesus da Lapa tão diferente de outros destinos religiosos: ali, antes de o homem construir um templo dentro da paisagem, a própria paisagem já parecia um templo.
Carregando resultado da apuração das urnas…