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SERVIDOR DO DETRAN-DF É ACUSADO DE USAR CONTA DA ESPOSA PARA RECEBER PROPINA EM ESQUEMA DE FRAUDES

Denúncia aponta que grupo cobrava cerca de R$ 2 mil por transações irregulares e teria movimentado aproximadamente R$ 1 milhão; casal está preso desde junho.

SERVIDOR DO DETRAN-DF É ACUSADO DE USAR CONTA DA ESPOSA PARA RECEBER PROPINA EM ESQUEMA DE FRAUDES

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

Um servidor do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) é acusado de integrar e liderar um esquema de fraudes em sistemas do órgão, com uso da conta bancária da própria esposa para receber valores ilícitos e ocultar a origem do dinheiro.

Segundo a denúncia que tramita no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Alexandre Macedo da Rosa tinha conhecimento técnico e acesso ao sistema Getran, utilizado pelo Detran-DF, e teria utilizado essas credenciais para inserir, alterar ou omitir dados de forma fraudulenta.

A acusação sustenta ainda que Alexandre repassava suas credenciais a terceiros envolvidos no esquema. Entre os nomes citados estão Huggo Luciano Gomes de Lima e Caio Raffael de Jesus Leite Furtado.

Já Shana Rodrigues Macedo, esposa de Alexandre, teria disponibilizado sua conta bancária para o recebimento das vantagens ilícitas. De acordo com os autos, durante as negociações, integrantes do grupo indicavam a chave Pix de Shana para que os pagamentos fossem realizados.

Segundo a denúncia, o objetivo seria dificultar a identificação da origem do dinheiro e dissimular os valores obtidos com as fraudes.

ESQUEMA TERIA MOVIMENTADO CERCA DE R$ 1 MILHÃO

A investigação aponta que despachantes atuavam como intermediários, buscando pessoas interessadas em realizar alterações irregulares no sistema do Detran-DF.

Cada operação fraudulenta custaria aproximadamente R$ 2 mil.

Entre as irregularidades investigadas estão transferências de veículos sem a documentação exigida, uso de documentos adulterados e retirada indevida de restrições administrativas e multas.

No total, o grupo teria movimentado cerca de R$ 1 milhão.

A Polícia Civil também identificou ao menos 600 operações realizadas com a senha funcional de uma servidora em horários nos quais ela não estava trabalhando.

Após a perda desse acesso, os investigados teriam criado usuários considerados “fantasmas”, sem vínculo com o Detran, mas com permissões para fazer alterações dentro do sistema.

OPERAÇÃO FOI DEFLAGRADA EM MAIO

A investigação foi conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Norte.

A operação foi deflagrada em 26 de maio e cumpriu 11 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de valores.

As ações ocorreram em Brasília, Valparaíso, Teresina e Santiago, com apoio das polícias civis do Piauí e do Rio Grande do Sul.

Além de Alexandre e Shana, a investigação também teve como alvos outros suspeitos apontados como participantes da organização.

Segundo o Detran-DF, o órgão forneceu informações técnicas, registros de acesso e outros dados que ajudaram os investigadores a identificar padrões considerados fraudulentos.

O departamento informou ainda que reforçou mecanismos de segurança e revisou acessos aos sistemas internos. Nos casos em que houve suspeita envolvendo servidores, foram adotadas medidas administrativas, como afastamento e bloqueio de credenciais.

CASAL ESTÁ PRESO DESDE JUNHO

Alexandre e Shana se entregaram à Polícia Civil do Rio Grande do Sul em junho e permanecem presos preventivamente.

A defesa já apresentou pedidos de habeas corpus ao TJDFT e também ao Superior Tribunal de Justiça.

Segundo o advogado Bruno Seligman de Menezes, o fato de o casal ter se apresentado voluntariamente às autoridades demonstraria que não há risco de fuga.

A defesa também questiona a duração da prisão preventiva e apresentou argumentos relacionados à saúde mental de Alexandre.

A Justiça, entretanto, manteve as prisões sob o argumento de necessidade de garantia da ordem pública.

Os investigados foram indiciados por crimes que incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

As acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

27 de ago. de 2026 · Redação Scarpa360